Antonio Carlos Egypto
Já tive a oportunidade de ver os primeiros filmes da Mostra 50. Aí vão meus comentários sobre eles.
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| Tigre de Papel |
TIGRE DE PAPEL (Paper Tiger). EUA,
2026. Direção: James Gray. Elenco: Adam Driver, Scarlett Johansson,
Miles Teller, Gavin Goudey, Roman Engel. 115 min.
O filme de abertura da 50ª. Mostra, “Tigre de Papel”, traz uma relação de
dois irmãos muito diferentes, mas colaboradores entre si e com afetividade. Um
vem da experiência policial e parece talentoso nos negócios. O outro, um engenheiro competente, com uma
vida de classe média modesta em família.
Quando ambos se unem para realizar o negócio ideal que, além de muito
lucrativo, contribuirá para o meio ambiente numa relação com empresários
russos, a coisa, obviamente, desanda. E
aí é a relação deles com a máfia russa que dará o tom da ação para lá de
arriscada, que abalará até o que estava bem fincado: a relação entre os irmãos. E a própria vida deles e da família. “Tigre de Papel” tem um bom ritmo,
envolvente, um bom elenco, mas segue um padrão do gênero drama criminal e
suspense esquemático, principalmente em relação à maldade dos russos. E também pela tremenda ingenuidade dos irmãos
estadunidenses em crer no tal negócio ideal, sem falhas ou fraudes, e que eles
pudessem vir a ser os fiadores morais dessa história. Entre os muitos produtores que viabilizaram o
filme está o brasileiro Rodrigo Teixeira, que tem participação significativa na
produção cinematográfica mundial atualmente.
O diretor James Gray virá à 50ª. Mostra, elaborou o cartaz do evento e
terá uma retrospectiva de seus filmes.
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| Um Pouco de Esperança |
UM POUCO DE ESPERANÇA (Kami Nour), do Irã, 2026, do diretor Alis Asgari, que estará na
50ª. Mostra, é um filme poderoso pelo questionamento que coloca. A decisão de cometer suicídio pode ser algo
mais do que uma decisão pessoal e isolada?
Ela poderá ser compartilhada antes do ato final com as pessoas mais
próximas da família? E o que esperar
delas? Ou seja, é possível a
socialização dessa experiência? É
possível contar com a ajuda de parentes e colegas de profissão (no caso,
trata-se de um médico)? O suicídio é uma
questão individual ou coletiva, comunitária?
“Um Pouco de Esperança” faz lembrar o grande filme iraniano “Gosto de
Cereja”, de Abbas Kiarostami, de 1997, em que um suicida pedia ajuda
previamente a pessoas para que pudessem enterrá-lo. A questão é mesmo complexa e esse tabu merece
ser cada vez mais discutido, com evidentes dificuldades quando entra em cena o
pensamento religioso. Este é mais um
talentoso filme sobre o tema do suicídio, sendo abordado num país em que essas
questões são especialmente delicadas. E
o filme não se esquece de ligar a questão da morte aos bombardeios
norte-americanos a Teerã, aos protestos contra o regime dos aiatolás e ao
autoritarismo em suas ações que estão na base da decisão radical que o médico
tomou. Atualizadíssimo! 89 minutos.
O OUTRO LADO DAS REDES
(The Social Reckoning). EUA,
2026. Dirigido por Aaron Sorkin, que já
tinha sido roteirista do filme “A Rede Social”, dirigido por David Fincher,
volta ao tema de forma ainda mais crítica do que em 2010. Se lá estava se descobrindo o peso e a
importância da rede social e já se levantavam questões críticas, agora as
consequências maléficas estão aí, à vista de todos. O que o filme aborda já sabemos por aqui, com
um agravante, as decisões não são tomadas pelos Zuckerbergs da elite
estadunidense, como lá, mas fora do próprio país, no caso do Brasil. Enfim, o filme não traz muita novidade, nem
no tema, menos ainda na forma, tradicional, acadêmica. 112 minutos.
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| Variações sobre um Tema |
O filme da África do Sul indicado para a disputa do Oscar internacional
pelo país, VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA (Variasies
op’n terna), é dirigido por Jason Jacobs e Devon Delmar. Tudo se passa nas montanhas de Namaqualand,
na África do Sul, em que variações e recorrências tanto visuais quanto de
diálogos mostram, por meio de uma pastora de cabras idosa, uma fraude que se repete,
uma espera contínua que perde o sentido com o aniversário dos 80 anos dela, sempre
aguardando por um dinheiro que nunca chega.
A base da fraude é bem conhecida, é preciso ficar pagando uma quantia
para que o dinheiro prometido chegue um dia.
Ele nunca chegará e a vida se esvairá em espera, resistência e
perda. Tudo mostrado com simplicidade,
beleza, um uso magnífico da luz e uma fotografia exuberante, numa estética da
precariedade que é reflexo da cultura local do ambiente rural das aldeias, onde
a rotina se repete incansavelmente.
Média metragem de 65 minutos.
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