Antonio Carlos Egypto
A DIVINA SARAH BERNHARDT (Sarah Bernhardt, La Divine). França, 2024. Direção: Guillaume Nicloux. Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte,
Amira Casar, Pauline Étienne. 98
min.
Sarah Bernhardt (1844-1923), francesa, considerada a atriz mais
importante da história do teatro mundial, é também a primeira celebridade
global. Claro que não estou usando o
conceito atual de celebridade, que desconsidera o mérito, o talento, focando-se
na simples exposição midiática. Aqui
sobra talento e importância artística.
Mas Sarah sabia vender seu trabalho, procurava ser reconhecida e
aplaudida em todas as partes do mundo, viajando sem cessar, buscando
valorização e reconhecimento, consciente de seus próprios méritos. Até mesmo se
autoelogiando quando falava de si. Tinha
um leque amplíssimo de contatos, como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Émile Zola,
Sigmund Freud, entre eles.
“A Divina Sarah Bernhardt” é um drama biográfico que explora o perfil
dessa mulher-artista icônica, a partir do reconhecimento de seu brilho, muito
bem ressaltado pela performance notável da atriz Sandrine Kiberlain.
O filme destaca passagens fundamentais da vida dessa lenda do teatro, que
mostra uma mulher muito à frente de seu tempo, vivendo e defendendo a liberdade
de pensamento e o amor livre, por exemplo.
Dá ênfase à trágica amputação da perna direita, em 1915, como
consequência de uma queda no Rio de Janeiro, durante a ópera “Tosca”, em
1905. Aliás, o filme começa por aí.
Focaliza os eventos que envolveram o Jubileu de 1896, em homenagem à
artista, em Paris. Outro ponto de
relevância é o relacionamento amoroso com o ator Lucien Guiltry, que mexia com
Sarah de forma total e absoluta. Ela era intensa emocionalmente em tudo o que
fazia. Até na rispidez com que, por
vezes, tratava colaboradores ou em seus laivos autoritários.
Amarrando esses momentos cruciais da vida e da carreira de Sarah
Bernhardt, o filme consegue passar um clima de grandiosidade, que faz jus à
figura da grande atriz do século XIX e do
começo do XX. O pioneirismo dela aparece
por todo canto. Numa cena, uma mulher,
fã da atriz, pede para que ela escreva e assine o próprio nome, para guardar
como lembrança. O que surpreende Sarah
Bernhardt. Estava criado o autógrafo,
símbolo do reconhecimento do artista por seus admiradores.
Do ponto de vista cinematográfico, “A Divina Sarah Bernhardt” não inova
em nada. É uma boa realização de caráter
acadêmico. Que, entretanto, alcança seus
objetivos em termos de comunicação, espetáculo e entretenimento.


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