segunda-feira, 6 de abril de 2026

DRAMA E GLÓRIA

Antonio Carlos Egypto



 

O DRAMA (The Drama).  Estados Unidos, 2025.  Direção: Kristoffer Borgli.  Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Hailey Gates, Mamoudou Athie.  106 min.

 

Cansamos de ver e ler dramas a toda hora.  Por que, então, um filme deveria se chamar “O Drama”?  Afinal, é apenas um drama entre milhões.  O fato é que o drama que mobiliza a narrativa desse filme é realmente surpreendente.  Não vou contar qual é, claro.  Mas vamos às circunstâncias que o envolvem.  Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) estão a poucos dias de se casar, apaixonados e tomando aquelas providências típicas do período: as roupas, a festa, as fotos, a cerimônia.  Um momento de felicidade e boas expectativas.  Num encontro com outro casal de amigos, surge aquela típica brincadeira do jogo da verdade.  E a pergunta: o que você já fez de pior na vida? é respondida por Emma e deixa todos paralisados.  A partir daí, a narrativa foca na quebra de confiança do casal de noivos.  Como se processará a relação deles depois disso?  Será possível seguir com aquela paixão e com o casamento dos sonhos?  É uma situação que prende a atenção, centrada no relacionamento humano e amoroso marcado pela desconfiança, pela dúvida, pela dificuldade de elaborar a questão, da parte de ambos, na verdade.  O casal de protagonistas vive esse drama com muita convicção.  As dificuldades são visíveis no desempenho de Pattinson e Zendaya.  O tema do filme, dirigido pelo cineasta norueguês Kristoffer Borgli, levanta polêmicas e põe em relevo situações importantes, desafiadoras e assustadoras dos nossos dias.

 




RUAS DA GLÓRIA.  Brasil, 2025.  Direção: Felipe Sholl.  Elenco: Caio Macedo, Alejandro Claveaux, Diva Menner, Alan Ribeiro, Jade Sassará, Daniel Rangel.  107 min.

 

Em função de um luto que o abalou, Gabriel (Caio Macedo), jovem gay, professor de português e literatura, sai do Recife para o Rio de Janeiro, em busca de novos horizontes, tanto profissionais, como de relacionamento sexual e amoroso.  Pelas ruas da Glória, no centro do Rio, ele vai encontrando paisagens, pessoas, circunstâncias, e acaba desfrutando de uma família de apoio, ao conhecer Adriano (Alejandro Claveaux), garoto de programas uruguaio, que é uma figura cativante e disruptiva. Vai daí que o filme explora essa relação sexual e amorosa, tóxica e complicada.  Cheia de vais-e-vens, altos e baixos, extremamente difícil de ser vivida e administrada.  Estamos no terreno do imponderável.  Mas que sempre abre espaço para a esperança.  O filme, dirigido ao público LGBTQIA+, tem muito desejo, excitação, envolvimento sexual forte e relações humanas tensas.  Tem um bom elenco já premiado, que inclui também a atriz e cantora trans Diva Menner, e é bem realizado.  Segundo o diretor e roteirista Felipe Sholl, a narrativa reflete vivências dele, o que dá um sentido de autenticidade à história.

 

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