O CONVITE (The Invite). Estados Unidos, 2026. Direção: Olivia Wilde. Elenco: Olivia Wilde, Seth Rogen, Penélope
Cruz, Edward Norton. 107 min.
A produção estadunidense “O Convite” aposta no inesperado, no choque que
conversas cínicas, desinibidas e sem censura, podem causar. Para isso, mescla comédia, drama com muita
ironia e acaba por produzir uma suposta sessão de psicoterapia. Qual o objetivo disso? Ir do mais formal e engessado até a mais
ampla demonstração de intimidade numa relação social fortuita. Há muitos exageros nesse caminho, mas a rota
é boa. Pelo menos, instigante.
Tudo já começa de forma surpreendente.
Vemos uma mulher que já se preparou para receber seus vizinhos de
apartamento do andar de cima, quando seu marido chega e aparentemente nada sabe
sobre isso. Na verdade, o casal está
incomodado com esses vizinhos, por conta do barulho, do alvoroço que eles
promovem madrugadas adentro, por uma prática sexual exibicionista, expressa por
orgasmos explicitados sonoramente.
Trata-se, portanto, de um encontro estranho, que pretende o quê? Discutir e resolver tal questão, aproximar os
vizinhos, produzir camaradagem? E os
convidados por que aceitaram? O que podem
querer com eles? Haverá um convite no
ar, que justifica o título do filme.
Pois bem, mas essa comédia que vira drama psicológico vai procurando nos
surpreender a cada instante. Viradas
comportamentais são frequentes. O
imprevisível está sempre lá. O que nem
por isso torna a comédia hilária ou empolgante.
Mas os elementos escondidos, as tensões acumuladas, os desentendidos vão
aparecendo e mudando o clima.
A comunicação evolui em diferentes sentidos, a intimidade torna-se o
centro do encontro. As frustrações
aparecem. A ansiedade se manifesta. E o “modernismo” dos convidados se dissolve
em algo mais humano.
Até então, a comédia se baseava em bobagens, como uma cuidadosa mesa
preparada para alguém que não consome carne, glúten, açúcar, etc.. Ou de um marido que não comprou o esperado
vinho porque nem se deu conta do que estava acontecendo, nem queria que
acontecesse.
Nem por isso o que vem depois, mais próximo da realidade psíquica das
pessoas, alcança níveis bergmanianos de profundidade. É querer demais, eu sei. Também não se compara a um filme com um ponto
de partida semelhante, como “Deus da Carnificina”, de Roman Polanski, de 2011. Em todo caso, a tentativa vale.
A diretora Olivia Wilde, também atriz no filme, é ousada na temática, na
linguagem, nos diálogos e na atuação.
Mérito indiscutível. O elenco que
ela reuniu em torno de si, maravilhoso.
Seth Rogen, em muito bom desempenho, e as estrelas Penélope Cruz, como
sempre radiante na tela, e Edward Norton, com seu charme e talento, são uma
grande atração do filme.


Nenhum comentário:
Postar um comentário