Antonio Carlos Egypto
SONHOS DE TREM (Train Dreams). Estados Unidos, 2025. Direção: Clint Bentley. Elenco: Joel Edgerton, Felicity Jones, Kerry
Condon, William H. Macy, Will Patton.
113 min.
Um lenhador e trabalhador ferroviário, figura solitária, desloca-se todo
o tempo, para cumprir seus trabalhos no Oeste estadunidense, no início do
século XX. Época que traz novas
tecnologias que transformaram as vidas: os trens e a eletricidade, especialmente. Robert (Joel Edgerton) acaba encontrando um
amor, Gladys (Felicity Jones), um casamento e uma filha. Uma tragédia familiar, no entanto, abalará
sua vida tanto quanto as mudanças tecnológicas, frente à natureza selvagem. O filme foca na vivência concreta e onírica
de Robert, assim como em suas memórias.
Explora magnificamente bem a natureza que está sendo devastada pelo
intenso corte de madeira, ralentando as florestas. Na época, o sentido ecológico ainda não
estava presente. A madeira colhida era vista
como infinita, que se reproduziria para sempre na mesma proporção do que era
cortada, ou quem sabe até mais. Alguns
já desconfiavam que nem tudo estava tão bem quanto parecia, mas era ainda uma
visão minoritária e pouco crível. O
filme tem um ritmo lento, mas é belo e muito antenado com as preocupações do
presente, sem fazer qualquer tipo de pregação.
As imagens falam por si. Aliás,
como já foi amplamente divulgado, o diretor de fotografia de “Sonhos de Trem” é
o brasileiro Adolpho Veloso, que concorre ao Oscar pelo filme e é a nossa 5ª.
indicação, além das quatro obtidas por “O Agente Secreto”. É inegável que uma das maiores virtudes do
filme é precisamente a sua fotografia, daí a justa indicação. Além de Adolpho Veloso, a obra está indicada
para melhor filme, roteiro adaptado (baseado em novela de Denis Johnson) e
canção original. Uma produção da
Netflix.
AS GUERREIRAS DO K-POP (K-Pop Demon
Hunters). Coreia do Sul/ Estados Unidos, 2025. Direção: Chris Appelhans e Maggie Kang. Animação: 95 min.
Não acompanho regularmente os lançamentos em animação. Mas, de vez em quando, é preciso conferir o
que de melhor está sendo exibido. No caso de “As Guerreiras do K-Pop”, por suas
indicações ao Oscar de animação e canção original para Golden, que são citadas
como favoritas nessas categorias. Já
venceu nas mesmas categorias o Globo de Ouro.
E o Grammy 2026 de canção escrita para mídia visual. O desenho, muito bom, centra sua narrativa
numa trinca de meninas estrelas da música pop, Huntrix (Rumi, Mira e Zoe), que
têm milhares de fãs que as adoram e dependem delas para serem felizes. Elas são dedicadíssimas aos fãs. Mas, além de estrelas da música, Huntrix tem
uma missão secreta, são guerreiras que combatem os demônios que ameaçam a
humanidade e o bem-estar geral, este buscado como mágica. Acabam encontrando como rivais, tanto na
música quanto no caráter demoníaco, a banda Saja Boys. Claro que está aí a sempre colocada luta do
bem contra o mal e um mundo que precisa de salvadores e discípulos. A trama, porém, inova, ao colocar elementos
demoníacos a serem assimilados pelo bem e algumas figuras demoníacas que também
buscam se aproximar do bem. Trata-se de
uma animação musical empolgante e agitada.
As músicas são ótimas. O universo
musical e de dança da Coreia do Sul está aqui muito bem representado. Produção da Sony, distribuída pela Netflix.


















