Antonio Carlos Egypto
O DRAMA (The Drama). Estados Unidos, 2025. Direção: Kristoffer Borgli. Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim,
Hailey Gates, Mamoudou Athie. 106 min.
Cansamos de ver e ler
dramas a toda hora. Por que, então, um
filme deveria se chamar “O Drama”?
Afinal, é apenas um drama entre milhões.
O fato é que o drama que mobiliza a narrativa desse filme é realmente
surpreendente. Não vou contar qual é,
claro. Mas vamos às circunstâncias que o
envolvem. Emma (Zendaya) e Charlie
(Robert Pattinson) estão a poucos dias de se casar, apaixonados e tomando
aquelas providências típicas do período: as roupas, a festa, as fotos, a
cerimônia. Um momento de felicidade e
boas expectativas. Num encontro com
outro casal de amigos, surge aquela típica brincadeira do jogo da verdade. E a pergunta: o que você já fez de pior na
vida? é respondida por Emma e deixa todos paralisados. A partir daí, a narrativa foca na quebra de
confiança do casal de noivos. Como se
processará a relação deles depois disso?
Será possível seguir com aquela paixão e com o casamento dos sonhos? É uma situação que prende a atenção, centrada
no relacionamento humano e amoroso marcado pela desconfiança, pela dúvida, pela
dificuldade de elaborar a questão, da parte de ambos, na verdade. O casal de protagonistas vive esse drama com
muita convicção. As dificuldades são
visíveis no desempenho de Pattinson e Zendaya.
O tema do filme, dirigido pelo cineasta norueguês Kristoffer Borgli,
levanta polêmicas e põe em relevo situações importantes, desafiadoras e
assustadoras dos nossos dias.
RUAS DA GLÓRIA. Brasil, 2025.
Direção: Felipe Sholl. Elenco:
Caio Macedo, Alejandro Claveaux, Diva Menner, Alan Ribeiro, Jade Sassará,
Daniel Rangel. 107 min.
Em função de um luto
que o abalou, Gabriel (Caio Macedo), jovem gay, professor de português e
literatura, sai do Recife para o Rio de Janeiro, em busca de novos horizontes,
tanto profissionais, como de relacionamento sexual e amoroso. Pelas ruas da Glória, no centro do Rio, ele
vai encontrando paisagens, pessoas, circunstâncias, e acaba desfrutando de uma
família de apoio, ao conhecer Adriano (Alejandro Claveaux), garoto de programas
uruguaio, que é uma figura cativante e disruptiva. Vai daí que o filme explora
essa relação sexual e amorosa, tóxica e complicada. Cheia de vais-e-vens, altos e baixos,
extremamente difícil de ser vivida e administrada. Estamos no terreno do imponderável. Mas que sempre abre espaço para a esperança. O filme, dirigido ao público LGBTQIA+, tem
muito desejo, excitação, envolvimento sexual forte e relações humanas
tensas. Tem um bom elenco já premiado,
que inclui também a atriz e cantora trans Diva Menner, e é bem realizado. Segundo o diretor e roteirista Felipe Sholl,
a narrativa reflete vivências dele, o que dá um sentido de autenticidade à
história.


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