Antonio Carlos Egypto
A ODISSEIA (The Odyssey). Estados Unidos, 2026. Direção e roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o. 172 min.
O britânico Christopher Nolan é hoje um dos mais destacados cineastas de
Hollywood. Para além dos Batmans, vale lembrar de “Oppenheimer” (2023) e
“Dunkirk” (2017), entre outros trabalhos de valor. Agora ele valeu-se de um dos maiores poemas
épicos da Grécia antiga, atribuído a Homero (ou seriam vários autores?),
escritos por volta do século VII antes de Cristo, entre 850 e 750 a.c.
Com um orçamento de 250 milhões de dólares, segundo notícias veiculadas
pela imprensa, “A Odisseia” tornou-se um dos maiores exemplos de
cinema-espetáculo da história.
Assistindo às 3 horas de duração do filme, que absolutamente não cansam
porque são repletas de histórias e sequências atraentes e até mirabolantes, ele
causa grande impacto. Eu não tive acesso
à sessão IMAX, vi o filme numa boa projeção normal de cinema. Mas não é preciso estar ligado a toda essa
tecnologia para apreciar esse grande evento épico do cinema.
Na Odisseia de Homero está toda a concepção das aventuras em suas
múltiplas expressões, apoiadas, por um lado, e em conflito, por outro, com os
deuses, com criaturas míticas e fantásticas, navegando os mares amparados por
Poseidon, o deus do mar. Também numa
jornada interminável em busca de comida e sobrevivência, após a guerra de Troia,
encontram-se gigantes, exércitos hostis, além das batalhas domésticas em Ítaca,
para onde Odisseus tenta chegar durante 10 anos, sem sucesso. Enfim, pode-se dizer que as estruturas de todas
as aventuras que conhecemos e concebemos estão retratadas nessa fantástica
Odisseia. Mais do que isso, o próprio
conceito de herói está aí formado por sua bravura, determinação, resiliência,
mas também por suas artimanhas. Também
vem de lá a ideia da volta ao lar, o retorno à mulher amada e ao filho
querido. Penélope é o ideal da mulher –
no filme valorizado por uma presença feminina ativa. O filho Telêmaco, o herói herdeiro, é
igualmente fiel e determinado.
As batalhas a serem vencidas, os obstáculos que se antepõem, a missão a
alcançar, a luta pela justiça, pela mudança, sem dispensar os estratagemas,
disfarces e encenações que compõem a narrativa heroica.
Quem se propõe a encarar um clássico absoluto como esse, não há como
fazê-lo sem vê-lo com os olhos de hoje.
A obra de arte reflete o momento histórico que está sendo pensado e
vivido naquele período. Acho bom que
seja assim. Fazemos a leitura do mundo
de hoje a partir de seus arquétipos, dos modelos ancestrais, históricos, dos
moldes que embalaram a nossa cultura, ao Ocidente e ao Oriente. O filme
respeita o clássico e faz essa leitura do nosso mundo a partir dele.
O espetáculo do filme de Nolan é muito evidente. Os recursos, impressionantes. O som, de
arrasar. A fotografia, notável. O elenco é também muito recheado de
estrelas. Matt Damon, como Odisseu, não
empolga tanto como herói, mas mostra grande dedicação ao papel. Anne Hathaway, como Penélope, é uma figura
decisiva e forte, em boa atuação. Tom
Holland, como Telêmaco, está bem, mas não é tão vibrante para o papel da importância
que tem. Zandaya está ótima, como a
deusa Atena. Ainda tem Robert Pattinson
como Antinous, um vilão moderado, Elliot Page, um ator transgênero, como Sinon,
Lupita Nyong’o, brilhando como Helena e Clitemnestra e Charlize Theron, como a
ninfa Calypso, que manteve Odisseu por anos em sua ilha mítica Ogígia, usando
seus encantos e ardis para retê-lo. Um
grande elenco, que dá suporte publicitário a essa grandiosa produção.
Como blockbuster, “A Odisseia” ocupa
um colosso de salas de cinema por todos os shoppings, cinemas de rua e até
alternativos. Como todos esses filmes de
grande lançamento internacional, ocupa espaços demais. Sem isso, talvez nem conseguisse sequer se
pagar, tão alto é o custo de sua produção.
Não costumo ser grande fã do cinema espetáculo, mas esse me agradou
bastante.













