quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

EU NÃO SOU SEU NEGRO


Antonio Carlos Egypto




EU NÃO SOU SEU NEGRO (I Am Not Your Negro).  Estados Unidos, 2016.  Direção: Raoul Peck.  Documentário.  Com participação de Samuel L. Jackson (voz), James Baldwin, Dick Cavett. 95 min.


O escritor James Baldwin (1924-1987) escreveu a seu agente, visando a terminar um livro, Remember This House, que pretendia contar uma parte da história dos Estados Unidos, por meio da morte de três amigos dele, todos que militaram pelos direitos civis ou por um separatismo negro: Medgar Evers (1925-1963), Malcolm X (1925-1965) e Martin Luther King (1928-1968).  Muitos anos depois da morte de Baldwin, o manuscrito veio a inspirar o filme de Raoul Peck “Eu Nâo Sou Seu Negro“. O documentário chega agora aos cinemas com a chancela da indicação ao Oscar em sua categoria.

“Eu  Não Sou Seu Negro” é um filme politicamente forte, muito bem documentado (com trechos de entrevistas televisivas do próprio Baldwin e imagens de arquivo das lutas dos movimentos civis, narradas por Samuel L. Jackson), que mostra como a história dos Estados Unidos é toda impregnada de um racismo atroz, de dar vergonha a qualquer país. Merece ser visto com atenção.

É sempre bom lembrar que o Oscar 2016 foi criticado por sua brancura, injusta para com o talento negro de Hollywood. Deu resultado, este ano há diversos filmes indicados que tratam da questão dos negros e muitos profissionais lembrados. Melhor assim. Entre todos, o que mais se destaca, pela contundência da denúncia e pelas provas cabais de racismo que apresenta, é justamente “Eu Não Sou Seu Negro”.

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Já está em cartaz também MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR. Veja a crítica do cinema com recheio.

https://cinemacomrecheio.blogspot.com.br/2017/01/moonlight-sob-luz-do-luar.html


Um comentário:

  1. Sempre me interesso muito por filmes porque eles tem o poder de nos fazer refletir sobre a sociedade de forma tão didática, sendo esse, em especial, um, filme que chama muito a atenção não só pela qualidade da produção, mas pela trama em si, talvez vindo daí os melhores documentarios que há. Assisti estes dias a Diga o nome dela: a vida e morte de Sandra Bland e fiquei muito impressionada, é muito bem feito e a história nos impacta e prende do início ao fim e choca. Vale a pena.

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