quarta-feira, 4 de junho de 2014

VERMELHO BRASIL

Antonio Carlos Egypto




VERMELHO BRASIL (Rouge Brésil).  Brasil, França, Canadá, 2013.  Direção: Sylvain Archambault.   Com Stellan Skarsgard, Joaquim de Almeida, Théo Frilet, Juliette Lamboley, Giselle Motta.  100 min.



“Vermelho Brasil”, o longa-metragem que está sendo exibido nos cinemas, provém de uma série de TV que envolve diferentes países.  Uma coprodução do Brasil com França, Portugal e Canadá.  O projeto da série tem exibição já estabelecida para o Canadá, a Suíça, a Bélgica, a Itália, a Espanha e a Alemanha, prevendo-se um público de 18 milhões de espectadores, segundo informações da Conspiração Filmes.

O filme “Vermelho Brasil” se baseia no best seller Rouge Brésil, do escritor francês Christophe Rufin, e é dirigido pelo cineasta canadense Sylvain Archambault.  Trata da tentativa de fundação de uma colônia, a chamada “França Antártica”, numa expedição comandada por Nicolas Durand de Villegagnon, vivido pelo ótimo ator sueco Stellan Skarsgard, em torno de 1550, que se estabeleceu por aqui durante algum tempo e terminou rechaçada pelos portugueses.



É a oportunidade para contar uma aventura de dois jovens franceses, Colombe e Just, vividos por Juliette Lamboley e Théo Frilet, que vêm iludidos em busca do pai.  Mostra o encontro da chamada civilização europeia com o mundo indígena, cheio de sensualidade e com conceitos de sagrado muito distintos dos europeus.  A brasileira Giselle Motta vive a índia Paraguaçu e Pietro Mário, brasileiro de origem italiana, aparece em dois papéis: o de um marinheiro e o de um francês que vive entre os índios.  O ator português Joaquim de Almeida interpreta João da Silva, um lusitano já perfeitamente integrado com os indígenas e que representa o seu país colonizador.  O filme foi realizado no Rio de Janeiro, na região de Paraty, e na França.



A produção é cara e até pomposa, mas com cores excessivas e cultivando o exótico, a nos lembrar de que se trata mesmo de produção televisiva.  Não escapa de uns tantos clichês sobre a relação entre civilizados e primitivos, mas consegue gerar belas imagens a partir da ideia de uma natureza intocada, que recebe aventureiros de um mundo distante, mas que já encontram europeus vivendo com os indígenas, os habitantes naturais desse novo mundo a ser desbravado. 

Os jovens franceses Just e Colombe, de início, têm a missão de aprender a língua indígena para com eles poderem se comunicar.  Supõe-se que, por serem jovens, aprendam mais rápido.  Mas, um ano depois, isso aparece como totalmente dispensável.  Todos já se entendem num mesmo idioma.  E qual seria ele?  O inglês.



Parece piada, mas não é.  Um filme que trata de uma expedição francesa que vai conviver com um português e índios não é falado nem em francês, nem em português, muito menos em tupi-guarani ou similar.  Todos já se entendiam em inglês.  Isso, em 1555, por aí.  Não dá para levar a sério.  Tem um limite o interesse comercial de fazer uma produção para divulgação internacional, na língua que mais vende nos dias de hoje.

Fica ridículo e insustentável assistir a esse filme falado em inglês.  Perde qualquer possibilidade de credibilidade histórica e de envolvimento com os personagens.  Quando o produto artístico se submete ao mercado dessa forma, as boas intenções vão por água abaixo.




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