segunda-feira, 16 de março de 2026

SEM OSCAR

Antonio Carlos Egypto

 



Foi frustrante para uma grande torcida que se formou em torno de “O Agente Secreto” pela conquista de uma estatueta do Oscar, tentando repetir o feito do ano passado, com ”Ainda Estou Aqui”.  E a torcida fazia todo sentido.  Tínhamos um filme magnífico, original, criativo, muito bem realizado.  Com um elenco escolhido a dedo, perfeitamente entrosado para viver os papéis que lhes cabiam.  Na verdade, o fizeram na perfeição. 

 

Não por acaso, a nova categoria de escolha do elenco era cobiçada por nós.  O prêmio seria merecidíssimo.  Havia um concorrente forte, o elenco de “Pecadores”, afinadíssimo também.  Venceu “Uma Batalha Após a Outra”, que apresentou um elenco all star, onde não percebi grande mérito na escolha.  Uma opção conservadora, eu diria. 

 

Havia grande expectativa e esperança na dobradinha com o ano passado na categoria de filme internacional.  O sucesso e os prêmios de “O Agente Secreto” no mundo, as avaliações dos maiores críticos foram tão efusivos que mesmo diante de fortes concorrentes como “Foi Apenas um Acidente” ou “Sirât” tínhamos enormes chances.  O nosso maior concorrente, porém, foi o escolhido: o norueguês “Valor Sentimental”.  Um filme excelente, sem dúvida.  E a Noruega ganha nessa categoria pela primeira vez.  “Sirât” merecia ganhar por melhor som, que foi para “F1”.


 




Filme internacional, que antes se chamava filme estrangeiro, ou como no Globo de Ouro filme de língua não-inglesa, parecia trazer um avanço, a partir de 2020, quando o sul-coreano “Parasita” arrebatou o Oscar com muitos e merecidos prêmios.  Mas a internacionalização ainda anda a passos lentos.  Na minha modesta opinião, “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental”, que disputaram também a indicação para melhor filme (na categoria geral), foram melhores do que os outros oito concorrentes.  No entanto, para os votantes da Academia, “Uma Batalha Após a Outra”, com seis vitórias, “Pecadores”, com quatro, e até “Frankenstein”, com três, é que se destacaram.

 

“Pecadores” levou o Oscar em duas categorias em que o Brasil concorria, a de fotografia, que tinha a indicação de Adolpho Veloso para o filme estadunidense “Sonhos de Trem”, e a estatueta de melhor ator, disputada por Wagner Moura. Uma vez mais, é preciso reconhecer o talento do ator vencedor, Michael B. Jordan, embora o trabalho do nosso Wagner Moura esteja impecável e, a meu ver, superior ao dos concorrentes.

 

É fato que o cinema mostrou muito valor em 2025 em todo o mundo e  também nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas o prêmio do Oscar privilegia nitidamente a produção em língua inglesa, como sempre foi.  Estava na hora de dar passos mais largos com vistas à ampliação da visão de cinema mundial, já que a cerimônia é tão concorrida e vista por milhões ao redor do mundo.  E que claramente Hollywood está em crise, se comparada à sua história passada de glória.  

 

Não adianta dourar a pílula, os filmes de língua inglesa já não são os melhores que estão sendo feitos e lançados pelo cinema.  Que hoje fala muitos e variados idiomas em histórias empolgantes e com excelência técnica.




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