Antonio Carlos Egypto
Quero registrar aqui alguns filmes já vistos no Festival Internacional de
Documentários É TUDO VERDADE 2026. O
filme de abertura em São Paulo, BOWIE: O ATO FINAL, dirigido por
Jonathan Stiasny, do Reino Unido, faz uma abordagem muito adequada da vida
artística de David Bowie (1947-2016).
Mostra sua trajetória marcada pela busca constante de inovações e
rupturas, numa inquietação artística muito clara. O retorno era sempre uma nova expressão
musical e artística, em que o cinema teve também papel importante. O filme deve ter lançamento comercial
oportunamente. 90 minutos.

Com Luiz Zanin consultando a programação do festival
Gostei muito também do documentário sueco, TÚMULO DE GELO,
dirigido por Robin Hunzinger. Ele conta
uma história fantástica que remonta ao final do século XIX, quando, em 1897,
três homens encararam uma viagem num balão de hidrogênio gigante, com vistas a
alcançar o até então inexplorado e inacessível Polo Norte. Registraram sua façanha em diários escritos e
fotos que sobreviveram no gelo e foram encontrados em 1930, 33 anos depois da
jornada histórica. O filme é
esclarecedor e muito bem documentado.
Mostra como foi construído, em plena neve, durante anos, o centro
lançador do enorme balão e reconstrói a tentativa de volta dos
exploradores. São imagens que fluem e
nos envolvem nessa história espetacular.
78 minutos.
Com o documentário brasileiro FERNANDO CONI CAMPOS: CADA UM VIVE COMO
SONHA, de Luís Abramo e Pedro Rossi, aprendi sobre esse grande cineasta
contador de histórias. Que nasceu em
1933, mas morreu cedo, em 1988, sem tempo para que sua chama artística pudesse
se solidificar e ser melhor reconhecida.
A história desse baiano que circulou pela intelectualidade paulistana e
pelos meandros cariocas, deixando também um trabalho como escritor e cineasta
que cultivava a dramaturgia popular, soa bela e sedutora neste doc.. E chama a atenção para seus filmes inovadores,
como “Viagem ao Fim do Mundo” (1968) e “Ladrões de Cinema” (1977). 89 minutos.

Luiz Zanin e Mária do Rosário Caetano na Cinemateca
O documentário polonês DESFECHO já é mais angustiante. Dirigido por Michal Marczak, acompanha a
obcecada busca de Daniel pelo seu filho Chris, desaparecido aos 16 anos. Entende-se muito bem a sua dor, mas é aflitivo
perceber que essa busca se tornou a única causa de sua existência, que nunca
pôde parar, ao longo de anos, esquadrinhando o rio Vístula, no sul de Varsóvia,
e todas as possíveis pistas por seu encontro.
105 minutos.
Já o documentário brasileiro A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO investe na
brincadeira. A diretora Eliza Capai deu
vez e voz às meninas de uma pequena cidade do interior do Piauí, que aos 10, 11
anos, pensam sobre as questões femininas e a chegada da adolescência. Seus pensamentos refletem ainda uma ideia do
homem como o gigante da mulher, mas suas reflexões divertidas trazem muita
verdade sobre o machismo estrutural, a saída da miséria, Deus, o medo da morte
e muito mais. 70 minutos.










