terça-feira, 21 de abril de 2026

ESTRANGEIRO e VENCEDORES

  Antonio Carlos Egypto

 


O ESTRANGEIRO (L’Étranger”).  França, 2025.  Direção: François Ozon.  Elenco: Benjamin Voisin, Rebecca Marder, Pierre Lotin, Swann Arlaud.  122 min.

 

O Estrangeiro, importante romance existencial de Albert Camus (1913-1960), já se tornou filme em 1967, sob a direção de Luchino Visconti, com Marcello Mastroianni no papel principal.  Retomar essa obra-prima da literatura pelo cinema agora parece, então, uma atitude no mínimo muito ousada.

 

Quem encarou isso foi François Ozon, que não é nenhum Visconti, mas é um dos mais importantes cineastas franceses da atualidade.  Seu protagonista é o jovem e talentoso Benjamin Voisin.  Mas ninguém vai querer compará-lo com Mastroianni, um dos maiores atores do cinema de todos os tempos.

 

 Bem, então, vamos ao personagem principal, Mersault, apático, que não expressa emoções, vive num mundo interior árido, sem entusiasmo ou interesse pelo amor, pela vida e mesmo pela morte. 

 

Nada o abala, nem a morte da mãe, de que ele vai cuidar sem sofrimento aparente, dor ou choro.  Ou do encontro afetivo -- sexual – que o une momentaneamente a Marie (Rebecca Marder), o que entusiasma mais a ela do que a ele.  No entanto, esse personagem vai cometer um assassinato, de um árabe, numa praia de Argel, sem motivo aparente.  Isso acarretará um julgamento em tribunal, em que Mersault, como na vida, jamais mentirá.

 

Um francês na Argélia dos anos de 1930, envolto pelo colonialismo, está sendo julgado.  E, com ele, o ambiente político da época.  Quanto às mulheres, elas assumem um protagonismo maior no filme de Ozon.  E para que tudo soe verdadeiro, nada melhor do que a filmagem em preto e branco, que o diretor escolheu acertadamente.

 

O filme é bonito, tem o ritmo certo para que possamos viver a experiência com o protagonista bem de perto.  Com calma e sorvendo as surpresas dessa personalidade tão intrigante e introspectiva.

 

Vale a pena conferir a nova versão de “O Estrangeiro”, mas não deixe de ver também a versão de Luchino Visconti, caso você não a conheça.

  





DOCS VENCEDORES

Os documentários, vencedores oficiais pela definição dos júris do Festival É TUDO VERDADE 2026, estão automaticamente classificados para a disputa do Oscar de docs, curta e longa metragem.  Foram eles:

Internacionais

Longa: UM FILME DE MEDO (Una película de miedo), Espanha, Portugal.  Dirigido por Sérgio Oksman.  72 min.  Um documentarista e seu filho de 12 anos experimentam o medo, mas as relações pais e filhos, atuais e passadas, tomam conta da narrativa.  Bom trabalho.

Curta: SONHOS DE APAGÃO (Sueña Ahora), Cuba, Itália, dirigido por Gabriele Luchelli, Francesco Lorusso, Andrea Settembrini.  20 min.  Aborda a vida possível e os sonhos que são vividos pelos cubanos nos apagões.  Trabalho espetacular com a luz.

Nacionais

Longa: SAGRADO, de Alice Riff, 90 min., sobre uma escola pública de Diadema,SP, integrada à comunidade por lutas passadas, vista pelos olhos de seus trabalhadores: professores, merendeiras, seguranças, etc., que emergem como tipos humanos muito interessantes.

Curta: ARCOS DOURADOS DE OLINDA, o sensacional trabalho de Douglas Henrique, que, em 24 minutos, conta a história da Guerra Fria refletida em Olinda, numa disputa acirrada entre duas mulheres pela Prefeitura, enquanto o McDonald’s entra em falência pela primeira vez no mundo, na histórica Olinda, em Pernambuco, no centro do Brasil. Irônico e brilhante, venceu, além do prêmio oficial, mais três prêmios, pela APACI (Associação Paulista de Cineastas), Canal Brasil e Mistika.

Douglas Henrique





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