domingo, 17 de maio de 2026

SURDA

 

   Antonio Carlos Egypto

 




 SURDA (Sorda).  Espanha, 2025.  Direção e roteiro: Eva Libertad.  Elenco: Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta, Joaquín Notario.  100 min.

 

“Surda”, produção espanhola, coloca como o próprio nome do filme evidencia, a questão da surdez em destaque.  O filme é escrito e dirigido por Eva Libertad, que é irmã da atriz principal, Miriam Garlo.  O papel da protagonista, que é mesmo surda, mostrou um desempenho extraordinário, reconhecido pelo prêmio Goya, o Oscar espanhol, e também no festival de Berlim e no prêmio Latino.  O ator Álvaro Cervantes, ouvinte como seu personagem no filme, também foi premiado por sua ótima atuação.

 

A trama ficcional de “Surda” mostra um casal: Ângela (Miriam Garlo), surda, e Hector (Álvaro Cervantes), ouvinte.  Eles vivem bem e amorosamente com as naturais dificuldades de comunicação, bem resolvidas pelo empenho e dedicação de Hector.  Há os amigos e parentes que também convivem bem com isso.  A questão começa a se colocar de forma mais crítica quando Ângela engravida.  A primeira pergunta que se coloca: a criança será ouvinte ou surda?  Não há uma resposta imediata, ela se dará no nascimento. 

 

E como Ângela será como mãe?  Antes disso, como se fará o parto normal recomendado ao caso?  O som tem um peso enorme nisso tudo.  O filme, por sinal, é absolutamente brilhante no tratamento de som, tudo é destacado e apurado com legendas descritivas detalhadas na tela para os espectadores com deficiências auditivas.

 


Uma sequência magnífica nos mostra o que Ângela, no seu mundo silencioso, está vivenciando e sentindo, enquanto as ações se sucedem.  Tecnicamente perfeito o trabalho, que nos permite fazer empatia com a personagem e entendê-la a fundo.

 

O fato é que conflitos serão inevitáveis, porque a questão nem é a de possibilidades de entendimento por boa vontade pessoal.  O mundo é todo moldado para existir no som, na fala, no diálogo, nas discussões e decisões verbalizadas.  Os sons também nos alertam, nos envolvem, nos direcionam.  Possibilitam uma autonomia que é bem mais difícil para as pessoas com deficiências auditivas.  O que se complica ainda mais na condição de mãe.

 

A maternidade será um grande desafio para Ângela, para seu parceiro, para sua família e, é claro, para os cuidados e para a educação do bebê. Tudo se desorganiza mais com a maternidade e as comunicações se tornam uma batalha a ser vencida diariamente.  As emoções se põem à flor da pele.

 

O filme mostra isso com clareza, com sensibilidade e expressão emocional muito valorizada pelo excelente elenco que compõe “Surda”.  A também premiada diretora Eva Libertad mostra grande competência nesse trabalho que a revela ao público internacional.





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