“Surda”, produção espanhola, coloca como o próprio nome do filme
evidencia, a questão da surdez em destaque.
O filme é escrito e dirigido por Eva Libertad, que é irmã da atriz
principal, Miriam Garlo. O papel da
protagonista, que é mesmo surda, mostrou um desempenho extraordinário,
reconhecido pelo prêmio Goya, o Oscar espanhol, e também no festival de Berlim
e no prêmio Latino. O ator Álvaro
Cervantes, ouvinte como seu personagem no filme, também foi premiado por sua
ótima atuação.
A trama ficcional de “Surda” mostra um casal: Ângela (Miriam Garlo),
surda, e Hector (Álvaro Cervantes), ouvinte.
Eles vivem bem e amorosamente com as naturais dificuldades de
comunicação, bem resolvidas pelo empenho e dedicação de Hector. Há os amigos e parentes que também convivem
bem com isso. A questão começa a se
colocar de forma mais crítica quando Ângela engravida. A primeira pergunta que se coloca: a criança
será ouvinte ou surda? Não há uma
resposta imediata, ela se dará no nascimento.
E como Ângela será como mãe? Antes
disso, como se fará o parto normal recomendado ao caso? O som tem um peso enorme nisso tudo. O filme, por sinal, é absolutamente brilhante
no tratamento de som, tudo é destacado e apurado com legendas descritivas
detalhadas na tela para os espectadores com deficiências auditivas.
Uma sequência magnífica nos mostra o que Ângela, no seu mundo silencioso,
está vivenciando e sentindo, enquanto as ações se sucedem. Tecnicamente perfeito o trabalho, que nos
permite fazer empatia com a personagem e entendê-la a fundo.
O fato é que conflitos serão inevitáveis, porque a questão nem é a de
possibilidades de entendimento por boa vontade pessoal. O mundo é todo moldado para existir no som,
na fala, no diálogo, nas discussões e decisões verbalizadas. Os sons também nos alertam, nos envolvem, nos
direcionam. Possibilitam uma autonomia
que é bem mais difícil para as pessoas com deficiências auditivas. O que se complica ainda mais na condição de
mãe.
A maternidade será um grande desafio para Ângela, para seu parceiro, para
sua família e, é claro, para os cuidados e para a educação do bebê. Tudo se
desorganiza mais com a maternidade e as comunicações se tornam uma batalha a
ser vencida diariamente. As emoções se
põem à flor da pele.
O filme mostra isso com clareza, com sensibilidade e expressão emocional
muito valorizada pelo excelente elenco que compõe “Surda”. A também premiada diretora Eva Libertad
mostra grande competência nesse trabalho que a revela ao público internacional.


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