sábado, 28 de fevereiro de 2026

PECADORES +

Antonio Carlos Egypto  




 PECADORES (Sinners). Estados Unidos, 2025. Direção: Ryan Coogler. Elenco: Michael B. Jordan, Jack O’Connell, Haille Steinfield, Delroy Lindo, Winmi Mosaku. 132 min. 

 “Pecadores” é um filme impressionante e criativo. Sem nenhuma dúvida, muito bem realizado e cinematograficamente bem construído. É talentoso na forma de juntar uma narrativa de inspiração realista na exposição dos fatos do racismo e do conflito com os supremacistas brancos, explorando cenas de ação e humor. Tem muito boas música e dança, que alegram o ambiente num salão de diversões, enquanto a crise não se instala. A música já faz ponte com o demoníaco. Por final, envereda por um autêntico filme de terror, focado no vampirismo. É uma salada bem variada, mas que, surpreendentemente, combina. O que eu não gostei foi da carnificina, consequência mais ou menos inevitável da trama, em que o filme deságua. O elenco é forte e expressivo, com o óbvio destaque para Michael B. Jordan, que faz os papéis dos dois irmãos gêmeos: Smoke e Stock. Os gêmeos, habituados a uma rotina de violência que deixaram para trás, mas que se repetiu na cidade grande, voltaram à pequena cidade de origem para mudar de vida. Qual o quê! Lá como cá, o racismo é que dá o tom e quem não se acostumou a baixar a cabeça não é agora que vai aceitar as provocações e as críticas que lembram o passado deles. Então, tem fogo no circo. Se na questão social pode haver outros caminhos, quando o que há para se enfrentar são os vampiros, que nos transformam em sugadores de sangue como eles, aí a coisa pega. Há quem vá curtir muito e outros que não vão tolerar. É isso. Bem, o filme não só está indicado entre os 10 candidatos a melhor filme para o Oscar 2026, como tem mais 15 indicações: para diretor, ator, atrizes, elenco, roteiro, montagem, fotografia, trilha sonora, canção, som, maquiagem, efeitos visuais e design de produção. Um verdadeiro recorde. Seria para tanto? Acho que não, mas frise-se: não costumo curtir filmes de terror. O que não quer dizer que eu minimize o valor do filme dirigido por Ryan Coogler. 







  A HISTÓRIA DO SOM (The Story of Sound) produção Estados Unidos/Reino Unido,
dirigido por Oliver Hermanus, nascido na África do Sul. Em Boston, em 1917, Lionel e Davi, estudantes de música, se conhecem e, apaixonando-se pelas folksongs, percorrem os Estados Unidos registrando canções para serem reproduzidas no gramofone. Essa longa viagem os aproxima muito e daí surge uma paixão também entre eles, para além da música. Separam-se ao final da viagem, tomando rumos distintos, mas o vínculo que construíram jamais morrerá. O que construíram juntos pela história da música, também não. Bela e cuidadosa produção, com boa música e uma dupla de protagonistas ótima: Paul Mescal e Josh O’Connor. Também no elenco, Hadley Robinson, Emma Canning e Chris Cooper. 127 min.




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