quarta-feira, 30 de maio de 2012

À ESPERA DE TURISTAS

Antonio Carlos Egypto

À ESPERA DE TURISTAS (Am Ende Kommen Touristen).  Alemanha, 2007.  Direção: Robert Thalheim.  Com Alexander Fehling, Ryszard Ronczewsky, Barbara Wysocka.  85 min.

Na Alemanha, é possível optar por um ano de serviços comunitários, em lugares disponibilizados para tal, como alternativa ao serviço militar.  O jovem Sven (Alexander Fehling) fez essa escolha, pensando em servir em Amsterdã, Holanda.  Não foi possível, mas encontrou vaga em um albergue da juventude, para cuidar de um senhor já idoso, em seus deslocamentos, compras, cuidados médicos.  O lugar: Auschwitz, na Polônia, ao lado do museu que mantém viva a memória do campo de concentração nazista que horrorizou o mundo na Segunda Guerra Mundial.
O senhor idoso, Stanislaw (Ryszard Ronczewsky), é um ex-prisioneiro, um dos únicos sobreviventes daquele campo, que de lá nunca se afastou.  Marcado por muito sofrimento, Stanislaw é amargo, impaciente e arrogante com seu tratador, o que torna as coisas difíceis para o jovem alemão, para quem tudo aquilo não tinha ainda um significado emocional expressivo.  Na verdade, a descoberta de uma jovem guia turística do museu, Ania (Barbara Wysocka) é o que alimenta e dá para Sven algum sentido àquele trabalho.

Uma tarefa de Stanislaw é realizar palestras, explicando como era a vida no campo de concentração.  Ele também se ocupa em restaurar as malas dos prisioneiros mortos, que são expostas no museu.  Ou seja, sua vida continuou sendo a daquele pesadelo, sem nunca conseguir apartar-se dele.

Ao jovem Sven caberá inteirar-se da história e se posicionar sobre ela, algo que ele nunca imaginou que teria de fazer.  É desse processo, do relacionamento dele com Stanislaw e com Ania, que se compõe o filme, obviamente um drama que resulta pesado.
A fotografia colorida do filme tem uma tonalidade e uma granulação que sugerem algo antigo, velho.  Enfatiza a tristeza do lugar e de sua história.  Dias cinzentos e chuva ajudam a compor um cenário um tanto depressivo.  A iluminação das cenas tende a uma tonalidade mais escurecida nos ambientes internos e os interiores são despojados, objetos do passado predominam.
Toda a concepção do filme parece-nos dizer: isso tudo aconteceu, é triste, gravíssimo, não se pode esquecer.  É, portanto, preciso encarar, por mais desagradável que seja.

A história de ficção que envolve as relações entre os personagens só faz sentido pelo contexto histórico que a cerca e determina.  O diretor Robert Talheim trata, porém, da materialidade do assunto com sutileza e discrição.  Não há cenas do que é exposto no museu de Auschwitz, só as malas que vão a conserto aparecem.
Os turistas chegam e partem, mas só vemos os grupos e os ônibus que os transportam.  Não seria mesmo preciso mostrar o que todo mundo já viu em fotos, filmes ou em expedições turísticas.  O que importa é o que está na mente das pessoas, o conhecimento, as lembranças, o sofrimento, o desejo sincero de construir um mundo onde tais barbaridades nunca mais tenham cabida.
O filme exige envolvimento do espectador com o tema, mas alcança seus objetivos.  Seu foco no que está dentro das pessoas resulta eficaz, evitando a simples repetição do que já se conhece há muito tempo.  E sensibiliza os que, como o jovem protagonista da película, parecem viver alienados de tudo o que se passou no tempo em que a loucura nazista concebeu a “solução final”.
“À Espera de Turistas” é uma produção de 2007, que só agora chega aos cinemas.  Já deve até ter sido exibida na TV paga.  Não é novidade.  A lógica do entretenimento é avassaladora, em relação à arte que busca reflexão.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A Delicadeza do Amor


Tatiana Babadobulos

A Delicadeza do Amor (La Délicatesse). França, 2011. Direção: David e Stéphane Foenkinos. Roteiro: David Foenkinos. Com:Audrey Tautou, François Damiens e Bruno Todeschini. 108 minutos


Não há problema em se dizer que, após o romance, vem o drama no longa-metragem "A Delicadeza do Amor". Isso porque, nas primeiras linhas da contracapa do livro no qual o filme foi baseado, está escrito que o marido da protagonista morre.

Na narrativa, Nathalie (Audrey Tautou, de “Coco Antes de Chanel”) tem a vida de fazer inveja quem a conhece. Vive o romance perfeito, é apaixonada pelo marido François (Pio Marmaï), os dois resolvem se casar e a família os apoia – embora, na sequência, venha a cobrança pela chegada do herdeiro. Nas primeiras cenas, os dois mostram ao espectador como são felizes e ela pergunta, em narração em off, se os casais apaixonados retornam ao local onde se conheceram para celebrar o amor. Porém, quando menos se espera, o romance vira drama. É quando ela se afunda no trabalho para tentar se esquecer do amor.

Mas a vida continua, e Nathalie repensa a sua, embora acredite que jamais será feliz novamente. Ela trabalha em uma empresa sueca e conhece Markus (François Damiens, de “Como Arrasar um Coração”), seu subordinado que veio de Estocolmo. Depois que voltou da licença, seu chefe, Charles (Bruno Todeschini), lhe dá uma promoção e ela passa a liderar uma equipe de seis pessoas.



Audrey ficou conhecida pelo público fora da França depois do seu sucesso como a personagem-título do longa “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, lançado em 2001. A atriz cumpre o papel com maestria, mistura o senso de humor necessário para a personagem, sem se esquecer de que é uma moça que sofreu com a morte do marido e que, por muitos anos, viveu amargurada. Em todo caso, tem o direito de seguir em frente e ser feliz. Mas o humor está presente mesmo nas sequências estreladas pelos dois rapazes que passam a se interessar pela viúva. Markus diz que “ela me permite ser a melhor versão de mim!” E Charles reclama: “E ainda é poeta o infeliz!” Assumindo o motivo pelo qual ela fez a sua escolha.

Com roteiro de David Foenkinos (autor do livro em sua estreia em longas) e direção dele ao lado do irmão Stéphane (ambos trabalham juntos há 10 anos, embora também seja a sua estreia na direção de longas-metragens), o filme segue exatamente a estrutura do livro (editora Rocco, 2011, 192 páginas, R$ 34,50), com diálogos bem construídos, embora não tenha as frases de efeito que tanto o autor gosta de citar. E também não traz surpresa ao espectador que por ventura tenha lido o romance. Em todo caso, a fidelidade, aqui, é bem-vinda, principalmente porque trata-se de uma boa história.

Em seu livro anterior, “Em Caso de Felicidade” (editora Rocco, 2008, 184 páginas, R$ 34), David também utiliza frases de efeito. E, nos dois romances, seus personagens são infiéis, já que, no primeiro livro, a esposa contrata um detetive para vigiar o marido (e se casa com ele) e, aqui, após a tragédia, o chefe casado se apaixona pela moça, mas ela não cede.

"A Delicadeza do Amor" é um filme intimista, que celebra o amor, embora exista uma tragédia logo no início. De qualquer maneira, não deixa de ser realista. E, aliás, bastante francês.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Corvo




Tatiana Babadobulos


O Corvo (The Raven). Estados Unidos, Hungria, Espanha, 2012. Direção:James McTeigue. Roteiro: Ben Livingston e Hannah Shakespeare. Com: John Cusack, Alice e Luke Evans. 110 minutos

Quando a ficção se torna realidade, as atitudes saem do controle. Nem a própria pessoa que imaginou a história pode prever o próximo capítulo das ações de um serial killer. Assim acontece em “O Corvo” (“The Raven”), longa-metragem se que passa no século 19.

A fita se baseia nos últimos cinco dias de vida do poeta Edgar Allan Poe, ainda que não seja uma história real. O nome do filme, aliás, refere-se ao poema mais famoso do autor.

Embora a causa de sua morte seja desconhecida, a questão é que, juntando as peças, o mistério vai sendo desvendado e vários contos são citados.



Depois de viver dias sem dinheiro e sem sucesso, o poeta, interpretado por John Cusack (“Alta Fidelidade”), é requisitado pelo detetive Fields (Luke Evans, de “Fúria de Titãs”), depois que a bela jovem Emily (Alice Eve, de “Sex and the City 2”) é sequestrada por um bandido mascarado durante uma festa à fantasia que seu pai realiza em casa. Então, começa a correria da investigação e a tentativa de desvendar o mistério.

A cada pista que encontram, mais os aproximam dos contos. Sua presença para a resolução do caso, portanto, se torna indispensável, já que o crime aconteceu tal como em uma de suas histórias. Seus contos viraram inspiração para o assassino, que se considera “a melhor criação do escritor”, porque se inspira nas suas histórias para cometê-los.

Dirigido por James McTeigue (“V de Vingança”) e roteirizado pelo estreante Ben Livingston e por Hannah Shakespeare, em praticamente seu primeiro roteiro para o cinema, o longa é um suspense, mas que peca em alguns momentos quando o obje­tivo é deixar o espectador curioso com o que vai acontecer. Isso porque muitas sequências são previsíveis e a plateia não chega a ficar totalmente presa à trama, tal como deveria ser o objetivo de um suspense.



A contar pela interpretação de John Cusack, não deveria haver dúvida para ir ao cinema. Ao roteiro, falta inspiração, manobras claras para as soluções e uma direção acertada para que as personagens não “percam a mão”. As posições das câmeras também deixam a desejar quando o assunto é ação. Não se tem uma visão clara da cena, deixando espaço para dúvidas.

Destaque para a inspiração no filme “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr. como o espião. A diferença é que lá o humor tem espaço, diferentemente da fita dirigida por McTeigue.

“O Corvo” não é um filme imperdível, mas pode ser uma diversão para se ver, por exemplo, quando começa a inspiração para um conto e até que ponto aquelas linhas podem influenciar no comportamento dos leitores. Fato que pode ser facilmente transportado para as notícias nos jornais e nos programas de televisão. À cada um cabe uma parcela da responsabilidade.

sábado, 19 de maio de 2012

FELLINI 8 1/2

                     

Antonio Carlos Egypto



FELLINI  8 ½  (Fellini Otto & Mezzo).  Itália, 1963. Direção: Federico Fellini.  Fotografia: Gianni Di Venanzo.  Música: Nino Rota.  Com Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée, Sandra Milo.  145 min.

“8 ½ “ de Fellini foi o primeiro filme de grande envergadura artística a que assisti no cinema, quando de seu lançamento, em 1963 ou 1964. Eu era, então, um adolescente e posso dizer que foi chocante. Tinha entendido muito pouco do filme, mas percebi que se tratava de algo brilhante, muito especial, e que, se eu não tinha tido acesso a ele, o problema era meu e não do filme.
Fui revê-lo na mesma época, buscando que ele fizesse sentido para mim.  Mas não era uma tarefa fácil.  Afinal, “8 ½ “ é um conjunto de cenas, magistralmente concebidas, que valem por elas mesmas.  Reunidas naquele conjunto, elas adquirem um significado muito maior, são lembranças, recordações de vida, desejo e imaginação, no contexto da crise criativa de um artista, que tem de continuar produzindo.  É um filme sobre a gestação do cinema de autor, com todas as suas implicações.  O diretor detém as ideias e o conceito do espetáculo, define cenários, suntuosos até, locações, figurinos, os papéis de cada um e sua ambientação.  Tem de lidar com os produtores e seus investimentos, os roteiristas e sua afetação intelectual, a imprensa e os críticos.  Um verdadeiro peso que ali se transforma em pesadelo.

Parecia muito complicado entender tudo isso, na época.  Pelo menos para mim.  Por isso, voltei ao filme outras vezes e então ele foi fazendo todo o sentido.  Aquelas imagens deslumbrantes e originais já conseguiam falar uma língua que eu era capaz de entender.
Marcello Mastroianni, o diretor no filme, alter ego de Fellini, tem um desempenho extraordinário.  Desde então, sempre o considerei o ator número 1 do cinema, até sua morte.  E não mudei de opinião até hoje.  A presença diáfana e inebriante de Claudia Cardinale, no auge de sua beleza, sempre me acompanhou.  Poderia existir uma mulher mais bela, melhor fotografada, em alguma outra película?

A fotografia de “8 ½ “ é primorosa, insuperável.  Como acontecia com grande parte do cinema italiano da época ou na obra de Ingmar Bergman, com o trabalho do fotógrafo Sven Nykvist.  Havia coisas tão boas quanto, não melhores.
A música do genial Nino Rota elevou a filmografia toda de Fellini a um nível artístico que beira a perfeição.  É um compositor excepcional, sua parceria com Fellini é um dos legados artísticos mais importantes do século XX.
“8 ½ “ venceria o Oscar de melhor filme estrangeiro do ano e o de figurino.  Também, pudera, era o melhor filme já feito, não só daquele ano e não só em uma língua que não fosse inglês.
Volto sempre a rever “8 ½ “, agora não mais no cinema, mas numa cópia em DVD, restaurada e remasterizada, lançada pela Versátil, que faz jus ao filme.  É incrível, mas cada vez que o revejo fico mais maravilhado.  São imagens em preto e branco, que jogam notavelmente com a luz e a sombra, as tonalidades de branco são acentuadas pelos figurinos exuberantes, os gestos e sentimentos são expressados pelos tons de claro e escuro e pelos cenários de sonho e fantasia, tudo me encanta.

Há coisas para as quais a experiência vivida nos dificulta o exercício da crítica.  É o caso desse filme, a minha maior referência, paradigma daquilo que o cinema pode ser capaz de produzir.  Não consigo ver as falhas que esse filme possa ter.  Dizem que a paixão cega.  Talvez seja isso.  Mas se alguém me perguntasse qual o melhor filme que eu já vi na vida, eu não titubearia: foi o “8 ½ “ de Fellini, projetado numa tela de cinema.

sábado, 12 de maio de 2012

PARAÍSOS ARTIFICIAIS

 Antonio Carlos Egypto


PARAÍSOS ARTIFICIAIS.  Brasil, 2011. Direção: Marcos Prado.  Com Nathalia Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno.  96 min.

Amores fugazes, relacionamentos intensos que podem ser esquecidos, ou, para usar um termo atual, deletados, desejos que podem ser interrompidos pela morte ou por uma traição, uma omissão ou uma mentira.  Tudo isso mediado, explicado, talvez, pelo uso de drogas psicoativas em profusão.  O que podem produzir os paraísos artificiais, fundados no prazer que tal consumo de drogas propicia?  O que vem junto?  E o que vem depois?
O triângulo amoroso de “Paraísos Artificiais” envolve a DJ Erika (Nathalia Dill), sua amiga e companheira Lara (Lívia de Bueno) e a entrada em cena de Nando (Luca Bianchi).  Tudo muito intenso, mas também rápido, passageiro, por diferentes razões, todas vinculadas de algum modo às drogas psicotrópicas.
O diretor Marcos Prado, conceituado documentarista, põe em cena o mundo das festas rave, que envolvem milhares de pessoas ao som de música eletrônica, por dias inteiros, em paradisíacas praias do nordeste brasileiro, no caso, de Pernambuco.  Mas tem também a vida no Rio de Janeiro e o reencontro em Amsterdã, cidade geralmente associada a um consumo mais liberal de drogas, por conta da política de redução de danos firmemente estabelecida na Holanda.


Mais do que ao expor a trama de encontros e desencontros amorosos dos personagens, o que se destaca no filme é a apresentação da realidade desse consumo de drogas estimulantes e alucinógenas, tendo o ecstasy como destaque, e o mundo dessas festas rave.
Pais, educadores e o pessoal da geração mais velha podem se surpreender com o que está rolando solto por aí nessas baladas.  Desde a linguagem, o tipo de vínculo, a música e a relação com as drogas, tudo soa um tanto grave e preocupante.  “Paraísos Artificiais” se vale do ambiente de luzes, cores e sons, para produzir cenas atraentes, do tipo psicodélico, mas compartilha com o espectador dessa mesma preocupação.  Vai além, deixa explícito que esse caminho é dramático e pode ser sem volta.  Uma espécie de vale-tudo, em que não se tem controle de quase nada.
Se uma vida cheia de controles e normas costuma ser opressiva e desestimulante, uma vida assim tão sem limites tem efeitos corrosivos e devastadores.  Acaba levando à prisão, tanto no nível psicológico, como no concreto, legal.  Mas “Paraísos Artificiais” não é um filme moralista, que faça pregação contra as drogas.  É muito mais a expressão de uma realidade que produz perplexidade.  Nesse sentido, o filme tem um caráter documental, o de construir na ficção o que se pode encontrar por aí.  E que precisa ser mostrado, para que alguma reflexão possa iluminar os caminhos para lidar com a questão.  Assim, é um trabalho respeitável e que merece atenção.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

LUZ NAS TREVAS

Antonio Carlos Egypto




LUZ NAS TREVAS – a volta do Bandido da Luz Vermelha.  Brasil, 2010.  Direção: Helena Ignez e Ícaro C. Martins.  Roteiro original: Rogério Sganzerla.  Rogério adaptado: Helena Ignez.  Com Ney Matogrosso, André Guerreiro Lopes, Sandra Corveloni, Djin Sganzerla, Maria Luísa Mendonça, Bruna Lombardi, Simone Spoladore.  83 min.


“O Bandido da Luz Vermelha” é um dos grandes clássicos do cinema brasileiro, realizado por Rogério Sganzerla, no ano de 1968, tendo como protagonistas Paulo Vilaça e Helena Ignez. 

Rogério tinha um roteiro para retomar o grande personagem que foi o bandido da luz vermelha, mas não chegou a concretizar o plano.  Morreu em 2004.  Helena Ignez, grande atriz de filmes fundamentais do nosso cinema, que foi sua mulher, acabou, como ela mesma diz, herdando esse projeto.

É daí que vem “Luz nas Trevas – a volta do Bandido da Luz Vermelha”, idealizado por ela, que divide a direção com Ícaro C. Martins, a partir da sequência imaginada por Sganzerla.  Na verdade, não é bem uma sequência, mas uma reinvenção do personagem e de seu filho, o bandido Tudo ou Nada, que seria uma espécie de continuador da obra do pai.  O que se passa é que o mundo mudou, e muito.  Os valores que estão em jogo são outros, as possibilidades para um marginal criativo e original, diferentes.



Helena Ignez procurou criar, por meio de cenas que não se preocupam propriamente em contar uma história, uma possibilidade de refletir sobre os fatos, o personagem, seu possível continuador, o mundo em que estamos e o próprio cinema.  Viu em Ney Matogrosso a figura forte para reencenar o famoso bandido e o papel de seu filho Tudo ou Nada foi interpretado por André Guerreiro Lopes.  Interpretações marcantes.

As mulheres que se relacionam com esses bandidos são vividas por atrizes de primeira grandeza, como a própria Helena Ignez, em pequena participação, Sandra Corveloni, Maria Luísa Mendonça, Bruna Lombardi, Simone Spoladore e Djin Sganzerla.  O elenco do filme não fica por aí, conta com a participação de grandes figuras da cultura brasileira, como Sérgio e Duda Mamberti, Arrigo Barnabé, José Mojica Marins, Mário Bortolotto, Paulo Goulart e outros mais.



O filme tem uma trilha sonora muito boa e diversificada, que inclui Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Perebah e Jair, Paulo Sérgio, Lenin Gordin e, é claro, Ney Matogrosso, cantando “Sangue Latino”, em arranjo especialmente concebido para o filme.

“Luz nas Trevas” é um filme forte, intenso, mas não é um filme de ação.  É muito mais um filme de reflexão, com direito até a monólogos filosófico-existenciais, protagonizados por Ney Matogrosso vivendo o bandido solitário na prisão.  E que até questiona o modo como teria morrido, o que, cinematograficamente, justificaria sua reinvenção.  Difícil não se envolver, em que pese a narrativa fragmentada, que contrasta com o gênero policial, que é a referência da película.

O diálogo das cenas atuais, de colorido intenso, com as do preto e branco do original de Sganzerla, é muito bem feito.  É revelador de um diálogo de dois tempos, duas épocas, dois mundos distintos.  E, no entanto, também indica o sentido da retomada de um dos maiores personagens da história do nosso cinema.

“Luz nas Trevas” já foi exibido no Festival de Locarno, na Suíça, onde ganhou o prêmio Boccalino D’Ouro de melhor filme, nos Festivais de San Diego e Santa Bárbara, nos Estados Unidos, recebeu menção honrosa no Festival Amazonas Filme 2010, além do prêmio de direção e melhor filme pelo público, no Cine Esquema Novo 2011.

sábado, 5 de maio de 2012

UM HOMEM DE SORTE

                             
Antonio Carlos Egypto



UM HOMEM DE SORTE (The Lucky One).  Estados Unidos, 2011.  Direção: Scott Hicks.  Com Zac Efron, Taylor Schilling, Blythe Danner, Jay R. Ferguson.  101 min.


Logan Thibault (Zac Efron) é um homem de sorte, servindo como fuzileiro naval no Iraque, escapou de morrer numa explosão, porque encontrou a foto de uma mulher bonita no chão, namorada de um colega morto.  Esse é o mote do filme.  Claro que, ao voltar da guerra, ele vai em busca dessa mulher: Beth (Taylor Schiling), e por aí se constrói uma história de amor.  E tudo é mais ou menos previsível, ao longo de todo o filme.

O problema é que Logan não é apenas um homem de sorte, é um homem de caráter, muito bom, cheio de talentos e habilidades.  Até os traumas de guerra, os barulhos dos bombardeios que o assombravam quando voltou do Iraque, ele resolve em dois tempos, dispensando o analista.  Ele só não é perfeito porque não encontra as palavras a dizer, quando deveria, no momento certo.  Esse é seu único pecado e o que abre espaço para o conflito na relação com Beth.  Se ele não tivesse, digamos, essa dificuldade, que não chega a ser um defeito, o filme simplesmente não existiria


Logan é jovem, bonito, talentoso, amoroso, disponível, um doce de pessoa e, ao mesmo tempo, um herói, dentro e fora da guerra.  Um autêntico herói romântico, um clichê.  Um pouco demais, não é?

Beth é mais complicada, tem suas culpas, medos, inseguranças.  Vive em suspensão pela perda do irmão e pela separação do marido.  Não é alegre, quase não sorri, mas é trabalhadora, uma mãe amantíssima, tem talento para ensinar e toca muito bem o seu negócio com cães, num lugar bonito, de natureza.  Nada mal, também.

Há, ainda, um garoto de 8 anos, filho de Beth, que é cheio de talentos: inteligente à beça, toca violino, estuda e joga xadrez como gente grande,  mas é tímido.  Sua avó, mãe de Beth, é uma simpatia.  Arguta, enxerga longe, mas é discreta.  Evita intrometer-se, embora já tenha percebido tudo o que acontece ao redor.  Sorridente e afetiva, é uma mulher cativante.


Essa história também terá os seus vilões, ou aqueles que colocam seus interesses à frente do bem-estar dos outros.  Mas não chegam a ser criaturas más, e isso é afirmado explicitamente pelo nosso jovem herói.

Tanta beleza e bondade só poderiam mesmo triunfar diante das adversidades.  Afinal, gente com essas características não costuma se dar mal.  E o entretenimento hollywoodiano contemporâneo não está aí para incomodar as pessoas.  Uma morte pode ser providenciada na hora precisa, para acabar com os conflitos e, ao mesmo tempo, ressaltar o heroísmo do protagonista.  E todos ficamos em paz: os personagens e os espectadores.  Ou seja, um novelão.

“Um Homem de Sorte” tem produção bem cuidada e locações bonitas, de modo a oferecer a quem gosta deste tipo de espetáculo um produto bem acabado, capaz de proporcionar um agradável programa para o fim de semana.  Ou, quem sabe, um bom filme para se ver em casa, na TV paga, despreocupadamente, daqui a algum tempo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

As Idades do Amor


Tatiana Babadobulos

As Idades do Amor (Manuale d'Amore 3). Itália, 2011. Direção: Giovanni Veronesi. Roteiro: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti e Andrea Agnello. Com: Robert de Niro, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Valeria Solarino, Laura Chiatti, Carlo Verdone. 125 minutos.

Para contar “As Idades do Amor” (Manuale d'Amore 3), o diretor Giovanni Veronesi, também autor do roteiro, ao lado de Ugo Chiti e Andrea Agnello, dividiu o longa-metragem em três episódios. O primeiro chama-se “Juventude”, seguido por “Maturidade” e “Além”.

O primeiro protagonista é Roberto (Riccardo Scamarcio), um jovem advogado, que está de casamento marcado com Sara (Valeria Solarino). Porém, quando viaja a trabalho para a Toscana a fim de resolver a negociação de um terreno, ele conhece Micol (a bela Laura Chiatti). Na parte de “Maturidade” é a vez de Fabio (Carlo Verdone), um âncora de TV atrapalhado que acaba se enrolando com uma moça que está em busca de aventura. Ao final, é a vez de entrar em cena o casal talvez mais esperado do longa, vivido por Robert de Niro e Monica Bellucci. A participação de ambos deve durar pouco mais de meia hora, mas é encantadora.



De Niro é Adrian, um professor de História da Arte americano que vive em Roma, mas se vê absolutamente apaixonado por Viola (Monica), filha do zelador do prédio onde vive, Augusto (Michele Placido).

A comédia italiana mistura a confusão patética que só o amor poderia aprontar, mas foca nas figuras masculinas, de modo que as mulheres com quem eles se relacionam se comportam de maneira, digamos, pouco convencional, já que uma é infiel e aventureira, a outra perseguidora e a terceira, stripper. Entre um episódio e outro, porém, há um tal de Cupido que aparece mandando flechas aos enamorados: um clichê desnecessário, é verdade.

Mas é o modo como, de alguma maneira, as histórias se cruzam, ainda que as personagens sejam absolutamente independentes, que a fita encanta. “As Idades do Amor” é um filme para se deliciar e aproveitar as boas interpretações, como da belíssima Monica Bellucci e de De Niro falando italiano, mesmo com um forte sotaque nova-iorquino. O filme foi vencedor da 5ª Semana Pirelli de Cinema Italiano.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

UMA LONGA VIAGEM

Antonio Carlos Egypto




UMA LONGA VIAGEM.  Brasil, 2011.  Direção: Lúcia Murat.  Documentário.  Com Caio Blat.  97 min.


“Uma Longa Viagem” é um documentário que conta com a participação de um ator, Caio Blat, por sinal premiado por sua atuação nesse filme, no Festival de Gramado 2011.  Curioso, não?  A verdade é que, cada vez mais, ficção e documentário se entrelaçam, deixando os limites entre eles muito tênues.
Podemos partir do princípio de que toda ficção vem de alguma forma da percepção do real, mesmo que esse real possa ser sonho ou imaginação.  O registro documental da chamada realidade é também uma escolha de objeto, visto de um determinado ângulo, perspectiva político-ideológica, ponto de vista filosófico, visão de mundo, crença em alguma verdade.  Enfim, a verdade é aquilo que a gente acredita que é, por mais objetivos que possam ser os fatos relatados.

“Uma Longa Viagem” aborda questões muito sérias.  Lúcia Murat, a diretora do longa documental, revisita seu passado familiar e sua militância política de resistência à ditadura militar, prisão e tortura.  Focaliza, porém, seu irmão caçula, Heitor, o que deu literalmente a volta ao mundo, conheceu e viveu algum tempo em países como a Índia,a Indonésia,o Paquistão e o Afeganistão, antes de Bin Laden e Bush, além das tradicionais experiências europeias, americanas e da Oceania, bem mais comuns.
Sem se preocupar em fixar raízes ou estabelecer projetos onde quer que estivesse, Heitor empreendeu uma longa jornada, que envolveu todo o tipo de experiências e o consumo de drogas em profusão, arriscando-se a ser preso (o que efetivamente ocorreu, algumas vezes) e a ter sua saúde fortemente abalada até o limite da loucura, da perda de faculdades mentais importantes.  Sobreviveu e está dando seu depoimento no filme, relembrando uma história incrível e cheia de significados existenciais.  Em busca de quê, mesmo?  Do autoconhecimento, de alguma forma, e de seu lugar no mundo, talvez.  Ou, quem sabe, em busca da própria razão de existir, se é que ela existe.
Lúcia Murat se vale de muitos registros familiares e do convívio que teve com o irmão mais velho, Miguel, médico já falecido, e como  se relacionaram com esse irmão aventureiro, enquanto no Brasil o regime autoritário apertava o cerco e fechava os caminhos da liberdade, tão buscada por Heitor.  O início da longa viagem dele foi o fatídico ano de 1969, que marcou o recrudescimento da repressão e a consequente luta armada.
Vídeos da época, imagens dos lugares visitados pelo irmão, suas cartas constantes, servem à reconstituição do período de juventude dela e dos irmãos.  É aí que entra Caio Blat, representando Heitor jovem, e colocado em frente às cenas projetadas, interagindo com elas. É realmente um belo trabalho do ator, que injeta vida nova e juventude a essa história de viagens intermináveis e à tentativa de entendê-las, pelo menos em parte, pela diretora e por seu trabalho cinematográfico.

Compartilhamos com ela de suas vivências, dores, preocupações, perplexidades e buscas.  E a longa viagem passa rápido, porque tudo isso soa cativante, misterioso, e é um resgate de uma época histórica e de formas de se relacionar com ela.  Ultrapassam em muito os limites familiares ou experiências pessoais, porque envolveram uma geração de pessoas que, até hoje, buscam entender o que foi tudo aquilo, as angústias que todos sentimos e o modo como cada um pôde responder a isso.
O registro de Lúcia Murat é desapaixonado, pelo menos na aparência.  Não faz julgamentos, não se coloca no centro da história, nem procura nos convencer de coisa alguma.  Os fatos e relatos são bastante eloquentes, têm tal importância que dispensam maiores explicações. 
Além do prêmio de ator para Caio Blat, “Uma Longa Viagem” foi premiado com o Kikito de Melhor Longa-Metragem, na 39ª. edição do Festival de Gramado,em 2011.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sete Dias com Marilyn


Tatiana Babadobulos

Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn). Estados Unidos e Reino Unido, 2011. Direção: Simon Curtis. Roteiro: Adrian Hodges. Com: Michelle Williams, Eddie Redmayne e Kenneth Branagh. 99 minutos


Na primeira vez em que a diva do cinema Marilyn Monroe colocou os pés no Reino Unido, em 1956, causou alvo­roço. Era sempre assim, onde quer que ela fosse. O objetivo da “visita” era trabalhar no filme do diretor Laurence Oli­vier, “O Príncipe Encantado”. As filmagens não foram muito tranquilas, pois, mesmo sendo uma estrela, Marilyn estava insegura com o papel e o diretor se irritava com facilidade.

Os bastidores do set de filmagem viraram o longa-metragem “Sete Dias com Marilyn” (“My Week with Marilyn”), contados sob o olhar do jovem Colin Clark (Eddie Redmayne, de “A Outra” e “O Bom Pastor”), em seu primeiro trabalho no cinema.

O rapaz, recém-graduado em Oxford, queria ser cineasta e foi procurar emprego em Londres com o sir Laurence (Kenneth Branagh, de “Operação Valquíria”). Infernizou a vida do diretor, até que conseguisse ficar na produção. A princípio, atendia ao telefone, servia o chá. Mas quando começaram as filmagens, ele foi a principal liga­ção entre Marilyn e o set. Isso porque a atriz brigaou com o marido por ciúmes e ele voltou para a América. Solitária e com medo de ser abandonada, a diva se aproveita da juventude e ingenuidade do rapaz sete anos mais novo, que a faz ver o mundo mais colorido e simples, longe do glamour que vive.


O longa-metragem é baseado no livro “My Week with Marilyn”, escrito pelo próprio Colin Clark, lançado anos depois do primeiro livro, intitulado “The Prince, the Showgirl and Me”. Isso porque ele guardou para mais tarde a história mais apimentada sobre a semana na qual passaram juntos.

Pelo filme, o espectador repara que Marilyn Monroe, aqui vivida por Michelle Williams (“O Segredo de Brokeback Mountain”), e que recebeu indicação ao Oscar por sua interpretação (mas acabou perdendo para Meryl Streep, em “A Dama de Ferro”), era uma típica garota americana, que não sabia um pingo de história universal, mas era extremamente bonita, sexy e talentosa.

Com toques de humor, “Sete Dias com Marilyn” mostra, inclusive, que Marilyn Monroe era a mulher mais famosa do mundo e mais reconhecida por seu retrato e jeito, do que propriamente por seus filmes, além da falta de entendimento da atriz com o diretor, que também atuou na fita. Trata-se de um belo filme, principalmente por conta de grandes atuações, a contar de Michelle Williams, que, além de talentosa, ficou realmente parecida com a estrela de Hollywood.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os Vingadores


Tatiana Babadobulos

Os Vingadores (The Avengers). Estados Unidos, 2012. Direção: Joss Whedon. Roteiro: Zak Penn e Joss Whedon. Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow. 142 minutos


Em 2008, a Marvel começou a preparar a plateia e a mostrar seus super-heróis com o lançamento de “Homem de Ferro”. A fita tirou Tony Stark dos quadrinhos e colocou Robert Downey Jr. para voar dentro de uma armadura. Em seguida, foi a vez de “O Incrível Hulk” (Edward Norton) mostrar que a fúria o transforma em um grandalhão verde. “Homem de Ferro” ganhou uma sequência em 2010 e apimentou ainda mais a curiosidade dos fãs quando inseriu na fita a participação de Viúva Negra (vivida pela bela e talentosa Scarlet Johansson) e o sinal de que Capitão América também ganharia um filme só para ele. E foi tudo verdade.

O longa sobre a personagem apresentada pela primeira vez em forma de História em Quadrinhos em 1941, como propaganda política durante a Segunda Guerra Mundial, ganhou as telas dos cinemas com o nome de “Capitão América: O Primeiro Vingador”, com direção de Joe Johnston e com Chris Evans na pele do super-herói.



Capitão América foi o primeiro do grupo a ser recrutado para o “clube” que mais tarde ficou conhecido como “Os Vingadores” e que reúne ainda Thor, Hulk, Homem de Ferro, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, e foi feito em resposta à Liga da Justiça, da DC Comics, cujo “cabeça” é Super-Homem. Outro que ganhou um “filme-solo” foi Thor, deus do trovão, e sua história épica ambientada na mitologia escandinava, com Chris Hemsworth como personagem-título.

Agora, o que interessa aos fãs dos quadrinhos é o novo lançamento da Marvel, "Os Vingadores" (The Avengers"), que reúne os seis super-heróis: Capitão América/Steve Rogers (Chris Evans), Homem de Ferro/Tony Stark (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), HulkK/Bruce Banner (Mark Ruffalo) Gavião Arqueiro/Clint Barton (Jeremy Renner) e Viúva Negra/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson). Todos são recrutados, um por um, pelo coronel Nick Fury (Samuel L. Jackson), diretor da agência internacional de pacificação conhecida como S.H.I.E.L.D. (que pode ser traduzido como escudo, em inglês), pois um inimigo ameaça a segurança do mundo.

Dirigido e escrito por Joss Whedon, “Os Vingadores” é baseado na história publicada pela primeira vez em 1963 e, tal como nos quadrinhos, quem desencadeia o encontro dos super-heróis é Loki (Tom Hiddleston), o invejoso irmão de Thor.

Como a maioria das personagens já teve as suas respectivas histórias contadas, o longa não perde tempo com as apresentações, com exceção da do Gavião Arqueiro, que mostra um pouco sobre sua vida pregressa.



Tudo o que se falar do longa vai tirar a surpresa do espectador, mas pode-se saber que é Mark Ruffalo (“Ensaio Sobre a Cegueira”) quem faz o papel do grandalhão Hulk, que, por viver um brutamontes, algumas cenas remetem ao gigante King Kong, por exemplo. É ele, aliás, quem protagoniza uma das cenas mais engraçadas da fita. Vale lembrar que, como nos dois filmes de “Homem de Ferro”, o bom humor está presente em toda a trama, fato que deixa o filme ainda mais interessante.

Stark, que veste camisa do Black Sabath e é responsável pelo rock and roll da trilha sonora, se diz um “gênio, bilionário, playboy e filantropo”, definição que arranca gargalhadas, já que o seu timing é sempre perfeito.

Outro detalhe importante, e que não é novo, a contar pela própria criação das personagens e da valorização do povo norte-americano, novamente faz sentido devido à crise econômica que ainda não deu trégua, além do avanço da China, por exemplo, como superpotência. Afinal, os Estados Unidos têm necessidade iminente de mostrar que são soberanos e o cinema, assim como as HQs, fazem isso desde sempre.



Como se trata de um filme sobre super-heróis, os efeitos especiais estão ali para servir, para incrementar ainda mais a ação e incentivar a imaginação da plateia. Outro ponto positivo são as câmeras bem posicionadas de Joss Whedon (que até então só tinha dirigido séries de TV, como “Glee” e “The Office”), que oferece ao público nitidez sobre quem está batendo e quem está apanhando.

“Os Vingadores” reúne bons atores em uma história engraçada e que cumpre a função: entreter e divertir o público e os fãs das Histórias em Quadrinhos. Prepare a pipoca e garanta o ingresso: vai valer a pena!

Na sessão reservada à imprensa, a Disney apresentou a versão 2D do filme, mas ele também poderá ser visto em 3D e Imax, a partir desta sexta-feira, 27 de abril. Em tempo: no meio dos créditos finais, é apresentado o novo vilão. Mais uma continuação a caminho!

Em tempo: "Os Vingadores" estreou no final de semana em 39 territórios internacionais, batendo recordes de bilheteria, inclusive no Brasil, onde já desponta como a maior abertura de todos os tempos. O filme levou mais de 1,5 milhão de pessoas aos cinemas em três dias. O longa foi a maior abertura de fim de semana da história no Brasil, no México, na Argentina, no Equador, no Peru, na América Central, na Bolívia, em Hong Kong, em Taiwan, na Malásia, na Nova Zelândia e nas Filipinas.

A produção, que só desembarca nos cinemas norte-americanos em 4 de maio, conquistou o primeiro lugar no ranking em todos os países onde estreou. No Reino Unido, a abertura representa a maior já registrada por um filme de super-herói e a maior de um título distribuído pela Disney em um fim de semana de 3 dias. Também foi registrada a maior bilheteria do primeiro dia de lançamento na Nova Zelândia, em Taiwan, na Islândia e na Malásia.