domingo, 18 de setembro de 2016

O HOMEM QUE VIU O INFINITO


Antonio Carlos Egypto





O HOMEM QUE VIU O INFINITO (The Man Who Knew Infinity).  Inglaterra, 2015. 
Direção e roteiro: Matt Brown.  Com Jeremy Irons, Dev Patel, Devika Bhise, Stephen Fry, Toby Jones.  110 min.



De Madras (hoje, Chennai), no extremo sul da Índia, no início do século XX, surgiu um matemático brilhante, que contribuiu com fórmulas decisivas para o avanço da ciência e o alcance de soluções muito complexas.  Com um detalhe: Ramanujan (1887-1920), esse indiano, notável matemático, não tinha estudo formal nenhum.  Ainda assim, seu talento era tão evidente que ele acabou numa universidade inglesa, em Cambridge (onde também estava Bertrand Russell) e chegou a pertencer à Royal Society de Ciências, uma honraria por merecimento.




O filme “O Homem que Viu o Infinito”, de Matt Brown, pretende contar a história real desse gênio da matemática, especialmente no seu período de estudos e publicações na Inglaterra, tendo como mentor e amigo, apesar da improbabilidade que sempre cercou essa amizade, do professor e também ilustre matemático G. H. Hardy.  O período é o que começa em 1913, atravessa toda a Primeira Guerra Mundial e a ultrapassa um pouco.  Oceanos de distância os separavam, mesmo estando próximos, se pensarmos nas crenças, modos de vida, hábitos alimentares, de vestuário, entre outras coisas, associados a um e a outro. 

Por outro lado, a guerra distanciou Ramanujan de sua amada e família, de modo absoluto.  No filme, também pela correspondência não entregue, um dos elementos de uma narrativa novelesca, que põe a tal realidade a serviço de uma fórmula comercial de contar histórias para entreter e agradar o público.




Outro elemento é a adoção da ideia de que todo o conhecimento absurdo daquele gênio da matemática derivava de uma intuição divina.  Daí a dificuldade que o indiano teve para construir as provas acadêmicas daquilo que ele “sabia que era assim “.  Quem quiser crer que a matemática deriva diretamente de Deus, ou de uma deusa hindu, que compre essa narrativa.  A mim, não pode convencer, como não deveria convencer o grande professor Hardy, ateu convicto, mas, sabe como é, né?

O que não dá é para vender a ideia de que a realidade é – ou foi – assim.  Isso é uma interpretação religiosa dos fatos.  Algo que está em evidência em certos estudos pseudocientíficos, associados à física quântica, na atualidade.  Em todo caso, Deus ainda carece de provas, não basta a convicção. Tal como andou se falando muito por aqui.




“O Homem que Viu o Infinito” é uma boa produção, a história é bem contada, de forma linear, filmada na Índia e na Inglaterra, em belíssimas locações e tem um elenco muito bom.  Quem faz Ramanujan é Dev Patel, ator de “Quem Quer Ser um Milionário?”, e o professor Hardy é o papel de Jeremy Irons.  A amada Janaki é vivida pela bela atriz Devika Bhise, convincente no seu sofrimento.  O que não me convence é a ideologia do filme.





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