quinta-feira, 19 de março de 2026

ENZO

                                              Antonio Carlos Egypto

 



ENZO (Enzo).  França, 2025.  Direção: Robin Campillo.  Elenco: Eloy Pohu, Pierfrancesco Favino, Élodie Bouchez.  102 min.

 

“Enzo” conta uma história que nos leva em cheio a conviver com uma adolescência que se vê deslocada, na família, na escola e no trabalho.   O sentimento de pertencimento não está presente e é um problema, as escolhas também são um problema.  Para onde ir e por que ir, um desafio.  A história que o filme conta pode parecer específica, mas na realidade fala de uma adolescência muito representativa de sentimentos, de buscas desencontradas e de uma tentativa atrapalhada de inovar e de conquistar liberdade.

 

Aborda a desigualdade entre as classes sociais, o que desafia as sociedades e os governos.  E o confronto entre as possibilidades e os estilos de vida muito distantes entre si.  Ainda que, na França, essas diferenças sejam menores do que as do Brasil.

 
O jovem Enzo (Eloy Pohu), de 16 anos, pertence a uma família de classe alta, vive numa mansão com lindas vistas, piscina e todo o conforto.  Decide parar de estudar e escolhe trabalhar como aprendiz de pedreiro.  Entende que as paredes e as construções sobrevivem aos homens e aos tempos, por isso são muito importantes.  Seus pais (Pierfrancesco Favino e Élodie Bouchez) com vida acadêmica e estimulando o filho mais velho a alcançar o doutorado, naturalmente sentem o baque dessa escolha.  Não era o que esperavam para a vida de Enzo.  Tentam lidar com a situação como podem, mas o fato é que se sentem perdidos diante dos acontecimentos que envolvem Enzo.

 



O garoto, por seu lado, tenta aprender e se adaptar ao trabalho na construção e se aproximar de alguns colegas, visando ser acolhido e ter amigos no ambiente que escolheu.  Aproxima-se de dois jovens mais velhos que vieram da Ucrânia e sentem o drama de se vão ficar na França ou se vão voltar para lá, diante da guerra com a Rússia e das famílias que por lá ficaram.  Esse encontro tem um impacto muito grande para Enzo e vai mexer com a sua vida, no florescer da sexualidade.

 

O jovem ator Eloy Pohu consegue nos passar o enfado, a dificuldade de viver e conviver nessa etapa, para muitos, muito confusa e complicada da vida.  Os ótimos ator e atriz que representam seus pais mostram a tensão contida que lhes cabe viver nesse momento atormentado de seu filho.

 

“Enzo” é um filme concebido pelo grande diretor Laurent Cantet, do brilhante “Entre os Muros da Escola”, de 2008, e outros trabalhos que revelam sua sensibilidade em relação a crianças, adolescentes e à educação.  Sua morte em 2024, aos 63 anos, abortou o projeto que ele iria dirigir.  E que foi assumido por Robin Campillo, com quem tinha trabalhado no roteiro.  Ainda bem que o filme saiu, aproveitando o que Cantet concebeu e é um trabalho muito bom, muito sensível e competente.

 

 

DICAS PARA OS CINÉFILOS

O Cinesesc SP apresenta a Mostra “FAROL- O Cinema Entre a Memória e o Agora”, de 20 de março a 02 de abril de 2026, que traz filmes inéditos no circuito comercial brasileiro, ao lado de obras que marcaram presença artística relevante, realizadas por cineastas importantes.  Haverá atividades formativas e debates.  Todas as sessões terão preços acessíveis.  Na faixa das 15:00 horas os ingressos são gratuitos.  A programação pode ser acessada em   sescsp.org.br

 

Na Cinemateca Brasileira, de 20 a 29 de março de 2026, acontecerá a Mostra “20 Anos RT Features”, celebrando duas décadas de atividades da produtora brasileira comandada por Rodrigo Teixeira, dedicada principalmente a filmes autorais, como “O Cheiro do Ralo”, “Frances Ha”, “Severina”, “Kontinental’25” e, claro, “Ainda Estou Aqui”.  Todos esses filmes e muitos mais estarão sendo exibidos e as sessões são gratuitas.  Também com cursos e debates. https://cinemateca.org.br

 

Vem vindo aí a 31ª. edição do Festival “É Tudo Verdade 2026”, sempre apresentando o melhor do que há em documentários pelo mundo afora e aqui no Brasil.  Fiquem atentos.

 

 

 

 

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