segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe


Tatiana Babadobulos


Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses). Estados Unidos, 2011.Direção: Seth Gordon. Roteiro: Michael Markowitz. Com: Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Jason Bateman, Jason Sudeikis, Colin Farrell, Charlie Day. 98 minutos.


Três rapazes, três chefes e três problemas. O que poderia acontecer com esses perso­nagens em um longa-metragem cujo título é “Quero Matar Meu Chefe” (“Horrible Bosses”)? Já é possível descobrir nos cinemas.

No início, o espectador co­meça a acompanhar a história de cada um: é quando são feitas as apresentações e os respectivos problemas que cada um enfrenta no ambiente de traba­lho com o seu chefe direto. Nick Hendricks (Jason Bateman, de “Amor sem Escalas”) trabalha muito e vive engolindo sapos do seu supervisor, Dave Harken (Kevin Spacey), que lhe prometeu uma promoção. Já o assistente de dentista Dale Arbus (Charlie Day, de “Amor à Distância”), só quer ser respeitado por sua chefe, a dentista Julia Harris (Jennifer Aniston), que dá em cima dele e o intimida com trajes sumários, mas ele é um rapaz sério e tudo o que quer é ser fiel e se casar com a noiva. Por fim, o contador Kurt Buckman (Jason Sudeikis, de “Passe Livre”), que adora o seu chefe, mas ele sai de cena. Em seu lugar, está o filho dele, Bobby Pellit (Colin Farrell), que quer acabar com a saúde da população da cidade, pois só pensa em passar os seus dias em uma praia com uma modelo ao lado.



Então, quando os três se encontram para tomar cerveja e jogar conversa fora, decidem que desse jeito não dá para continuar com os seus chefes, que são um psicopata, uma tarada e um completo idiota e simplesmente não podem seguir o exem­plo de um ex-colega da faculdade e não trabalhar. Eis que começam a elaborar o plano para mandar os seus res­pectivos chefes “desta para me­lhor”. Para isso, vão também contar com a ajuda de um consultor, “MF” Jones (Jamie Foxx), um ex-presidiário de apelido suspeito.

São três tipos distintos. O sádico chefe vivido por Kevin Spacey usa e abusa de sua autoridade. Já a tarada dentista está muito bem representada por Jennifer Aniston, que há muito faz comédias românticas, mas não poderia ser imaginada como uma mulher oferecida como a que interpreta, além de ser acusada por assédio sexual. Colin Farrell, por sua vez, está irreconhecível no papel do imbecil que manda, por exemplo, demitir dois funcionários, só porque um é deficiente físico e o outro está acima do peso.

O longa-metragem, dirigido por Seth Gordon (“Surpresas do Amor”), tem a graça da mesma safra de comédias como “Se Beber Não Case”, “Passe Livre”, que nada têm de pas­telão, embora em alguns momentos seja politicamente incorreta. E diverte pegando o espectador pela inteligência, pelo bom humor apurado. Afinal de contas, muitas pessoas podem se reconhecer naquela situação e não sabem o que fazer para mudar. Os diálogos provam a sofisticação da comédia, já que em diversos momentos citam obras cinematográficas, como “Pacto Sinistro”, de Alfred Hitchcock, o personagem de Danny De Vito, em “Jogue a Mamãe do Trem”, “Gênio Indomável”, sem contar com o seriado “Law & Order”, de onde tiram todo o conhecimento de leis e direito que possuem, além do desenho animado Scooby Doo.

Uma coisa é certa: não há nenhuma mensagem no longa, do tipo faça isso ou aquilo. Como lembra um dos atores, no material divulgado para a imprensa, trata-se apenas de “uma comédia divertida, simples e escapista sobre três rapazes que decidem matar seus chefes e que, desde o começo, não têm a menor ideia do que estão fazendo”.

Durante toda a projeção, o espectador vai torcendo para cada personagem e para que o plano, mesmo que de forma atrapalhada, dê certo. “Quero Matar Meu Chefe” é uma co­média engraçada, que vai mostrando situações cotidia­nas que muitos podem se identificar, mas nada têm a fazer. Então, o jeito é mesmo compartilhar com os amigos os problemas e rir das enrascadas dos outros.

Ao final, não saia da sala sem assistir aos erros de gra­vação antes dos créditos.

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