segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O ÍDOLO


Antonio Carlos Egypto





O ÍDOLO (Ya Tayr El Tayer).  Palestina, 2015.  Direção: Hany Abu-Assad.  Com Tawfeek Barhorn, Kais Attalah, Hiba Attalah.  100 min.



“O Ídolo” é uma produção palestina que conta com o apoio de vários outros países, como Reino Unido, Holanda, Catar e Emirados Árabes.  O diretor Hany Abu-Assad, palestino da cidade de Nazaré, já realizou um belíssimo trabalho que foi exibido por aqui: o filme “Paradise Now”, de 2005, vencedor do Globo de Ouro de filme estrangeiro e premiado em Berlim.  Mostra os preparativos que realizam dois “homens-bomba” suicidas palestinos, com suas convicções e suas dúvidas.  Um libelo pela paz, um trabalho que provoca, incomoda e tenta entender e explicar o que parece incompreensível.

“O Ídolo” é um filme mais simples, mais singelo.  Mas muito capaz de nos envolver na improvável, mas verídica, história do cantor Mohammed Assaf, morador da Faixa de Gaza, que venceu o concurso Arab Idol, em 2013, o equivalente árabe do American Idol, copiado também por aqui.




Parece pouco para provocar em nós emoções intensas.  No entanto, o que o cineasta nos mostra é a opressão que atinge os palestinos em Gaza, dependendo das permissões israelenses para se locomover e convivendo com os verdadeiros escombros em que se transforma o seu ambiente bombardeado, semidestruído.

Crianças e jovens, mesmo vivendo em condições adversas e de restrição de liberdade, se encantam com a música, formam bandas, cantam e têm sonhos que ultrapassam em muito a restritiva vida que levam. Quando alguém se distingue por um talento especial, como uma rara habilidade vocal para o canto, um concurso como o Arab Idol pode funcionar como saída para voos antes inimagináveis. 




De fato, Mohammed Assaf passará a brilhar com a música no mundo árabe e se tornará um ídolo real, não apenas de um programa televisivo.  Grande parte do seu sucesso virá da necessidade de um povo oprimido ser ouvido, mostrar que existe, que pode vencer, triunfar.  É isso que faz dessa uma história cativante, não tanto a batalha pela superação das dificuldades, o que vem sendo muito explorado pelo cinema.

A arte como meio de expressão, no caso, a música, que transcende o cotidiano e alcança repercussão inesperada e significados surpreendentes, é o que “O Ídolo” mostra melhor.  Ir ao Egito, chegar às finais do tal programa no Líbano, receber uma torcida entusiasmada, tomando as ruas na Palestina e em outras partes do mundo árabe, gerou uma expectativa inusitada de que a bela voz de um jovem que canta possa transformar o mundo.  Ainda que seja uma grande ilusão, é bonito poder acreditar nisso.

O filme tem um bom elenco, além de boa música, um pouco diferente do que estamos acostumados a ouvir, mas bem bonita. 



            

Nenhum comentário:

Postar um comentário