sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

2 FILMES

 Antonio Carlos Egypto

 


 

A ÚNICA SAÍDA (Eojjeol  Suga Eopda).  Coreia do Sul, 2025.  Direção: Park Chan-wook.  Elenco: Lee Byung-hun, Son Ye-jin, Park Hee-soon, Lee Sung-min, Cha Seung-won.  139 min.

 

A Única Saída”, de Park Chan-wook, baseado no romance The Ax, de Donald E. Westlake, de 1997, é uma nova filmagem do mesmo romance que havia dado origem ao filme “O Corte”, de Costa Gavras, em 2005.

 

“O Corte”, até onde me lembro, era uma comédia discreta e realista, que denunciava os cortes empresariais abruptos derivados das mudanças organizacionais que deixavam ao desespero os desempregados, a ponto de fazerem o que seria até impensável: eliminar fisicamente os concorrentes.

 

Essa mesma trama, enfatizando mais a questão tecnológica, é o mote propulsor do filme “A Única Saída”, mas aqui a comédia é rasgada, cheia de trapalhadas, em que se sobressai a dificuldade que é matar alguém e como é complicado efetuar a ação.  Hitchcock já abordou isso em vários filmes dele.  Afinal, matar é difícil, não só pela falta de coragem, destreza ou plano mal realizado, mas por questões morais.  E também pela dificuldade objetiva da realização.

 

O filme não brilha pela profundidade de proposta, nem pelo humor escrachado, sendo uma realização apenas mediana.  Mas tem um grande mérito: o seu impacto final, que não só é inteligente e motivador de debates como compõe uma sequência muito bem realizada visualmente.  Será preciso que você curta o filme até o final para aproveitar isso.

 

“A Única Saída” teve indicações ao Globo de Ouro.  Não conseguiu nenhuma indicação ao Oscar, embora estivesse concorrendo.

 

 


 

DOIS PROCURADORES (Zwei Staatsanwälte).  Europa, 2025.  Direção: Sergey Loznitsa.  Elenco: Alexander Kuznetsov, Anatoly Beily, Dimitrius Denisiukas.  118 min.

 

O filme do grande diretor ucraniano Sergey Loznitsa remete à União Soviética, no ano de 1937, sob o domínio de Stalin.

 

Mostra os próprios presos do regime sendo destacados para queimar uma montanha de pedidos e reclamações dirigidos ao próprio Stalin e à máquina policial e judiciária da época. Uma dessas manifestações, escrita a sangue por um prisioneiro, não foi destruída e acabou chegando à promotoria de justiça.

 

O promotor recém-formado, iniciante na profissão, Kornyev, vai em busca de realizar o seu papel e investigar o que se passa com o prisioneiro.  Vê o que acontece na prisão e, com dificuldade, tem acesso reservado ao tal prisioneiro e percebe que será bem difícil atuar nessa missão.  Mas persiste.  Consegue chegar ao Promotor Geral, em Moscou, e aí descobre como as coisas estavam acontecendo no regime comunista stalinista.

 

O filme é bem realizado, numa narrativa clássica, que é adequada à exposição dos fatos e situações da trama.

 

A produção envolve diversos países europeus. Já está em pré-estreia no cinema, mas chegará ao circuito no dia 05 de fevereiro de 2026.



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