segunda-feira, 22 de maio de 2017

CLASH


Antonio Carlos Egypto





CLASH (Clash).  Egito, 2016.  Direção: Mohamed Diab.  Com Nelly Kareem, Hany Adel, Ahmed Malek, Ahmad Dash.  97 min.


O filme “Clash”, do Egito, trata das turbulências que têm atingido o país após o que se convencionou chamar de Primavera Árabe e a revolução egípcia de 2011.  O diretor Mohamed Diab focaliza momentos que se seguiram à deposição do presidente eleito Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, derrubado pelos militares em 2013, por meio de um golpe, que produziu muitos protestos nas ruas e confrontos que marcaram um país dividido.

Para abordar a questão da radicalização política que envolve os dois grupos principais: os militares e a Irmandade Muçulmana, além da participação de grupos minoritários, como os cristãos e os judeus, e a atuação da imprensa, a estratégia do cineasta foi agrupá-los num único dia de protestos intensos, pela cidade do Cairo, dentro de um camburão. Presos extraídos dos protestos, os diferentes personagens convivem obrigatoriamente uns com os outros e têm de lidar com suas diferenças e seus ódios recíprocos.

Tudo se passa, claustrofobicamente, dentro do camburão, o tempo todo. A rua é vista de lá, os muitos protestos, a repressão policial, os tiroteios, as bombas, tudo está lá, mediado pela velha caminhonete-prisão.  Quando a porta do camburão se abre, o horizonte se insinua, mas logo ela se fecha e voltamos à tensa dinâmica desse carro-prisão.  A filmagem é muito tensa e intensa.  A agitada câmera na mão chega a incomodar, mas isso é intencional, nos põe no olho do furacão.




O tempo decorrido é o de um dia de protestos no centro da capital egípcia, absolutamente revelador do ambiente de confronto, aparentemente intransponível, que tomou conta do Egito.

O encontro dos detidos no camburão mostra a face humana, óbvia, que todos têm, encastelados em suas verdades políticas, religiosas, comportamentais.  É, pelo menos, uma tentativa de empatia, de se colocar no lugar do outro.  Única forma de procurar compreender algo para além das verdades ideológicas estabelecidas por cada grupo.  A imprensa, que se arrisca nesse ambiente conturbado, em busca do registro dos fatos, se sai bem, na visão do filme.  Não sem registrar suas discordâncias, representadas pelos dois jornalistas trancafiados.


O diretor Mohamed Diab já é conhecido do público brasileiro pelo filme ”Cairo 678”, de 2010, que tratava do machismo e do assédio sexual às mulheres da cidade do Cairo, nos ônibus.  Um trabalho muito bom.  Mas “Clash”, do ponto de vista cinematográfico, é mais criativo na concepção e execução dos planos.  Indica, portanto, uma evolução técnica do trabalho desse cineasta, que merece toda a atenção.  Se mais não for, por sua capacidade de lidar no cinema com questões pungentes do seu tempo e do seu país. 


quarta-feira, 17 de maio de 2017

A VIDA APÓS A VIDA


Antonio Carlos Egypto




A VIDA APÓS A VIDA.  China, 2016.  Direção e roteiro: Zhang Hanyi.  Com Zhang Li, Zhang Mingjun.  80 min. 


O longa-metragem chinês do cineasta estreante Zhang Hanyi pode ser definido como um filme singelo e, ao mesmo tempo, fantástico.  Ou que trata do fantástico com singeleza.  Ele nos leva à província chinesa de Shanxi, uma espécie de local abandonado pelos próprios moradores, esquecido, parado no tempo.  Obviamente, decadente.  Como diz o protagonista: ninguém mais morre aqui, todo mundo vai embora antes. O cenário é desolador, há muitas árvores, mas todas secas de outono e as casas são escombros ou muito precárias.  A trama é de grande simplicidade, embora apele ao sobrenatural, como o próprio título do filme, “A Vida Após A Vida”.

Ocorre que uma pequena parte dos antigos moradores, que já partiram e morreram, voltam na forma de fantasmas, buscando solucionar questões que deixaram pendentes em suas vidas na Terra, ou, mais precisamente, em Shanxi.

É o caso do espírito de Xiuying, morta há mais de dez anos, que toma o corpo de seu filho Leilei (Zhang Li), para reencontrar o marido, Ming Chu (Zhang Mingjun), e resolver uma coisa importante para ela: mover uma árvore plantada quando se casou.  Aí vemos o filho falando e se comportando como a mãe, em contraste com o que foi mostrado antes, um garoto agitado e contestador.  O jovem Zhang Li se sai muito bem nesse desempenho. Zhang Mingjun, que faz o pai, terá, a todo custo, de resolver a questão do transporte da árvore, o que não se colocará como uma tarefa fácil.  E conviverá com a mulher materializada num adolescente, o que também traz algumas dificuldades interpretativas.




Para quem não tem familiaridade com a complexa cultura chinesa – e oriental --, não é simples entender a relação dos seres humanos com as árvores que os conhecem e com quem têm uma história em comum.  A relação com a natureza é muito forte e simbólica, especialmente numa pequena localidade rural do interior do país.

A transcendência que existe aí também não cabe nos conhecidos parâmetros religiosos ocidentais.  A mulher que morreu não reencarna para viver uma nova vida na Terra.  Ela toma emprestado o corpo de seu filho para poder resolver um problema e, então, se liberar para viver em paz fora da Terra. Também não sei se se coadunaria com algum preceito budista e há que se reconhecer que tem similitude com os espíritos ou entidades que baixam temporariamente em pessoas vivas.

O que é mostrado no filme é que o espírito se apossa da pessoa e continua caminhando pelo campo, observando as árvores, o ambiente, e agindo para alcançar seu objetivo, que é imediato.  Não remete a questões morais, nem de largo espectro.  É, como disse, singelo.




A direção de Zhang Hanyi combina com isso.  Ele não usa nenhum efeito especial, nenhuma fantasmagoria, nem passa perto das possessões que chacoalham as pessoas.  Tudo permanece absolutamente calmo, tranquilo, até desolado, como é a localidade.  A relação do casal, separado pela morte dela, não apresenta nenhuma dramaticidade que ultrapasse a questão em foco, a da árvore.  Embora alguns diálogos remetam ao passado comum, à ausência, à saudade e ao tempo percorrido.  Mas tudo muito discreto.


Uma curiosidade, que recomenda o filme, é que ele é produzido pelo grande diretor Jia Zhang-Ke.  Evidentemente, não se poderia esperar que, por isso, o filme fosse chegar perto do talento do cineasta produtor.  Mas a presença de Zhang-Ke nos créditos abre portas importantes, principalmente nos festivais de cinema pelo mundo.  O filme já passou pelos festivais de Berlim e Hong-Kong.  Neste último, Zhang Hanyi recebeu um prêmio concedido a cineastas estreantes.  Já passou por aqui, no Festival Indie  2016, e agora entra em cartaz no circuito comercial dos cinemas.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

O CIDADÃO ILUSTRE


Antonio Carlos Egypto




O CIDADÃO ILUSTRE (El Ciudadano Ilustre).  Argentina, 2016.  Direção: Gastón Duprat e Mariano Cohn.  Com Oscar Martínez, Dady Brieva, Andrea Frigerio.  118 min.



Um escritor oriundo de uma pequena cidade argentina, Salas, se projeta como grande nome da literatura mundial, vivendo na Europa por três décadas, e conquista nada menos do que o Prêmio Nobel de Literatura.  Esse personagem é Daniel Mantovani (Oscar Martínez).  O início do filme “O Cidadão Ilustre” é a sua consagração na cerimônia de entrega do Nobel, em Estocolmo, e ali já se vê seu espírito crítico e a insubmissão que lhe são característicos.

Se algum dia esse escritor, famoso mundialmente, resolver voltar para rever a pequena cidade natal de Salas, aproveitando um convite singelo para receber a medalha de Cidadão Ilustre da localidade, após cerca de 40 anos ausente, o que pode acontecer? 




Esta é a situação que o filme de Gastón Duprat e Mariano Cohn explora, na forma de uma comédia ácida, que lida com o efeito do sucesso cosmopolita sobre o mundo provinciano.  De um lado, o orgulho do conterrâneo mal disfarça a inveja.  De outro, uma espécie de entusiasmo patriótico é incapaz de ver o mundo para além das fronteiras nacionais.  Há ambiguidade em ver sua pequena localidade também se tornar famosa, mas pelo que ela tem de pior.  O desejo de usufruir das vantagens de ser o berço natal de um nome famoso no mundo vai de encontro à constatação da pequenez e mediocridade daquele espaço provinciano.  A descoberta de que a grande literatura se alimentou das lembranças desse pequeno mundo limitado e opressor acaba por trazer à tona o que as pessoas têm de mais obscuro: a agressividade destruidora. 




Tom Jobim dizia que, no Brasil, o sucesso ofende as pessoas.  Elas não podem suportá-lo.  Quando esse sucesso revela sua face crítica, inevitável, aliás, muitos se sentem diminuídos, rejeitados, dispostos até a matar, por inveja.  Isso não é um atributo brasileiro, ou argentino, é do ser humano frustrado, insatisfeito, que se sente rejeitado.

De qualquer modo, tudo o que escrevi até aqui, revela uma visão dessa história, não significa que seja a única ou que tenha que ser assim.  Pode ser a visão do escritor, que a ela agrega fantasia, exageros, dramaticidade.  O conflito existe, é real, mas pode adquirir diferentes configurações.  Uma vez mais, se coloca o tema da verdade, o que ela é, como alcançá-la, se é que existe.  E do que é factual e ficcional.  O filme lida com isso também, embora de modo pouco original.

No entanto, o conjunto do trabalho é muito bom.  A atuação de Oscar Martínez, excelente, e o tom cáustico da comédia funciona muito bem.  Além de tratar de um tema relevante. Não é nenhum besteirol, nem é nada apelativo.

“O Cidadão Ilustre” foi escolhido para representar a Argentina na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro.  É uma coprodução com a Espanha e levou o prêmio Goya de melhor filme ibero-americano.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

PATERSON


Antonio Carlos Egypto




PATERSON (Paterson).  Estados Unidos, 2016.  Direção e roteiro: Jim Jarmusch.  Com Adam Driver, Golshifteh Farahani.  118 min. 


Paterson (Adam Driver) vive em Paterson, New Jersey, cidade de cerca de 150 mil habitantes.  Isso já indica uma posição de familiaridade, de pertencimento, de conforto.  Difícil se sentir estranho ou excluído numa cidade pequena, que leva o seu nome, ou que seu nome tenha sido escolhido em função dela.

O personagem Paterson é motorista de ônibus na cidade e cumpre uma rotina diária que inclui ir para casa após o trabalho, jantar e conversar com a mulher, levar o cachorro buldogue para passear, passar no bar para tomar uma cerveja.  Mas, no meio de tudo, em qualquer espaço de tempo, ele escreve poemas do cotidiano, num caderno secreto, que não mostra nem para a esposa.  A inspiração pode vir de uma conversa qualquer ou de uma simples caixa de fósforos.




Laura (Golshifteh Farahani), esposa de Paterson, tem outro tipo de rotina.  Se ocupa de forma maníaca com formas geométricas em preto e branco, usadas para decorar todos os cantos da casa, suas roupas e seu violão.  E faz cupcakes enfeitados, com motivos em preto e branco.  Até quando propõe uma ida ao cinema com o marido, o filme de terror antigo é em preto e branco.

O casal vive bem, se apoia mutuamente, são afetivos um com o outro e convivem com o cachorro em paz.  O que isso tudo mostra?  Que o mundo de cada um pode ser confortável, tranquilo. Que a rotina não precisa ser vista como um tédio ou simples acomodação.  Ela também pode ser acolhedora e até poética.  O que não significa, é claro, ausência de conflitos.  E me vem à lembrança o título em português do último filme de um dos grandes mestres do cinema japonês, Yasujiro Ozu (1903-1963): “A Rotina Tem Seu Encanto”, de 1962.  Esse mesmo título caberia muito bem no filme de Jarmusch.  A inspiração em Ozu também é clara.  Tanto que, quando algo abala essa bela rotina poética, é um poeta japonês que aparece em Paterson, para salvar a poesia do personagem Paterson.  Bonito isso!




O diretor Jim Jarmusch teve grande destaque no cinema independente norte-americano, nos anos 1980, e chamou muito a atenção pela capacidade de criar climas mais do que coloquiais e, ao mesmo tempo, estranhos, algo assim meio fora do tempo e das expectativas sociais.  Os ambientes e situações são banais e, às vezes, rotineiros.  Gosto muito de “Estranhos no Paraíso”, de 1984, “Daunbailó” (Down By Law), de 1986, dos curtas que deram origem ao longa “Sobre Café e Cigarros”, de 2003, e do mais recente, “Amantes Eternos”, de 2013.  O jeito cool e esquisito da maioria dos personagens que ele retrata são muitíssimo interessantes, embora nem todas as histórias consigam o efeito desejado e algumas coisas soem repetitivas, no conjunto da obra.  É natural.  Para quem chegou surpreendendo, passada a surpresa a novidade se esgota.  Mas ele está se mostrando capaz de se renovar, ultimamente.  “Paterson” é um claro exemplo disso.

Jim Jarmusch sempre consegue extrair dos atores que escolhe desempenhos especiais, minimalistas, lunáticos, tresloucados ou passivos.  O casal que forma a dupla de protagonistas aqui dá um show de atuação e compõe personagens tão simpáticos quanto familiares e perfeitamente integrados ao clima do cineasta.  A linda e talentosa atriz iraniana Golshifteh Farahani, que foi banida de seu país por ter posado nua para uma revista, é muito convincente e encantadora.  Ela tem mostrado uma versatilidade grande em filmes como “A Pedra da Paciência”, de 2012, e “Dois Amigos”, de 2015.  Adam Driver entrou no clima cool do diretor e se saiu muito bem.  Acabamos de vê-lo em “Silêncio”, de Martin Scorsese, no papel de um padre; ele também tem atuado nos filmes da série “Star Wars”.  A atriz e o ator agregam valor a esse novo trabalho de Jim Jarmusch.


sábado, 6 de maio de 2017

DESTAQUES DO "É TUDO VERDADE"


Antonio Carlos Egypto


O Festival de Documentários, nacionais e internacionais, “É Tudo Verdade”, 22ª. edição, 2017, apresentou uma qualidade de trabalhos admirável.  Vi vários filmes, muito menos do que gostaria, mas devo dizer que gostei bastante do que vi.  Vamos a um rápido comentário sobre alguns dos filmes que pude ver.


Cidades Fantasmas


CIDADES FANTASMAS, de Tyrell Spencer, foi o vencedor da competição brasileira de documentários longa-metragem.  É uma produção gaúcha, da famosa Casa de Cinema de Porto Alegre, apesar de o nome do diretor sugerir uma origem estrangeira. Tyrell foi filmar a realidade de quatro cidades abandonadas, a partir dos que restaram nelas ou dos que delas se lembram.  Da antiga Fordlândia, no Pará, Brasil, restaram belas casas hoje ocupadas por posseiros.  A erupção de um vulcão pôs fim à cidade de Armero, na Colômbia.  O fim da prosperidade da época do salitre, no Chile, acabou com a cidade de Humberstone.  E a quebra se uma barragem inundou e transformou em ruínas uma antiga e animada estação de águas medicinais, em Epecuén, na Argentina. Um belo trabalho do jovem diretor gaúcho, com sensibilidade para ouvir e entender os “sobreviventes” dessas cidades mortas, que buscam preservar suas memórias.

COMUNHÃO (Komunia), de Anna Zamecka, vencedor da competição internacional de longas documentais, é da Polônia e mostra uma família em que nada parece funcionar como deveria.  O pai, distante da realidade, vive embalado no álcool.  A mãe saiu de casa e vive com outro homem e um bebê.  A jovem Ola, de 14 anos, é a chefe dessa família, assumindo os cuidados do seu irmão autista, de 13 anos.  É impressionante o papel que essa menina assume, tentando juntar os cacos dessa estrutura familiar desmoronada.


Os Cariocas

                                                                   
EU, MEU PAI E OS CARIOCAS – 70 ANOS DE MÚSICA NO BRASIL, de Lúcia Veríssimo, resgata a fantástica contribuição do maior conjunto vocal da história da música popular brasileira: Os Cariocas.  Lúcia é filha de Severino Filho (1928-2016), um dos grandes expoentes do grupo vocal, que o manteve em atividade por tantos anos, apesar de um interregno no período da ditadura militar.  É de se orgulhar e sair cantando.  Eles eram espetaculares e cobriram largos períodos e estilos musicais brasileiros, sempre com arranjos originais.  Lúcia Veríssimo se coloca no título adiante do pai e do próprio conjunto, sendo que seu trabalho não é musical.  Isso soou estranho.  Mas não desqualifica o trabalho que ela fez e a oportunidade da realização, trazendo Severino vivo e ativo para ser lembrado e homenageado.

CIDADE DE FANTASMAS (City of Ghosts) é outro filme, embora o título seja quase o mesmo do documentário brasileiro vencedor do Festival.  Este filme é estadunidense e abriu o evento em São Paulo.  Aqui, a cidade que está sendo assassinada é Raqqua, na Síria, por conta da guerra e das atrocidades do ISIS, que se autointitula Estado Islâmico.  Mas um grupo de jornalistas ativistas, militantes, arrisca tudo para registrar e divulgar pelo mundo o que se passa por lá.  Gente de fibra, de coragem, que faz a diferença.


Cidade de Fantasmas


NO INTENSO AGORA, de João Moreira Salles, é um trabalho de reeleitura de imagens recolhidas de diferentes arquivos e da própria mãe do diretor.  Uma viagem que ela fez à China de Mao Tsé Tung, em 1966, foi o que deu o ponto de saída, ao que Moreira Salles agregou várias filmagens do Maio de 1968 em Paris, da Primavera de Praga e do Brasil do AI-5, do mesmo período. Não são captadas novas imagens, o que se busca é o sentido, a representação de um período histórico do mundo, que é um dos mais transformadores da contemporaneidade.  É, enfim, um belo estudo do contexto das imagens e do que elas podem revelar de quem as filmou.  Proposta brilhante. Um novo e atento olhar sobre imagens existentes, que foram selecionadas por uma temática em comum, mostram novas possibilidades para os documentários.  O filme foi um dos grandes destaques do evento, apresentado fora de competição.

CINE SÃO PAULO, de Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli, homenageia a paixão pelo cinema, ao contar a história de Francisco Teles, um obcecado e abnegado dono de sala de exibição em Dois Córregos, SP, que nunca deixou a sala fechar, apesar de todos os contratempos.  Por meio de sua trajetória, vão acontecendo as mudanças nas plataformas de ver filmes, do projetor a carvão ao digital, passando pela TV, videocassete e DVD.  Aí vai se revelando uma figura humana admirável e divertida.  Seu Chico é um bom personagem e o ambiente que o cerca também é bastante revelador.  O filme, com isso, cresce e amplia seus horizontes.


Cine São Paulo


QUEM É PRIMAVERA DAS NEVES, é outro ótimo trabalho da Casa de Cinema de Porto Alegre, dirigido por Jorge Furtado e Ana Luíza Azevedo, grandes e reconhecidos cineastas. Tudo começou com a curiosidade de Jorge Furtado a respeito de uma tradutora de livros de Lewis Carroll, Júlio Verne e outros, chamada Primavera das Neves, um nome que, após os anos 1960, não apareceu mais.  Um nome desses, poético, significa o quê?  Um pseudônimo, alguém que não existe?  Ou terá mesmo existido uma pessoa com esse nome, de verdade?  A resposta vem pela Internet e se abre a possibilidade de explorar uma existência, rica e complexa, que traz muitas informações sobre aspectos da história brasileira e portuguesa, elementos afetivos muito sólidos e delicados, amizades duradouras, casamento marcante e complicado.  Enfim, uma vida a ser conhecida e lembrada.  E o documentário faz isso muito bem.

Dentre as coisas que vi, gostaria de destacar, ainda, da mostra retrospectiva de documentários soviéticos,  MAIS LUZ! (Bólche Sviéta),  de 1987,  de Marina Babak, que para marcar os 70 anos da Revolução Russa fez um apanhado histórico dos acertos e erros desse período todo, que vai de Lênin, figura inspiradora máxima, à perestroika e à glásnot de Gorbachev, que marca uma nova era.  Muita coisa nova viria à tona naquela época, e neste documentário, que traz figuras que andavam apagadas da história oficial.





quarta-feira, 3 de maio de 2017

SOBRE VIAGENS E AMORES


Antonio Carlos Egypto






SOBRE VIAGENS E AMORES (Summertime).  Itália, 2016.  Direção e roteiro: Gabriele Muccino.  Com Brando Pacitto, Matilda Lutz, Taylor Frey, Joseph Haro.  103 min.


Marco (Brando Pacitto) e Maria (Matilda Lutz) são dois jovens italianos que se conhecem, mas não chegam a gostar um do outro.  Em função de um amigo comum, acabam compartilhando uma viagem improvável, mas, fascinante, aos Estados Unidos.  Mais precisamente, a São Francisco, onde serão hospedados por um casal de rapazes gays, vividos por Taylor Frey e Joseph Haro.

O que virá daí é uma jornada de descobertas pessoais, sexuais, existenciais que, claro, produzirá mudanças profundas em todos eles.  Um verão para nunca mais esquecer.  Aquelas situações que marcam para sempre uma vida, no caso, quatro vidas.




Esse tipo de narrativa poderia favorecer a eclosão de clichês, mensagens edificantes, finais felizes e definitivos.  Mas Gabriele Muccino escapa dessas armadilhas.  Os jovens em questão são gente reconhecível, com o vigor e a disponibilidade característicos dessa faixa etária, mas com seus conflitos, seus medos, seus preconceitos, suas indecisões.

A juventude é o momento mais favorável para estar aberto ao novo, ao que não se conhece, ao que não se entende, e com disposição para arriscar.  É nessa linha que os personagens de “Sobre Viagens e Amores” se coloca.

Dessa forma, suas experiências se tornam mesmo transformadoras.  O que não significa que tudo que se deseja possa acontecer, que os momentos felizes se eternizem, que as coisas não voltarão a mudar, no futuro.  E que as frustrações, inevitáveis na vida, não surjam logo ali, virando a esquina.




Se a felicidade como tal não existe, momentos felizes fazem toda a diferença, marcam vidas, se tornam inesquecíveis.  Embora passem, como tudo passa, nem por isso deixam de ser muito importantes para quem os viveu.  A maioria dos momentos felizes que vivemos faz parte da nossa identidade, alimenta e enriquece a nossa existência.  O filme de Gabriele Muccino celebra isso num tom alegre, vital, energético, tocado por quatro jovens atores, simpáticos e empenhados em seus papéis, que dão conta do recado.

É um bom filme para ser visto pelos jovens,  pois comunica com facilidade e bom ritmo questões importantes desse momento de vida, que envolve escolhas, superação de estereótipós e preconceitos, com vistas a uma vida adulta mais aberta e consistente.  E foca na afetividade e na vida real, coisas que o cinema dirigido aos jovens tem negligenciado, em favor de heróis do mundo virtual, extraídos dos quadrinhos, da fantasia, dos jogos eletrônicos, do mundo intergalático, essas coisas todas.  Nada contra.  Mas o cinema para esse público tem que se diversificar, ir além da mera diversão dos filmes de ação, mesmo para os mais jovens.




quarta-feira, 26 de abril de 2017

VERMELHO RUSSO


Antonio Carlos Egypto


Martha Nowil e Maria Manoella junto ao cartaz do filme


VERMELHO RUSSO.  Brasil, 2016.  Direção: Charly Braun.  Com Martha Nowil, Maria Manoella, Michel Melamed, Soraia Chaves.  90 min.



O ponto de partida de “Vermelho Russo” é um diário de viagem escrito por Martha Nowil, contando a experiência que viveu junto com uma amiga, ambas atrizes, fazendo um curso sobre o famoso método de Stanislavski, em Moscou.  Podem-se imaginar as dificuldades de comunicação com um idioma desconhecido, elementos culturais bem distintos, o frio, as nevascas, e tudo o que faz da Rússia majestosa e algo assustadora.

Martha Nowil, que também é atriz do filme, escreveu com o diretor Charly Braun o roteiro de “Vermelho Russo”.  Eles foram alinhavando as experiências, acrescentando, criando, modificando, inventando coisas.  E assim saiu uma narrativa ficcional, que constantemente sofria mudanças.  Chegando ao ponto de que nem eles mesmos, que construíram a trama, sabem direito agora o que é documental e o que é ficcional.

Esse é o maior trunfo do filme, as coisas se mesclam de um tal modo que experiência e imaginação já não se distinguem.  O que nos remete à velha discussão do que é realidade e do que é fantasia.


Equipe de Vermelho Russo


Quem já viajou um pouco pelo mundo sabe que o que a lembrança retém do que foi vivido é algo muito seletivo.  Detalhes assumem uma importância que surpreende a nós mesmos, tempos depois.  Quando se compartilha a experiência, a partir de relatos orais, fotos ou filmes, algumas coisas crescem na imaginação, outras, desaparecem.  Situações um tanto desagradáveis podem ser esquecidas, para que se fique com o que foi o melhor de uma viagem turística, por exemplo. Ou aflorarem em importância, reforçando estereótipos e preconceitos, diante daquilo que é muito diferente de mim ou dos meus valores e costumes.

O que é real em tudo isso?   O que a gente acredita que seja, o que é compartilhado com os amigos como sendo verdade?  O que a gente repete tanto que acaba acreditando que é o certo?  Poderíamos ir longe nessa discussão, mas o que importa aqui é que histórias nascem, se desenvolvem e alimentam o nosso espírito.  Alimento tão essencial quanto aquele que nos nutre a vida material.

A história que “Vermelho Russo” nos conta é bem divertida.  Marta (Martha Nowil) e Manu (Maria Manoella) são as protagonistas que vivem a experiência moscovita, colaborando, sendo solidárias, competindo e brigando muito.  Ambas desempenham seus papéis com muita alegria de viver e muito próximas de si mesmas.  A Marta é vivida pela Martha, a Manu, ou Manuela, é vivida pela Maria Manoela.  Notaram a sutileza do h ausente na personagem de uma e do u em vez do o, na outra?  O ótimo Michel Melamed, que também tem um papel no filme, é Michel, aí desaparece a diferença.  De qualquer modo, eles não estão sendo eles mesmos, mas personagens próximos deles mesmos.  Enfim, um belo trabalho que, não por acaso, foi premiado como melhor roteiro, no Festival do Rio 2016.



Charly Braun


O diretor carioca Charly Braun, que já nos tinha dado um filme belíssimo, “Além da Estrada”, de 2011, todo rodado no Uruguai, agora faz “Vermelho Russo”, todo rodado na Rússia.  Ele sabe explorar bem esse clima de as pessoas estarem fora do seu ambiente natural.  Elas estão conhecendo, se surpreendendo, em busca.  As coisas têm frescor e juventude.  Têm leveza e profundidade.  Um cineasta talentoso, sem dúvida.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

JOAQUIM


Antonio Carlos Egypto




JOAQUIM.  Brasil, 2016.  Direção e roteiro de Marcelo Gomes.  Com Júlio Machado, Isabel Zuaa, Nuno Lopes, Rômulo Braga.102 min.


O alferes Joaquim vive seu tempo no século XVIII, na colônia dos Brasis, parte do império português.  Além de funcionar como um dentista, ou melhor, um tira dentes para o povo, ele faz viagens perigosas a serviço da coroa, combatendo contrabandistas de ouro.  A produção do ouro estava em declínio.  Visava, com isso, alcançar a patente de tenente, que lhe permitiria comprar a liberdade da escrava Preta, por quem estava apaixonado.

É dessa forma que o diretor Marcelo Gomes nos apresenta o homem que viraria herói nos livros de História.  Ao humanizá-lo, nos coloca próximos da figura de um homem do seu tempo, que acabou se tornando um rebelde anticolonialista.

O cineasta recifense Marcelo Gomes é o mesmo dos excelentes “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de 2005, e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, em codireção com Karim Aïnouz, em 2009.  Já basta para recomendar este novo trabalho.  Mas ainda vale citar, em 2012, o filme “Era Uma Vez, Eu, Verônica”, outra boa obra dele, ainda que inferior às anteriores.

“Joaquim” tem uma abordagem diferente, original, para tratar de um tema histórico tão relevante ao país.  Pode servir, também, a objetivos didáticos, trazendo a história para perto do aluno, tirando a carga pesada e o ranço do comportamento heróico.  E ajudando a pensar melhor, inovar na compreensão e avaliação dos fatos.  Sem grandes astros, mas com atores convincentes, o filme apresenta bons desempenhos. 


                            MARTÍRIO




 O documentário nacional MARTÍRIO, de Vincent Carelli, que está em cartaz nos cinemas, aborda a política indigenista dos governos brasileiros junto aos índios Guarani-Kaiowá, que sempre buscam recuperar suas terras sagradas e são tratados como invasores.  Constatamos que, de Getúlio Vargas a Dilma Rousseff, pouca coisa mudou no massacre a que estão sujeitas as populações indígenas frente aos interesses do agora assim chamado agronegócio.  O filme é denso e informativo, embora muito longo.  Merecia uma edição mais enxuta, o que seria mais eficaz para os seus objetivos.



terça-feira, 18 de abril de 2017

ALÉM DAS PALAVRAS


  Antonio Carlos Egypto




ALÉM DAS PALAVRAS (A Quite Passion).  Inglaterra, 2016.  Direção e roteiro: Terence Davies.  Com Cynthia Nixon, Jennifer Ehle, Keith Carradine, Catherine Bailey, Jodhi May.  125 min.



“Além das Palavras”, do diretor britânico Terence Davies, focaliza a vida da poetisa moderna norte-americana Emily Dickinson (1830-1886).  Ela só foi reconhecida após a morte, teve apenas uns dez poemas publicados em vida.  Mesmo assim, alguns deles saíram sem nome, sem o devido crédito. 

Emily viveu uma vida discreta, reclusa, em que a família era o seu universo e dela nunca se afastou, inclusive rejeitando, até agressivamente, várias propostas de casamento.  Mil e setecentos poemas foram encontrados após sua morte, revelando uma obra poderosa.  Da vida da poetisa pouco se sabe, exceto pelas cartas que escreveu.

As questões de gênero, que eram um forte fator da opressão feminina da época em que viveu Emily Dickinson, impediram que seu talento literário pudesse brilhar e se destacar socialmente.  Ambiente familiar acolhedor, complexos quanto à presumida feiura e incapacidade de colocar em ação os sentimentos que a oprimiam, parecem ter tido um peso importante nessa história.




O cineasta Terence Davies mergulhou nesse universo familiar de Emily Dickinson, e na sua bela poesia, e construiu um filme impecável, de grande talento e beleza.

Desde as primeiras cenas, entra-se em cheio na ambientação do século XIX.  Todos os detalhes cuidadosamente recriados mostram a vida dentro da casa de uma família com posses.  Móveis, objetos de uso e decorativos, roupas, ornamentos, janelas, cortinas, são absolutamente perfeitos.  A iluminação é um destaque à parte, com uma fotografia deslumbrante para a descrição daquela realidade.  A luminosidade interna, que ousa romper a escuridão, sem nunca afrontar o tom mortiço do ambiente, nos remete a um mundo que restringe, mas também protege, um universo familiar que cria uma zona de conforto,  parece bastar-se a si mesmo.  Assim como a personagem que sofre, vive sua solidão em família, mas ali se protege do mundo exterior.

A narrativa põe em relevo a questão de gênero, a opressão ao desabrochar e ao desenvolvimento femininos, numa sociedade que confinava e impedia o êxito e o sucesso das mulheres, desvalorizando de modo absoluto seus talentos que escapassem à esfera doméstica.




O que Terence Davies obtém do desenvolvimento do elenco também é notável.  O espectador mergulha naquele universo, como se estivesse voltando no tempo, e encontra nas atrizes e atores a encarnação perfeita daquele mundo, nos diálogos, nos gestos contidos, nos silêncios, na agressividade que brota súbita em alguns momentos, enfim, em cada situação ou fala.  A vida passa lenta, ruminando por dentro, rotineira, sem grandes sobressaltos.  As atuações dão conta disso muito bem.  A música de estilo clássico, belíssima, complementa a narrativa, pontuando a dimensão do tempo.


Excelente filme do diretor de “Canção do Pôr do Sol”, de 2015, “Amor Profundo”, de 2011, “A Essência da Paixão”, de 2000, “O Fim de Um Longo Dia”, de 1992, e “Vozes Distantes”, de 1988.  Uma carreira impressionante de filmes que primam pela elaborada e meticulosa qualidade artística, em que a beleza das imagens sempre se impõe.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

AS FALSAS CONFIDÊNCIAS


Antonio Carlos Egypto





AS FALSAS CONFIDÊNCIAS (Les Fausses Confidences).  França, 2015.  Direção e roteiro: Luc Bondy.  Com Isabelle Huppert, Louis Garrel, Yves Jacques, Bulle Ogier, Manon Combes.  85 min.



“As Falsas Confidências” é uma comédia de Marivaux, ou Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux (1688-1763), um dos principais dramaturgos franceses do século XVIII.  Nesta peça, o que está em jogo são o relacionamento romântico e os jogos sociais de aparências.

O diretor suíço Luc Bondy encenou esse texto de Marivaux no teatro Odéon de Paris e transformou-o em filme.  Foi seu último trabalho antes de falecer, em 2015, após ter dirigido mais de 40 peças de teatro e óperas e ter feito também muitos filmes, como ator e diretor.

Os atores do filme, os famosos Isabelle Huppert, no papel de Araminte, e Louis Garrel, no de Dorante, foram também os atores da peça teatral.  Assim como todo o elenco da montagem.  Uma curiosidade: eles fizeram muitas apresentações da peça no teatro Odéon, à noite. após terem filmado no próprio teatro e em seus arredores, representando os mesmos personagens, durante o dia.  Uma interessante e intensa fusão de cinema e teatro, que parece ser uma forma econômica de investir nos personagens e nas decorações de seus diálogos.




O texto é muito bom, as falas, cheias de espertezas, artimanhas e jogos de engano e sedução, vão envolvendo o público, numa trama onde o que parece espontâneo, na verdade, nunca é. “Me engana que eu gosto” parece ser uma máxima perfeitamente aplicável àqueles personagens.

Dorante, um homem sem dinheiro, consegue ser secretário de Araminte, uma viúva rica, que ele ama secretamente e, naturalmente, tem grande interesse em usufruir de sua fortuna.  Dubois (Yves Jacques), que já trabalhou com Dorante, planeja um esquema para que Araminte também se apaixone por seu amigo.  Araminte esconde seu jogo e procura enredar os dois em seus objetivos.  E por aí vai.

“As Falsas Confidências” pode não ser um grande filme, mas é uma boa diversão.  Tem na base um texto teatral clássico, um diretor de teatro e cinema competente, um elenco muito bom, encabeçado por Isabelle Huppert e Louis Garrel, e uma leveza inteligente que respeita o público.





sexta-feira, 7 de abril de 2017

É TUDO VERDADE 2017


Antonio Carlos Egypto



Logo depois da Semana Santa, de 19 a 30 de abril, em São Paulo e no Rio de Janeiro, acontece o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade/ It's All True.  Esta já é a 22ª. edição desse festival, que conquistou enorme importância na cena latino-americana e mundial.

Fundado e dirigido pelo crítico Amir Labaki,  É Tudo Verdade  tem apresentado uma programação sempre muito relevante, em relação aos documentários brasileiros e internacionais, tanto em longas como em médias e em curtas-metragens.




Na atual edição, são 82 títulos de 30 países, sendo 16 estreias mundiais.  Destaque para a produção latino-americana, com 7 filmes e nova competição.  Uma retrospectiva internacional comemora os 100 anos da revolução russa ou, seria melhor dizer, das revoluções de 1917, a de fevereiro, que derrubou o tzar, e a bolchevique, de outubro, apresentando documentários marcantes da produção soviética.  Traz uma dezena de títulos que vão de Dziga Vertov (1896-1954) a Aleksandr Sokúrov, para citar os mais conhecidos.

A retrospectiva brasileira destaca a obra de Sérgio Muniz, exibindo 8 trabalhos do diretor, que faz um cinema de resistência e denúncia muito importante.  Uma projeção especial lembra o trabalho do poeta, ensaísta e artista visual, Ferreira Gullar (1930-2016).  Sessões especiais homenageiam os cineastas Alexandre O. Philippe, Andrea Tonacci, Bill Morrison, Jean Rouch, João Moreira Salles e Raed Andoni.  Alguns filmes premiados em anos anteriores estarão disponíveis on line, no canal do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br/canal).


Amir Labaki ao microfone


Serão promovidos encontros e debates envolvendo os eixos da programação do festival, oficinas, e lançamento do DVD “Tudo Por Amor ao Cinema”, de  Aurélio Michiles.  A Abraccine fará o lançamento, com a Paco Editorial, do livro “Bernardet 80: Impacto e Influência no Cinema Brasileiro”, organizado pelos críticos Ivonete Pinto e Orlando Margarido, sobre a grande contribuição de Jean-Claude Bernardet ao nosso cinema, com textos de 15 autores diferentes.

As sessões de abertura trarão EU, MEU PAI E OS CARIOCAS – 70 ANOS DE MÚSICA NO BRASIL, de Lúcia Veríssimo, no Rio de Janeiro, e CIDADE DE FANTASMAS, de Matthew Heineman, em São Paulo.  Lúcia Veríssimo revisita a história do grande grupo vocal Os Cariocas, é filha de um de seus expoentes, o maestro Severino Filho (1928-2016).  O filme de Matthew Heineman encara de frente a brutalidade do ISIS (Estado Islâmico) e homenageia os que o combatem com as armas do jornalismo.  Ambos os filmes constam da programação nas duas cidades.

Todo esse cardápio fílmico tão atraente estará à disposição do público nos cinemas e todas as sessões são gratuitas.