quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

A CRÔNICA FRANCESA

Antonio Carlos Egypto

 

 


 

A CRÔNICA FRANCESA (The French Dispatch).  Estados Unidos, Reino Unido, 2021.  Direção e roteiro: Wes Anderson.  Elenco estelar, listado ao final do texto.  108 min.

 

Wes Anderson é um cineasta a quem não falta criatividade.  Começando pelo aspecto visual, a principal razão de ser de um filme.  Ele se utiliza dos mais diversos recursos para compor um universo de imagens único.  Cenografia, ambientação e fotografia produzem um resultado altamente belo e sedutor, que inclui filmes a cores, em preto e branco, animação e efeitos diversos.  Tudo cabe nessa construção fílmica, marcadamente autoral.  O universo visual de Wes Anderson é único e inconfundível.

 

Sua criatividade vai além, histórias surreais, exóticas, extravagantes e improváveis recheiam essa embalagem de sonho.  O que traz leveza, humor, homenagens e brincadeiras, compondo um mosaico que representa uma realidade contemporânea, ou antiga, que dialoga com a contemporaneidade.

 

Como se não bastasse, ele reúne elencos do mais alto escalão, em interpretações inusitadas, surpreendentes, em que, com frequência, os atores submergem nos personagens, a ponto de nem serem claramente identificados, ao menos, num primeiro momento.

 

No caso de “A Crônica Francesa”, a principal curiosidade está na homenagem ao jornalismo e seus diversos campos de atuação em textos de ficção, publicados por uma imaginária revista norte-americana, The French Dispatch Magazine, numa cidade hipotética francesa do século XX.  Tudo começa com a morte do amado editor da publicação e seu desejo de que a revista feche com o seu passamento.  Do obituário parte-se para uma série de histórias que envolvem diários de viagem, reportagem sobre um pintor, sua musa fardada e nua, sua loucura e seus negociantes, de desmedida ambição.  Passa pela discussão da confecção de um manifesto político decorrente de uma revolta estudantil, em que a colocação das palavras ocupa espaço central na situação.  E, é claro, não poderiam faltar a polícia e a questão das drogas, um rapto e jantares gastronômicos, fechando assim os vários setores da abordagem jornalística.




A valorização da palavra escrita, da criação, do texto, mostra que daí algo importante vem, transformando as coisas e o mundo.  Recado fundamental associado ao significado que o jornalismo tem para a vida das pessoas e da sociedade.

 

Num mundo de internet, fake news, perseguição e risco aos jornalistas em tantas partes do mundo, a abordagem poderia ter ido mais fundo no tema, se ligasse o século XX, de algum modo, aos dias atuais.  Não importa, essa seria uma possibilidade a ser explorada, não foi essa a proposta do filme.  No entanto, o que “A Crônica Francesa” nos traz em termos de cinema e visões de realidade é muito bom.

 

Dizer o que de um elenco que tem Benício del Toro, Frances Mc Dormand, Adrien Brody, Tilda Swinton, Bill Murray, Jeffrey Wright, Léa Sedoux, Thimothée Chamelet, Edward Norton, Willem Dafoe, Mathieu Amalric, Christoph Waltz, Saoirse Ronan, Owen Wilson, Anjelica Houston e outros, juntos, num mesmo filme?  É uma seleção de talentos tão extravagante quanto a narrativa que os envolve.

 

  

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