Antonio Carlos Egypto
ENZO (Enzo). França, 2025.
Direção: Robin Campillo. Elenco:
Eloy Pohu, Pierfrancesco Favino, Élodie Bouchez. 102 min.
“Enzo” conta uma história que nos leva em cheio a conviver com uma
adolescência que se vê deslocada, na família, na escola e no trabalho. O sentimento de pertencimento não está
presente e é um problema, as escolhas também são um problema. Para onde ir e por que ir, um desafio. A história que o filme conta pode parecer
específica, mas na realidade fala de uma adolescência muito representativa de
sentimentos, de buscas desencontradas e de uma tentativa atrapalhada de inovar
e de conquistar liberdade.
Aborda a desigualdade entre as classes sociais, o que desafia as
sociedades e os governos. E o confronto
entre as possibilidades e os estilos de vida muito distantes entre si. Ainda que, na França, essas diferenças sejam
menores do que as do Brasil.
O jovem Enzo (Eloy Pohu), de 16 anos, pertence a uma família de classe
alta, vive numa mansão com lindas vistas, piscina e todo o conforto. Decide parar de estudar e escolhe trabalhar
como aprendiz de pedreiro. Entende que
as paredes e as construções sobrevivem aos homens e aos tempos, por isso são
muito importantes. Seus pais
(Pierfrancesco Favino e Élodie Bouchez) com vida acadêmica e estimulando o
filho mais velho a alcançar o doutorado, naturalmente sentem o baque dessa
escolha. Não era o que esperavam para a
vida de Enzo. Tentam lidar com a
situação como podem, mas o fato é que se sentem perdidos diante dos
acontecimentos que envolvem Enzo.
O garoto, por seu lado, tenta aprender e se adaptar ao trabalho na
construção e se aproximar de alguns colegas, visando ser acolhido e ter amigos
no ambiente que escolheu. Aproxima-se de
dois jovens mais velhos que vieram da Ucrânia e sentem o drama de se vão ficar
na França ou se vão voltar para lá, diante da guerra com a Rússia e das
famílias que por lá ficaram. Esse
encontro tem um impacto muito grande para Enzo e vai mexer com a sua vida, no
florescer da sexualidade.
O jovem ator Eloy Pohu consegue nos passar o enfado, a dificuldade de
viver e conviver nessa etapa, para muitos, muito confusa e complicada da
vida. Os ótimos ator e atriz que
representam seus pais mostram a tensão contida que lhes cabe viver nesse
momento atormentado de seu filho.
“Enzo” é um filme concebido pelo grande diretor Laurent Cantet, do
brilhante “Entre os Muros da Escola”, de 2008, e outros trabalhos que revelam
sua sensibilidade em relação a crianças, adolescentes e à educação. Sua morte em 2024, aos 63 anos, abortou o
projeto que ele iria dirigir. E que foi
assumido por Robin Campillo, com quem tinha trabalhado no roteiro. Ainda bem que o filme saiu, aproveitando o
que Cantet concebeu e é um trabalho muito bom, muito sensível e competente.
DICAS PARA OS
CINÉFILOS
O Cinesesc SP apresenta a Mostra “FAROL- O Cinema Entre a Memória e o
Agora”, de 20 de março a 02 de abril de 2026, que traz filmes inéditos no
circuito comercial brasileiro, ao lado de obras que marcaram presença artística
relevante, realizadas por cineastas importantes. Haverá atividades formativas e debates. Todas as sessões terão preços acessíveis. Na faixa das 15:00 horas os ingressos são
gratuitos. A programação pode ser
acessada em sescsp.org.br
Na Cinemateca Brasileira, de 20 a 29 de março de 2026, acontecerá a
Mostra “20 Anos RT Features”, celebrando duas décadas de atividades da
produtora brasileira comandada por Rodrigo Teixeira, dedicada principalmente a
filmes autorais, como “O Cheiro do Ralo”, “Frances Ha”, “Severina”,
“Kontinental’25” e, claro, “Ainda Estou Aqui”.
Todos esses filmes e muitos mais estarão sendo exibidos e as sessões são
gratuitas. Também com cursos e debates. https://cinemateca.org.br
Vem vindo aí a 31ª. edição do Festival “É Tudo Verdade 2026”, sempre
apresentando o melhor do que há em documentários pelo mundo afora e aqui no
Brasil. Fiquem atentos.


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