sexta-feira, 17 de julho de 2026

A DIVINA SARAH BERNHARDT

 Antonio Carlos Egypto




A DIVINA SARAH BERNHARDT (Sarah Bernhardt, La Divine). França, 2024.  Direção: Guillaume Nicloux.  Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar, Pauline Étienne.  98 min. 

 

Sarah Bernhardt (1844-1923), francesa, considerada a atriz mais importante da história do teatro mundial, é também a primeira celebridade global.  Claro que não estou usando o conceito atual de celebridade, que desconsidera o mérito, o talento, focando-se na simples exposição midiática.  Aqui sobra talento e importância artística.  Mas Sarah sabia vender seu trabalho, procurava ser reconhecida e aplaudida em todas as partes do mundo, viajando sem cessar, buscando valorização e reconhecimento, consciente de seus próprios méritos. Até mesmo se autoelogiando quando falava de si.  Tinha um leque amplíssimo de contatos, como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Émile Zola, Sigmund Freud, entre eles.

 

“A Divina Sarah Bernhardt” é um drama biográfico que explora o perfil dessa mulher-artista icônica, a partir do reconhecimento de seu brilho, muito bem ressaltado pela performance notável da atriz Sandrine Kiberlain.

 

O filme destaca passagens fundamentais da vida dessa lenda do teatro, que mostra uma mulher muito à frente de seu tempo, vivendo e defendendo a liberdade de pensamento e o amor livre, por exemplo.

 


Dá ênfase à trágica amputação da perna direita, em 1915, como consequência de uma queda no Rio de Janeiro, durante a ópera “Tosca”, em 1905.  Aliás, o filme começa por aí.

 

Focaliza os eventos que envolveram o Jubileu de 1896, em homenagem à artista, em Paris.  Outro ponto de relevância é o relacionamento amoroso com o ator Lucien Guiltry, que mexia com Sarah de forma total e absoluta. Ela era intensa emocionalmente em tudo o que fazia.  Até na rispidez com que, por vezes, tratava colaboradores ou em seus laivos autoritários.

 

Amarrando esses momentos cruciais da vida e da carreira de Sarah Bernhardt, o filme consegue passar um clima de grandiosidade, que faz jus à figura da grande atriz do  século XIX e do começo do XX.  O pioneirismo dela aparece por todo canto.  Numa cena, uma mulher, fã da atriz, pede para que ela escreva e assine o próprio nome, para guardar como lembrança.  O que surpreende Sarah Bernhardt.  Estava criado o autógrafo, símbolo do reconhecimento do artista por seus admiradores. 

 

Do ponto de vista cinematográfico, “A Divina Sarah Bernhardt” não inova em nada.  É uma boa realização de caráter acadêmico.  Que, entretanto, alcança seus objetivos em termos de comunicação, espetáculo e entretenimento.




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