quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Homem que Mudou o Jogo


Tatiana Babadobulos

O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball). Estados Unidos, 2011. Direção: Bennett Miller. Roteiro: Steven Zaillian e Aaron Sorkin. Com: Brad Pitt, Robin Wright, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman. 133 minutos.


“O Homem que Mudou o Jogo” (“Moneyball”) é mais um filme que tem o esporte como enredo, mas não é o foco. A trama gira em torno do beisebol, esta modalidade pouco conhecida pelos brasileiros, mas um dos esportes favoritos dos norte-americanos. A fita é baseada na história real de Billy Beane (Brad Pitt, de “Bastardos Inglórios“), um astro promissor do beisebol que transferiu sua natureza competitiva na carreira de general manager (uma espécie de dirigente, para falar no idioma futebolístico).

Com orçamento modesto, seu time, o Oakland A’s, perdeu todos os seus grandes astros para clubes milionários. Sendo assim, precisa reconstruir a equipe, bem como mudar a cabeça dos atletas, de modo a vencer com um terço da folha de pagamentos deles. Para tanto, Billy contrata Peter Brand (Jonah Hill), um economista com talento para estatísticas. E será assim, com a matemática, que os dois pretendem mudar o jogo e, claro, vencer.



Baseado no livro homônimo de Michael Lewis (com roteiro de Steven Zaillian, de “A Lista de Schindler”, ao lado de Aaron Sorkin, de “A Rede Social”), o diretor Bennett Miller (“Capote”) não faria um filme sobre derrotas, certo? Partindo desse princípio, já se sabe, logo de cara, qual é o final. Mas é o caminho que será percorrido para chegar ao sucesso que pode interessar ao espectador.

Entre lições de estatística, combinações inimagináveis e que poderiam ser aplicadas em outras modalidades populares, como o futebol, “O Homem que Mudou o Jogo” não é um filme que impressiona. Ao contrário. É um longa comum, que trata de confiança, superação e sucesso, que faz o responsável pelo caminho a ser galgado pelo time pensar diferente, ir pela borda a fim de se destacar, além de contrariar o experiente treinador (Philip Seymour Hoffman, de “Tudo Pelo Poder”).

No mínimo, uma boa inspiração, com direito ao colírio que atende pelo nome de Brad Pitt. Ele, aliás, é mais que um rosto bonito em Hollywood. Pitt concorre, mais uma vez, ao Oscar de Melhor Ator. No Globo de Ouro, perdeu para o amigo George Clooney, em “Os Descendentes”.

A fita concorre também nas categorias Edição, Mixagem de Som, Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A DAMA DE FERRO

Antonio Carlos Egypto


A DAMA DE FERRO (The Iron Lady). Inglaterra, 2011. Direção: Phyllida Lloyd. Com Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard Grant, Harry Lloyd, Anthony Head. 105 min.

“A Dama de Ferro” é uma biografia cinematográfica de Margaret Thatcher. Primeira-Ministra britânica, de 1979 a 1990, coordenou com inflexibilidade e rígidos princípios liberais-capitalistas, o governo inglês. Primeira mulher a alcançar tal posição de poder no Reino Unido (excluída a monarquia, naturalmente), não deixou saudades para seu povo, que sofreu as agruras de sua ação política, principalmente com o desemprego e a ausência de preocupações sociais. A elite comemorava os sucessos econômicos e a era de privatizações, enquanto os efeitos da globalização penalizavam mais a população.

Por que se dedicar a contar a história desse personagem? Muitos talvez desejassem esquecê-la de vez. Em todo caso, é uma figura importante da história inglesa recente. E registrar essa trajetória tem um significado para a memória histórica da Grã-Bretanha. Não tem o charme dos reis e rainhas que costumam agradar aos ingleses, e ao mundo, quando retratados pelo cinema, mas, enfim, cabe o registro.

A ex-Primeira-Ministra Thatcher, hoje com 86 anos, já está há um bom tempo retirada da cena pública, não só pela aposentadoria, mas principalmente por um quadro de demência que a incapacita. Embora, segundo o filme, lhe reste um tanto de lucidez, ainda.

“A Dama de Ferro” parte do estágio atual de Thatcher, para que ela rememore sua história, entremeada por alucinações, em que contracena com seu marido morto em 2003, Denis. O fato de mostrá-la idosa e frágil acaba por atenuar os traços altamente autoritários e sua vasta insensibilidade social. É inevitável que a gente sinta pena dessa senhora, apesar de tudo o que o seu governo conservador produziu em seu período de poder.

Essa escolha mostra uma simpatia com tal personagem que, na verdade, não me parece merecedor disso. Os muito conservadores talvez discordem, mas a marca da sra. Thatcher no poder foi nefasta, para o povo britânico e para o contexto mundial. O filme, nos flash- backs que contam a história, mostra os conflitos e a reação popular, sem se deter nas causas e efeitos das políticas, nem passar a emoção da revolta popular.

Quando o próprio Partido Conservador se volta contra ela e a destitui de sua liderança, a narrativa mostra que isso se deveu muito mais a um incidente em que ela foi grosseira e ríspida com um membro importante do governo e do partido, do que ao esgotamento de sua política, que acabou produzindo rejeição até entre os conservadores. O fato destacado pelo filme pode ter sido a gota d’água, não mais do que isso.


“A Dama de Ferro” dedica bastante tempo a apresentar a decisão firme de Thatcher em bancar a guerra contra os argentinos nas Falklands/Malvinas que, ao unir os ingleses contra o inimigo comum, reforçou o senso patriótico e disso ela se aproveitou para reverter um quadro impopular. Ou seja, um momento forte, e de vitória, ganha mais espaço do que as críticas produzidas ao longo de mais de uma década de poder.

Valorizar a conquista do poder pelas mulheres pode ter grande significado se e quando a mulher leva sua sensibilidade para a gerência do Estado e para a consecução de políticas públicas de avanço social e combate à desigualdade, por exemplo. Margaret Thatcher, ao contrário, foi uma mulher que exerceu o poder do jeito masculino mais tradicional. Pior até do que os homens, mais inflexível e dura do que eles. Não por acaso, ficou conhecida como a dama de ferro. Foi o jeito que encontrou para se impor aos próprios homens, ao seu partido, ao país e ao mundo. Não há motivos para comemorações, no entanto.

Vale a pena ver “A Dama de Ferro”, se você concorda minimamente comigo em que não se trata de uma figura a festejar? Talvez, se você quiser se informar sobre o assunto, por meio do cinema, ou ver um desempenho notável de atriz. Meryl Streep, novamente indicada ao Oscar, não é novidade para ninguém, é capaz de interpretações inesquecíveis dos mais diversos e variados personagens. Ela é tão boa no papel que pode acabar convencendo o público de que a sra. Thatcher era bem melhor e mais humana do que de fato ela era. Não que ela não passe a dureza daquela mulher, mas é que o filme se centra muito mais no seu período presente, da demência e debilidade. Meryl Streep faz essa fase muito bem e comove, o que é um perigo. Pode vender gato por lebre.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O ARTISTA

Antonio Carlos Egypto



O ARTISTA (The Artist). França, 2011. Direção: Michel Hazanavicius. Com Jean Dujardin, Berenice Bejo, John Goodman, James Cromwell. 100 min.


Fevereiro de 2012. A premiação do Oscar está chegando e os cinemas se apressam em lançar todos os filmes indicados ao galardão máximo da indústria, de olho na bilheteria. O público geralmente corresponde. Um dos favoritos deste ano é “O Artista”, que já levou o prêmio de ator em Cannes, 3 Globos de Ouro, prêmios da crítica em Nova York e Londres, indicação ao Bafta.

Começa a projeção: o filme é em preto e branco, mudo, com intertítulos. Só falta o acompanhamento musical ao vivo, para voltarmos ao ano em que começa a ação: 1927. Como naquele tempo, os atores e seus personagens bem que tentam falar, a câmera até põe em primeiro plano bocas falando. Que tal tentar leitura labial? Não, não é possível ouvi-los, num filme silencioso. Mas a música já não está fora da película, como naquele tempo, acompanha cada plano de “O Artista”. E é uma bela trilha sonora.

A produção é francesa, assim como o diretor, Michel Hazanavicius. Mas o filme é sobre Hollywood, seu glamour, seus astros e estrelas do tempo do cinema mudo. E o que aconteceu com eles, quando adveio o cinema sonoro.


O artista em questão é George Valentin (Jean Dujardin), uma mistura de Douglas Fairbanks com Rodolfo Valentino, que está no Olimpo e não imagina que algo possa tirá-lo de lá. É amado, venerado pelas fãs, tem um sorriso largo e teatral, de quem domina o ambiente. Lembrando Charlie Chaplin, se nega a fazer filmes sonoros, preferindo continuar com os silenciosos. Mas a tecnologia será irreversível e, se necessário, engolirá grandes talentos. Assim como produzirá novas estrelas, como Peppy Miller (Berenice Bejo), ex-fã e candidata a atriz, que se dá bem com o cinema sonoro e vira estrela, enquanto o astro decai. Só que rola uma química amorosa entre eles, o que acabará por unir, na trama, os dois momentos marcantes do cinema: o auge do mudo e o sucesso avassalador do cinema falado.

Não há muita novidade nessa narrativa. “Cantando na Chuva”, de Stanley Donen e Gene Kelly, de 1952, já havia contado tudo isso num musical dos mais brilhantes da história do cinema. Só que, ali, o filme era feito com todos os recursos da época, inclusive a cor e o som, sem disfarces.

Em “O Artista”, simula-se um filme a la final dos anos 1920. Conta-se a história, procurando fazê-lo do modo como ela seria contada na época em que ocorre. É como se. Evidentemente, os recursos atuais do
cinema estão lá, mas procura-se criar um clima que remete àquele passado.

Duas cenas, pelo menos, nos trazem de volta ao presente cinematográfico. Peppy Miller se abraça ao casaco pendurado do astro e uma mão sai da manga e a acaricia. Em outro momento, George Valentin tenta falar e não é ouvido, mas todos os outros sons do camarim são ouvidos, como algo que bate ou cai, por exemplo.


Chamam a atenção as boas performances dos protagonistas, mas quem encanta a plateia é mesmo um cachorrinho sensacional, amigo inseparável de Valentin, e que tem papel decisivo na história.

“O Artista” faz uma homenagem ao cinema mudo, sua maneira de representar e contar histórias, reverenciando Hollywood, a sua fábrica de sonhos. Homenageia especialmente o cinema de entretenimento, embora reverencie também o seu lado artístico. Que é diferente do expressionismo alemão, que dominou a cena cinematográfica da década de 1920, com obras de grande porte. Havia também a comédia muda, centrada na ação física, de gente como Charlie Chaplin, Buster Keaton, o Gordo e o Magro, e era uma vertente diferente da dos romances, westerns e aventuras do tipo capa e espada. Sem falar nos filmes históricos ou policiais. Os gêneros cinematográficos foram se estabelecendo e se consolidando.

O cinema silencioso era um universo extremamente rico e variado. Voltar a ele, para relembrá-lo, é cultivar a história do cinema, uma arte que se impôs, evoluiu com tamanha rapidez e alcançou um significado cultural que seus pioneiros mal poderiam imaginar. A lembrança é oportuna, até surpreende que o filme tenha tido apoio para ser realizado e que se destaque dessa maneira. Deve ter deixado perplexo até mesmo o ousado diretor francês que o concebeu.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas


Tatiana Babadobulos

Histórias Cruzadas (The Help). Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Índia, 2011. Direção e roteiro: Tate Taylor. Com: Emma Stone, Viola Davis e Octavia Spencer. 146 minutos.

No interior dos Estados Unidos dos anos 1960, uma garota da alta sociedade, ao se formar na faculdade, resolve fazer uma denúncia sobre o preconceito entre as patroas (brancas) e as empregadas (negras). Grosso modo, esse é o resumo de “Histórias Cruzadas” (“The Help”), longa-metragem que estreia nesta sexta, 3.

Skeeter (Emma Stone, de “Amizade Colorida”) é a tal garota, aspirante a escritora, que negocia com uma editora a publicação do livro com depoimentos das empregadas, cujo gancho é: se elas são capazes de criar os seus filhos, por que não podem usar os seus banheiros? A elas são reservados os do lado de fora da casa onde vivem e o papel higiênico é controlado, é claro.

No início, Skeeter começa a trabalhar como secretária de uma redação e precisa responder as dúvidas das leitoras acerca dos afazeres domésticos. Para isso, conta com a ajuda de Aibileen (Viola Davis), empregada da sua melhor amiga. Então, as outras governantas, como Minny (Octavia Spencer), começam a se abrir e a história vai ganhando corpo, depoimentos reais e alívio pelo desabafo dos maus tratos.

O longa, escrito e dirigido por Tate Taylor (que até então era mais conhecido como ator em “Inverno da Alma”, por exemplo), é baseado no best-seller homônimo de Kathryn Stockett.

No início, as apresentações vão sendo feitas e o espectador vai se colocando no lugar das personagens. Naquela sociedade, na qual as mulheres são “feitas para casar” e mandar na criadagem, Skeeter está fora do contexto, já que nunca arrumou um namorado, mesmo aos 23 anos. E a sua mãe (Allison Janney) fica inventando o que fazer para ela finalmente se casar. Mas ela não quer, está bem sozinha. Embora o foco seja no preconceito e o lado fraco é das governantas negras, o longa dá conta de mostrar também como vivem as fúteis “madames”. O banheiro é a alegoria, claro, já que às negras não são permitidas muitas outras coisas.



O tema não é inédito, é verdade, já que o preconceito já foi muito discutido no cinema. Só Clint Eastwood fez dois recentemente: “Gran Torino” e “Invictus”. Mas “Histórias Cruzadas” é cheio de emoção sem excesso, como “Um Sonho Distante”. E, ainda que a situação seja ambientada nos anos 1960, muitas das situações que vemos ali poderiam ter acontecido na semana passada.

As interpretações das atrizes, são realmente boas, convencem bem o espectador. Não é  à toa que, entre as quatro indicaçõs ao Oscar, três são para elas: Melhor Atriz (Viola Davis) e Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain e Octavia Spencer). Destaque principalmente para Octavia, que já ganhou o Globo de Ouro. Viola também está ótima no papel, mas, no Oscar, terá de disputar com Meryl Streep, em “Dama de Ferro”, que também ganhou o Globo de Ouro. No SAG (Screen Actors Guild), prêmio dos sin­di­ca­tos dos ato­res de Hollywood entregue na semana passada, Viola venceu e desbancou a favorita. A quarta indicação é Melhor Filme.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AS PRAIAS DE AGNÈS

Antonio Carlos Egypto


AS PRAIAS DE AGNÈS (Les Plages d’Agnès). França, 2008. Direção: Agnès Varda. Documentário. 100 min.

Agnès Varda, nascida em Bruxelas em 1928, onde passou sua infância, é uma cineasta considerada precursora do famoso movimento da nouvelle vague do cinema francês. Seu filme “La Pointe Courte”, de 1954, é geralmente citado nesse sentido. Nos anos 1960, dois filmes marcaram a direção cinematográfica de Varda como verdadeiras obras-primas: “Cleo das 5 às 7”, de 1962, e “As Duas Faces da Felicidade”, de 1965.

Agnès alternou seu trabalho no cinema entre a ficção e o documentário e, casada com o famoso cineasta Jacques Demy, dedicou-se à memória da obra que ele realizou, a partir da morte dele, em 1990. De Jacques Demy, vale a pena lembrar-se dos encantadores “Os Guarda-Chuvas do Amor”, de 1960, “Pele de Asno”, de 1971, além de “Lola, a Flor Proibida”, de 1960, entre outros.

Agnès Varda e Demy viveram uma história de amor admirável e isso está muito evidente neste magnífico “As Praias de Agnès”, que está sendo exibido nos cinemas com atraso em relação à sua produção. Mas não é só isso o que se destaca. A figura de Varda e sua trajetória pelo mundo da arte e do comportamento humano e político é notável.

Ela se retrata nesse documentário, justapondo suas crenças, preocupações, o seu jeito de ser e de lidar consigo mesma e com o mundo, à fotografia que marcou sua vida, aos seus filmes, aos seus familiares e às suas praias. Segundo ela, “Se você abrir uma pessoa, irá achar paisagens. Se me abrir, irá achar praias”. E belas imagens ligadas a praias concretizam essa ideia. A começar pelos grandes espelhos que ela põe para contracenar com o mar, a areia e as pessoas, criando logo de início um impacto visual belíssimo.

Fotos maravilhosas mostram que sua atuação profissional como fotógrafa, antes mesmo do cinema ou junto com ele, foi excepcional. O uso das fotos para ir revelando uma trajetória de vida e de atuação marcantes no mundo é perfeito.



O jeito doce dessa senhora, diretora de cinema, revela ao mesmo tempo sua determinação revolucionária, inovadora, sua concepção plástica da vida e a força da questão feminista na sua história. Ela termina por nos mostrar, a partir de uma instalação artística montada com películas, que o cinema é a sua casa. Na verdade, as expressões artísticas é que são a sua casa. Ali ela se move com uma desenvoltura admirável. Faz da arte, com seu extremo bom gosto e criatividade, seu guia para se relacionar com lembranças passadas, com sua infância e meninice, com seus amores e amigos, com suas lutas políticas, com sua família, cuja ligação aparece forte no filme, além da sua insuperável ligação com Jacques Demy. Essa ligação é também um vínculo que ela estabelece entre a arte, a doença e a morte. Com extrema delicadeza, nos introduz nos sofrimentos da Aids e no declínio físico progressivo de Jacques Demy e uma vez mais nos emociona.

“As Praias de Agnès” é um filme de uma riqueza de imagens e sentimentos raramente alcançada em documentários ou autobiografias. É que Agnès Varda é uma mulher muito especial e admirável. Isso o espectador capta vendo esse seu filme desde os primeiros planos mostrados, de suas praias.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres


Tatiana Babadobulos

Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo). Estados Unidos, Suécia, Reino Unido e Alemanha, 2011. Direção: David Fincher. Roteiro: Steven Zaillian. Com: Daniel Craig, Rooney Mara e Christopher Plummer. 158 minutos.




“Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (“The Girl with the Dragon Tattoo”) é um livro, que já foi filmado na Suécia, em 2009, mas agora ganhou uma refilmagem, nos Estados Unidos. Com direção de David Fincher (“A Rede Social”, “Clube da Luta”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”), o longa-metragem ganha movimento principalmente no início, tal como o filme que lhe rendeu indicação ao Oscar, no ano passado. Mas lá pelas tantas desacelera, mas não para em nenhum momento.

Isso porque o thriller de Stieg Larsson começa contando a história de Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um jornalista econômico que é condenado na justiça por um crime contra a honra (difamação) de um homem poderoso na Suécia. No turbilhão da mídia, ele precisa tomar uma decisão, já que a editora para qual trabalha está prestes a fechar, principalmente por conta desse tal processo. É aí que a história muda seu rumo e começam a ser inseridos elementos motivantes, do ponto de vista cinematográfico, como assassinatos, corrupção, segredos de família e dramas pessoais de dois parceiros.

Quando o jornalista é contratado por um rico industrial sueco, Henrik Vanger (Christopher Plummer), para descobrir o paradeiro de sua sobrinha Harriet, que pode ter sido assassinada por um membro da própria família, ele resolve se mudar para uma ilha naqule país, a fim de investigar o tal caso. E, quando precisa de um parceiro para ajudar com “invasão de computador”, eis que é apresentado, pela mesma pessoa que o contratou, à Lisbeth (Rooney Mara), uma jovem de aparência estranha e que vive à custa do governo, por se mostrar incapaz (!).



A trama montada por Fincher é de tirar o fôlego, principalmente em duas sequências que envolvem abuso sexual e vingança. Verdadeiramente desconfortável ao espectador. O tempo inteiro é um mistério sendo resolvido atrás do outro e só acaba quando termina. Aliás, poderia ter terminado uns 15 minutos antes. Quando Fincher estica a trama, que renderia um novo filme, perde a mão e só chateia a plateia, principalmente por tocar em um assunto um tanto piegas, quando se trata de um filme forte demais: a desilusão amorosa.

“Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” é daqueles filmes para assistir sem pestanejar, já se preparando para seguir as pistas e investigar, ao lado do protagonista, quem é o assassino. Desvendar o crime, aliás, é fácil demais. O importante é como  chegará lá, além de todo o trajeto percorrido pela garota para arrancar dinheiro do governo.

O longa-metragem, que estreia nesta sexta-feira, 27, nos cinemas, recebeu indicações ao Globo de Ouro 2012 nas categorias Melhor Atriz – Drama (Rooney Mara) e Melhor Trilha Sonora. Para o Oscar, o filme foi indicado também na categoria Atriz, além de Fotografia, e categorias técnicas: Montagem, Edição e Mixagem de Som.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

J.Edgar


Tatiana Babadobulos

J.Edgar. Estados Unidos, 2011. Direção: Clint Eastwood. Roteiro: Dustin Lance Black. Com: Leonardo DiCaprio, Armie Hammer e Naomi Watts. 137 minutos.


Depois de contar sobre a vida dos jogadores de rúgbi na África do Sul e, mais precisamente, sobre o ex-presidente daquele país, Nelson Mandela (representado brilhantemente por Morgan Freeman), em “Invictus”, novamente Clint Eastwood mexe na seara política e conta, em “J. Edgar”, a história do homem mais poderoso nos Estados Unidos, que chefiou o FBI (Federal Bureau of Investigation) por quase 50 anos.

Para o papel de J. Edgar Hoover, foi escalado o ator Leonardo DiCaprio (“A Origem”), que utilizou maquiagem pesada e um tan­to artificial para retratar a passagem do tempo, além de uma voz rouca. Esta, aliás, não é a primeira vez que DiCaprio, que ficou conhecido por sua atuação em “Titanic”, retrata uma biografia no cinema. Isso porque, com direção de Martin Scorsese, fez o papel de Howard Hughes, em “O Aviador”. Tal como Hughes, que sofria de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), seu personagem também é cheio de manias, além de ser atrapalhado com as mulheres, covarde em excesso e homossexual enrustido.

Em uma das primeiras sequências do longa, durante o encontro com Helen (Naomi Watts, de “21 Gramas”), ele mostra a ela como implantou na biblioteca a localização de livros, que pode ser catalogado e achado em segundos, com a nova técnica. E compara a tal localização com a de pessoas. “Imagine se cada cidadão do país pudesse ser identificado de maneira única com o seu próprio cartão e número, digamos, com a impressão de seus dedos. Imagine a rapidez com que os acharíamos quando cometessem um crime.” Métodos, aliás, que são utilizados até hoje em ambos os setores.

Como era “atrapalhado” com mu­lheres, e percebeu que não iria se casar com uma, contratou a mo­ça que convidou para jantar co­mo sua secretária para a vida toda.

O filme, cujo roteiro é de autoria de Dustin Lance Black (também especialista em biografia política, já que é dele o roteiro de “Milk – A Voz da Igualdade”), conta a história das leis dos Estados Unidos e a influência do chefe do FBI nesta trajetória. Ao lado do parceiro Clyde Tolson (Armie Ham­mer, de “A Rede Social”), no Bureau e na vida, Hoover vai mostrar ao mundo como se faz justiça. Na verdade, como era medroso, só chegava para prender o ladrão depois que alguém (mais corajoso) já o havia feito, e aparecia para ganhar os créditos e dar entrevistas à imprensa. Desmascarado por um jovem (Clyde), tratou de contratá-lo e ser o seu amigo. Aliás, mais do que amigo. Prometeram, um ao outro, no primeiro dia, que almoçariam e jantariam juntos diariamente…

Outra pessoa que teve muita influência em sua vida foi a mãe, aqui vivida por Judi Dench (“Notas sobre um Escândalo”).



Como o arco da história contada por Eastwood vai dos anos 1920 aos 1970, quando Hoover está chegando ao final da sua vida e da sua carreira como diretor do FBI, a direção de arte faz o seu trabalho e reconstroi a cidade, utilizando obje­tos, automóveis, além do tom sóbrio da película para fazer o espectador voltar ao tempo. E, no vai e vem da história, que mistura quando Hoover iniciou o Bureau, aos 20 anos, até os dias em que começa a ditar suas memórias e a refletir sobre sua carreira, o espectador vai e volta no tempo de maneira deliciosa, sutil, sem cansar.

Ao mesmo tempo em que East­wood resolveu retratar um herói americano, cujos procedimentos realizados por ele mudaram o país e continuam relevantes até hoje, desmascara-o, mostrando que preferia a companhia de homens a mulheres, que era mimado pela mãe e, sim, um covarde, que ganhava os louros às custas do trabalho de seus colegas.

Eastwood não recebe nenhuma indicação ao Oscar desde “Cartas de Iwo Jima” (nas categorias Melhor Filme e Diretor), em 2006, ainda que depois disso tenha feito ótimos filmes, como “Gran Torino” e “Invictos”. Este ano, passou batido pelos membros da Academia, já que o anúncio feito no dia 24 mostrou que não foi indicado a nenhuma categoria. Tampouco DiCaprio, que não é apenas um rostinho bonito produzido por Hollywood. Mas quem liga para o Oscar, quando trata-se de um belo filme, dirigido por um dos melhores?

domingo, 29 de janeiro de 2012

TOMBOY

Antonio Carlos Egypto


TOMBOY (Tomboy). França, 2011. Direção: Céline Sciamma. Com Zoé Herán, Malonn Lévana, Jeanne Disson, Sophie Cattani, Mathieu Demy. 82 min.

A identidade de gênero diz respeito à percepção que cada um de nós tem do fato de ser homem ou mulher, que nos define socialmente, e cria expectativas quanto aos mais diversos comportamentos e formas de inserção na sociedade.

Será que o simples fato de ter um corpo biológico, masculino ou feminino, garante a esperada identificação de gênero? Ou a gente aprende a ser homem ou mulher, desde a mais tenra idade talvez até o fim da vida?

É disso que se trata no filme “Tomboy”. Não que a película pretenda discutir essa questão, mas ela se atreve a mostrá-la, nascendo ainda na infância. Laure (Zoé Herán) é menina, tem 10 anos, mas se percebe, se veste e se comporta como um menino. Assume uma identidade masculina, com nome e tudo, quando a família se muda e ela/ele passa a conviver com novas amizades infantis. Mickäel, o novo menino do bairro, continua sendo Laure em casa. Mas se sente muito mais à vontade como Mickäel, exceto em algumas situações em que o corpo tem de se expor. Na hora de urinar ou de banhar-se no rio, fica um pouco mais complicado. Os seios ainda não se desenvolveram, mas, mesmo assim, é preciso uma certa ginástica para escapar da incômoda revelação que seu corpo pode oferecer aos outros. Estamos em férias, mas as aulas vão começar e aí a identidade pesa mais, desde o nome, na lista de chamada.

O conflito interno que se estabelece não é com o desejo sexual, que ainda não se consolidou, a puberdade ainda não chegou, com seus hormônios a mil. E a adolescência, sua representação psicológica e social, vai demorar um pouco para se estruturar. Talvez no Brasil já pudéssemos falar de pré-adolescência, mas na Europa há uma defasagem e no filme, claramente, o personagem principal é uma criança. O que está em jogo, portanto, é a identidade. Para Laure/Mickäel, há a fantasia de que uma escolha é possível, não compartilhada pelos pais, nem pelas outras crianças, é claro.

O que importa, no caso, é perceber o que sente e como age uma criança que vive esse questionamento da identidade de gênero. “Tomboy” é um filme simples, despretensioso, narrado linearmente, de baixo orçamento. Honesto em sua singeleza, se propõe a mostrar com respeito e delicadeza o que se passa com essas pessoas.


Ao abordar um momento infantil, acerta em cheio, porque distingue um sentimento de não identificação com seu gênero de um desejo homo, hetero ou bissexual, que é outra coisa. Ninguém deixa de ser homem, ou de querer ser homem, por desejar outro homem. Ninguém deixa de ser mulher, ou de querer ser mulher, por desejar outra mulher. Embora com frequência, no senso comum, costume-se confundir desejo e identidade. Mas são coisas muito diferentes. Compreender isso pode ajudar muitos pais, mães e educadores, a lidar melhor com tais conflitos e sentimentos.

Recomendo o filme justamente para aqueles que desejem perceber o que se passa com as pessoas que vivem em conflito de gênero. Sentir, perceber, tentar compreender o que acontece, é nisso que o filme ajuda. Ele não se preocupa em rotular, classificar ou patologizar tais atitudes. Não se fala de distúrbio, doença, desvio ou tratamento. Melhor assim.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN

Antonio Carlos Egypto


PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN (We need to talk about Kevin). Reino Unido, 2011. Direção: Lynne Ramsay. Com Tilda Swinton, Ezra Miller, John C. Reilly. 112 min.


Os fatos e situações que os espectadores de “Precisamos falar sobre o Kevin” vão acompanhar serão mostrados pela ótica de Eva (Tilda Swinton, brilhante), a protagonista do filme. Inicialmente, a veremos na guerra do tomate, encharcada de vermelho, depois, veremos que sua casa está pichada com tinta vermelha. E percebemos que algo muito intenso está por vir.

Eva é xingada e maltratada por pessoas da rua ou da vizinhança; ela se vê tensa e séria. Vai ficando claro que algo muito grave deve ter acontecido.

As imagens vão se sucedendo, sem que nada fique muito explicado. Mas uma vida familiar é mostrada: um marido, dois filhos – um jovem e uma menina. Esse jovem é o Kevin, que se verá em muitas etapas de sua evolução, sem necessariamente seguir a ordem cronológica. Como um bebê que berra, um menino soturno e turrão,um adolescente esquisito ,enfim, visto por sua mãe como um peso, um poço de maldade. De que se trata, afinal?

A mise-en-scène da diretora escocesa Lynne Ramsay explora, em frequentes primeiros planos de detalhe, restos de comida, algumas vezes jogados ou amassados, emporcalhando a casa. É evidente que algo de estranho acontece nessa casa e com essa família.


O clima de permanente tensão e dúvida toma conta do filme. Sabemos que as coisas não vão bem. Eva está acuada pelo próprio filho, que ela aparentemente ama, teme e detesta. E que não foi uma escolha sua tê-lo. A maternidade é fortemente posta em questão. Que efeito terá tido isso na criança? Explica os comportamentos hostis de Kevin, que ela vê, contrastando com um jeito mais cordial em relação ao pai?

O filme tem um clima envolvente e estranho, que seduz o espectador. Definitivamente, não estamos diante de uma situação comum e trivial. Se há algo a compreender na história, isso nunca ficará absolutamente claro. Até porque só temos a percepção de Eva e quem nos garante que o que ela percebe ocorre mesmo desse jeito? Ou melhor, inevitavelmente tudo seria visto de forma diferente pelos demais personagens envolvidos nos fatos. Pode ser pura paranoia de Eva. Nisso ficamos, até que fatos concretos, observáveis, se imporão. Ainda assim, como eles se construíram, o que significam e que papel nosso personagem principal jogou em tudo isso é algo a ser explorado.

O filme se baseia num romance best seller de Lionel Shriver, foi escolhido como melhor filme no Festival de Cinema de Londres de 2011, exibido com êxito no Festival do Rio deste ano, e agora começa sua carreira comercial nos cinemas.


É um filme intrigante, provocador, com imagens impactantes. Mas, ao contrário de muitos outros da atualidade, não se alimenta do explícito,do violento ou do meramente chocante. O impacto se dá muito mais pelo estranhamento, pelo inusitado e, apesar da aparência “suja”, nada chega a ser tão nojento como poderia ser se o diretor não escolhesse um caminho mais sutil de expor uma história que envolve grande violência, forte agressividade, hostilidades e maldades. E também rejeição, medo, ansiedade, conflitos abertos ou mantidos à sombra. Por sinal, os conflitos que ficam subentendidos ou sugeridos, são os que sustentam a narrativa e fazem dela uma interessante trama de suspense e terror psicológico, que não perde o pé da realidade dos fatos.

Não se trata de mera fantasia ou de eventos extraordinários descolados do mundo em que vivemos. Não há vampiros, lobisomens ou seres extraterrestres, apelos que já ultrapassaram qualquer limite no cinema comercial contemporâneo. É algo bem mais consistente do que isso. E que não se presta ao mero entretenimento. Deve agradar quem goste de cinema benfeito e tope enfrentar um clima de tensão e estranhamento.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim


 Tatiana Babadobulos

As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintim, The Secret of the Unicorn). Estados Unidos e Nova Zelândia, 2011. Direção: Steven Spielberg. Roteiro: Steven Moffat e Edgar Wright. Com vozes de: Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis, Simon Pegg e Nick Frost. 107 minutos.



A estreia no Brasil de “As Aventuras de Tintim” (“The Adventures of Tintin, The Secret of the Unicorn”) já vem com um “carimbo” a mais. Isso porque o longa-metragem ganhou, no domingo, 15, o Globo de Ouro na categoria Animação, deixando para traz filmes como “Operação Presente”, “Rango”, “Carros 2” e “Gato de Botas”.

A fita é baseada em três volumes do graphic novel escrito pelo belga Hergé, sobre um jovem repórter chamado Tintim e seu cachorro terrier, Milu: “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” (“The Crab With the Golden Claws”), “O Segredo do Licorne” (“The Secret of the Unicorn”) e O Tesouro de Rackham o Terrível (“Red Rackham’s Treasure”).

Embora longas de animação feitos por computador atualmente não sejam novidade nenhuma no cinema, o diretor Steven Spielberg e o produtor Peter Jackson (da trilogia “O Senhor dos Anéis”) recorreram à técnica de captura dos movimentos, campo, aliás, no qual Jackson conhece muito bem. Isso porque a mesma técnica fora usada nos três filmes dele, bem como no seu “King Kong”, além de produções de outros diretores, como “Avatar”, de James Cameron.

A técnica funciona com ajuda do ator: ao interpretar seus movimentos, sensores no seu corpo registram cada músculo e, então, transmitem ao computador de modo que, aí sim, aquele “esqueleto” possa ser vestido com a “pele” pretendida.

A aventura começa quando o repórter, com a ajuda de seu cachorro, percebe que um antigo navio contém um segredo. É aí que Tintim (Jamie Bell, de “Billy Elliot”) se vê na mira de Ivanovitch Sakharin (com voz de Daniel Craig, na versão original), porque acredita que o jornalista roubou um tesouro ligado a um velho pirata cruel chamado Rackham, o terrível. Além de Milu, Tintim segue na aventura ao lado do capitão Haddock (Andy Serkis, de “Planeta dos Macacos – A Origem”), um verdadeiro beberrão movido a álcool, e dos atrapalhados detetives Dupond & Dupont (Simon Pegg e Nick Frost, impagáveis!).

Com abuso da tecnologia, o longa é ilustrado por um lindo visual e cenas engraçadas, como a que envolve o simpático terrier e o feroz rottweiler.

As sequências de ação são bem construídas, e se misturam às canções de John Williams, cuja parceria com Spielberg já é de longa data. Os dois trabalharam juntos, por exemplo, em filmes como o recente “Cavalo de Guerra”, “A Lista de Schindler”, “O Resgate do Soldado Ryan” e por aí afora.


Os agentes da polícia fazem as vezes cômicas da fita, principalmente porque são pra lá de atrapalhados. Ao final, pistas para uma nova aventura. Com a chancela do Globo de Ouro, e com a probabilidade enorme de ser indicado ao Oscar (a lista completa dos concorrentes será divulgada pela Academia de Artes e Ciência Cinematográfica de Hollywood no dia 24), é bastante provável que uma continuação já esteja sendo colocada no papel. Ou melhor, tirada do papel!

“As Aventuras de Tintim” é um filme para toda família, ainda que os adultos irão se divertir ainda mais com as piadas. Mesmo quem não leu as tirinhas pode aproveitar, pois esta é uma forma encontrada por Spielberg e Jackson, grandes fãs dos livros, para que as pessoas se familiarizarem com uma grande obra que mistura mistério, comédia e amizade.

Caso conheça os livros, é possível que o espectador reclame que as três histórias tenham sido condensadas demais na película, o que é normal em adaptações. De qualquer maneira, o ritmo tem o ponto certo: o mistério permanece durante muito tempo e não há minutos perdidos com o “lenga-lenga”.

Escolha uma poltrona confortável no cinema e aproveite a experiência, que pode se tornar ainda mais incrível caso a sala seja, por exemplo, uma gigante em três dimensões.