quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MOONLIGHT - SOB A LUZ DO LUAR

  
Antonio Carlos Egypto





MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR (Moonlight).  Estados Unidos, 2016.  Direção: Barry Jenkins.  Com Alex Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Naomie Harris, André Holland, Mahershala Ali.  111 min.



“Moonlight” entra na corrida para o Oscar com a vantagem de ter sido escolhido como melhor filme na categoria drama, no Globo de Ouro.  E tem uma história envolvente e emocionalmente forte, capaz de tocar a sensibilidade das pessoas.

O personagem central, um afro-americano vivendo num bairro violento, em Miami, será mostrado em três etapas fundamentais da vida: a infância, a adolescência e a vida de jovem adulto, de modo a compor a trajetória de uma tragédia que envolve raça, sexualidade, masculinidade e o mundo das drogas que a circunda. 




Chiron, esse é o nome do personagem, primeiro é Little (Alex Hibbert), um garoto inseguro, largado, sem o necessário apoio familiar e com poucas chances de encontrar seu lugar no mundo, vivendo com Paula (Naomie Harris), mãe solteira, dependente de drogas, mais perdida do que ele próprio.  Poderá encontrar uma figura paterna, acolhedora e provedora, em um amigo da mãe, que é fornecedor de drogas.  Esse personagem, Juan (Mahershala Ali), é uma bela figura humana, mas não pode ostentar a dignidade, que na realidade ele tem, em função de sua atividade danosa e ilegal.

Chiron  adolescente (Ashton Sanders) não tem coragem para enfrentar o bullying que sofre, se sente covarde, desencontrado dos outros, subjugado e agredido.  A cena em que ele mergulha o rosto numa banheira de gelo, para se recuperar de agressões, é muito bonita e tocante.  A revelação do desejo homossexual é um grande complicador a mais, algo marcante e, ao mesmo tempo, fonte de rejeição e opressão social.




Que alternativas teria Chiron, também conhecido como Black, já adulto (Trevante Rhodes), senão  impor-se pela violência, que é o que ele sempre conheceu,  valendo-se do caminho do tráfico?  Uma fileira de dentes de ouro simboliza esse rumo, fonte de dinheiro e de algum poder num mundo de pobreza e ausência de perspectivas dignas de vida.

Uma história que nos traz uma reflexão social e poética sobre a questão da identidade, que o diretor Barry Jenkins conduz com sensibilidade, colocando ênfase nas emoções.  Sua câmera se nutre de cada situação, sofrimento ou esperança, nos levando para dentro dos personagens, que se dirigem ao espectador para mostrar o que é a vida que eles vivem.  Impossível ficar indiferente.





Um filme que exala a negritude como uma força e um drama.  Que denuncia a violência, mas reconhece a beleza.  Afinal, “sob a luz da lua, garotos negros parecem azuis”.  De um conto que tinha esse título, acabou saindo esse trabalho, que foi sendo composto ao longo dos anos.  Um elenco muito talentoso deu vida a essa trama.  E com os três atores que representam Chiron, consegue-se compor a continuidade de um personagem, de uma trajetória de vida, de forma coerente.



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