sábado, 18 de março de 2017

A BELA E A FERA


Antonio Carlos Egypto


A BELA E A FERA (La Belle et La Bête).  França, 1946.  Direção: Jean Cocteau.  Com Jean Marais, Josette Day, Marcel André, Mila Parely, Nane Germon.  93 min.

A BELA E A FERA (Beauty and the Beast).  Estados Unidos, 2015.  Direção: Bill Condon.  Com Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Ewan McGregor, Ian McKellen, Emma Thompson.  92 min.



“A Bela e a Fera” é um tradicional conto de fadas francês, originalmente escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, em 1740.  Mas a versão mais conhecida da história é mais compacta e simplificada em número de personagens e situações.  Foi escrita por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, publicada em 1756.  A versão de Beaumont é a que serviu de base ao filme de Jean Cocteau (1889-1963), realizado em 1946, que se tornou um grande clássico do cinema fantástico. 




Cocteau foi um renovador da estética cinematográfica.  Seu filme contém imagens oníricas, surrealistas, e efeitos especiais.  Tem uma fotografia, em preto e branco, belíssima, que trabalha muito bem com a bruma, a neblina, a fumaça.  A direção de arte construiu um universo de mistério e riqueza, que explora o contraste entre feiúra e beleza interior.  A magia do conto está lá, numa dimensão dramática.  O cineasta nos convida a que deixemos fluir um pouco de nossa inocência infantil para acompanhar essa narrativa fantastica e acreditar na história.  Ou seja, ele se dirige ao público adulto, não às crianças.




Bem diferente da versão da Disney, em desenho animado, de 1991, dirigida ao público infantil, que transformou o conto trágico-romântico num bem-humorado musical.  A versão 2015 de “A Bela e a Fera”, também da Disney, que está agora nos cinemas, dirigida por Bill Condon, é uma live-action baseada naquela animação, muito popular e grande sucesso de público.  É o chamado filme-família.  As crianças provavelmente vão adorar.  Mas os adultos vão se divertir também.  É uma produção grandiosa, musical, com elenco forte e objetos que ganham vida e se destacam na narrativa, como o candelabro, o relógio, o bule, a xícara.  E o monstro é charmoso, quase tanto quanto a Bela. Leveza e humor tomam o lugar do drama, o romantismo vence o trágico, galhardamente.  Mas não sem antes uma boa luta, recheada de efeitos especiais.  Tem pouco a ver com o clássico de Jean Cocteau, embora a história seja basicamente a mesma.  Mas quanta diferença!

O Centro Cultural Banco do Brasil – SP está promovendo neste mês de março a Mostra “Jean Cocteau: O Testamento de um Poeta” e incluiu “A Bela e a Fera”, de 1946, entre as películas exibidas.  Esse filme também pode ser encontrado em DVD e em sites da Internet.


“A Bela e a Fera”, de Bill Condon, tem uma carreira promissora.  Está levando grande público às salas de exibição.  Não é novidade.  Afinal, marketing é o que não falta e o número de salas, como sempre acontece com os blockbusters, é arrasador.



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