A ÚNICA SAÍDA (Eojjeol Suga Eopda). Coreia do Sul, 2025. Direção: Park Chan-wook. Elenco: Lee Byung-hun, Son Ye-jin, Park
Hee-soon, Lee Sung-min, Cha Seung-won.
139 min.
“A Única Saída”, de Park Chan-wook, baseado no romance The Ax, de Donald E. Westlake, de 1997,
é uma nova filmagem do mesmo romance que havia dado origem ao filme “O Corte”,
de Costa Gavras, em 2005.
“O Corte”, até onde me lembro, era uma comédia discreta e realista, que
denunciava os cortes empresariais abruptos derivados das mudanças
organizacionais que deixavam ao desespero os desempregados, a ponto de fazerem
o que seria até impensável: eliminar fisicamente os concorrentes.
Essa mesma trama, enfatizando mais a questão tecnológica, é o mote
propulsor do filme “A Única Saída”, mas aqui a comédia é rasgada, cheia de
trapalhadas, em que se sobressai a dificuldade que é matar alguém e como é
complicado efetuar a ação. Hitchcock já
abordou isso em vários filmes dele.
Afinal, matar é difícil, não só pela falta de coragem, destreza ou plano
mal realizado, mas por questões morais.
E também pela dificuldade objetiva da realização.
O filme não brilha pela profundidade de proposta, nem pelo humor escrachado,
sendo uma realização apenas mediana. Mas
tem um grande mérito: o seu impacto final, que não só é inteligente e motivador
de debates como compõe uma sequência muito bem realizada visualmente. Será preciso que você curta o filme até o
final para aproveitar isso.
“A Única Saída” teve indicações ao Globo de Ouro. Não conseguiu nenhuma indicação ao Oscar,
embora estivesse concorrendo.
DOIS PROCURADORES (Zwei
Staatsanwälte). Europa, 2025. Direção: Sergey Loznitsa. Elenco: Alexander Kuznetsov, Anatoly Beily,
Dimitrius Denisiukas. 118 min.
O filme do grande diretor ucraniano Sergey Loznitsa remete à União
Soviética, no ano de 1937, sob o domínio de Stalin.
Mostra os próprios presos do regime sendo destacados para queimar uma
montanha de pedidos e reclamações dirigidos ao próprio Stalin e à máquina
policial e judiciária da época. Uma dessas manifestações, escrita a sangue por
um prisioneiro, não foi destruída e acabou chegando à promotoria de justiça.
O promotor recém-formado, iniciante na profissão, Kornyev, vai em busca
de realizar o seu papel e investigar o que se passa com o prisioneiro. Vê o que acontece na prisão e, com
dificuldade, tem acesso reservado ao tal prisioneiro e percebe que será bem
difícil atuar nessa missão. Mas persiste. Consegue chegar ao Promotor Geral, em Moscou,
e aí descobre como as coisas estavam acontecendo no regime comunista
stalinista.
O filme é bem realizado, numa narrativa clássica, que é adequada à
exposição dos fatos e situações da trama.
A produção envolve diversos países europeus. Já está em pré-estreia no
cinema, mas chegará ao circuito no dia 05 de fevereiro de 2026.


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