terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

LIVING THE LAND


                                      Antonio Carlos Egypto

 


LIVING THE LAND (Sheng Xi Zhi Di).  China, 2025.  Direção: Huo Meng.  Elenco: Wang Sang, Zhang Yanrong, Zhang Chuwen.  130 min.

 

O filme “Living the Land” do cineasta chinês Huo Meng, em seu segundo longa, é uma obra cinematográfica refinada pela beleza das imagens, fotografia, uso das cores vivas, bom aproveitamento das locações e pelo enquadramento das ações, sendo que a maior parte delas envolve muitos personagens em deslocamento.

 

A obra focaliza uma pequena comunidade rural tradicional chinesa, em suas múltiplas e variadas ações produtivas de sobrevivência, mas no momento em que as mudanças socioeconômicas do país o levam aceleradamente para a modernidade: os anos 1990.  Recheada de personagens típicos das pequenas vilas, com seus problemas, conflitos, dificuldades, preconceitos, mas que formam uma liga afetiva, praticamente familiar.  Consequentemente, o controle social dos comportamentos é muito intenso.

 

Em tempos de fortes mudanças, as novas tecnologias e as novas diretrizes econômicas e sociais alteram radicalmente a vida de todos e o caminho natural é ir para a cidade, em busca de novas oportunidades.  Uma questão muito mais de sobrevivência do que da própria busca por uma vida melhor.

 


O filme nos coloca numa imersão na vida em comunidade e nas transformações que vão ocorrendo, afetando as pessoas.  Mostra também a história de personagens representativos na figura das crianças que ficam, mas precisam partir para existir no novo modo de vida chinês.  Apesar disso, os personagens não são desenvolvidos ou aprofundados.  É o seu conjunto em ação que funciona como protagonista.  Ou seja, o protagonista é a comunidade.  É nesse sentido um filme sociológico.  Ilumina a sociedade, as pessoas são peça e consequência do coletivo. 

 

Vamos ouvir um pouco do que diz o diretor Huo Meng: “Eu queria retratar como, quando políticas sociais coletivistas colidiram com tradições moldadas ao longo de milênios, as pessoas foram forçadas a se adaptar de maneiras que desafiaram seu próprio modo de vida” e acrescenta: “Também senti que era importante retratar as imensas pressões que as mulheres enfrentaram... que deixaram danos duradouros e irreversíveis”.

 

As personagens femininas são muito claramente as mais afetadas por todo o processo que subverte a vida familiar tradicional.  Isso tudo se percebe ao longo da narrativa que, apesar dessas palavras do cineasta, é leve, respeitosa e sem julgamento ou moralismo.  O que é, sem dúvida, um mérito do realizador.

 

“Living the Land” venceu o Urso de Prata de melhor diretor em Berlim e recebeu muitas críticas elogiosas mundo afora.  E é, de fato, um belíssimo filme.





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