quarta-feira, 13 de abril de 2016

TRUMAN


ANTONIO CARLOS EGYPTO




TRUMAN (Truman), Espanha, 2015.  Direção: Cesc Gay.  Com Ricardo Darín, Javier Cámara, Dolores Fonzi e o cão Troilo.  109 min.



Dois amigos de infância, separados geograficamente, e pelo tempo decorrido, reencontram-se por alguns dias, quando um deles aparece para uma visita surpresa. Tomás (Javier Cámara) vive no Canadá, com sua família, e vem encontrar-se com Julian (Ricardo Darín), que vive na Espanha, separado da mulher, com um filho em outra cidade, em  um momento decisivo da vida.  O encontro será marcado por muito afeto, estranhezas, cobranças, disputas e também muita solidariedade. É um filme que celebra a diversidade de pessoas e situações, buscando entender, não julgar. E como isso pode ser difícil nos relacionamentos humanos!




O foco da narrativa está numa questão basilar: podemos manejar e controlar a nossa própria vida, mantendo as rédeas até seu último instante e garantindo até mesmo situações posteriores a ela mesma?  Que domínio podemos ter sobre a própria morte?  Qual a melhor maneira de se despedir da vida?  E como nossas decisões podem afetar os outros?  Que direito temos de levá-los a compartilhar de nossos desejos fúnebres?  Quais são esses limites?

Essa pode ser uma discussão de caráter filosófico, mas comporta também coisas bem prosaicas.  Uma delas: com quem ficaria meu cachorro, velho e grande amigo, que vai sentir muito a minha falta?  Isso exige uma cuidadosa seleção de a quem caberiam esses cuidados na minha ausência, na falta de um sucessor, digamos, natural.

Não escolhi esse exemplo à toa.  “Truman”, o título do filme, é o nome do cachorro em questão, o que mostra sua importância para a trama.  O papel cabe ao cão Troilo, que tem o privilégio de ter como parceiros de desempenho dois atores magníficos.




Ricardo Darín é um dos mais talentosos atores de cinema na atualidade.  Não só do cinema argentino, mas do mundial. O espanhol Javier Cámara tem uma expressividade e um senso de humor que lhe permitem construir personagens cheios de humanidade e sutileza.  O convívio de ambos na telona é impactante.

O diretor tem especial interesse em mostrar questões humanas num nivel mais complexo, inesperado, surpreendente, algumas vezes constrangedor. E o faz mesclando drama e humor de forma muito eficiente.




Em  2012, Cesc Gay dirigiu “O Que os Homens Falam”, ótimo filme, que também contou com a participação de Ricardo Darín e Javier Cámara no elenco.  Mas eles não contracenavam no mesmo episódio.  O roteiro original coube ao diretor e seu parceiro também em “Truman”, Tomás Aragay. Parcerias bem sucedidas que se repetem.


“Truman” foi o grande vencedor da 30ª. edição do Prêmio Goya (O Oscar espanhol).  Levou nada menos que os prêmios de melhor filme, diretor, roteiro original e para os atores, protagonista e coadjuvante. Além de prêmios em outros festivais, como o de San Sebastian, pela atuação de Ricardo Darín.


  

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