Antonio Carlos Egypto
Foi frustrante para uma grande torcida que se formou em torno de “O
Agente Secreto” pela conquista de uma estatueta do Oscar, tentando repetir o
feito do ano passado, com ”Ainda Estou Aqui”.
E a torcida fazia todo sentido.
Tínhamos um filme magnífico, original, criativo, muito bem realizado. Com um elenco escolhido a dedo, perfeitamente
entrosado para viver os papéis que lhes cabiam.
Na verdade, o fizeram na perfeição.
Não por acaso, a nova categoria de escolha do elenco era cobiçada por
nós. O prêmio seria merecidíssimo. Havia um concorrente forte, o elenco de
“Pecadores”, afinadíssimo também. Venceu
“Uma Batalha Após a Outra”, que apresentou um elenco all star, onde não percebi grande mérito na escolha. Uma opção conservadora, eu diria.
Havia grande expectativa e esperança na dobradinha com o ano passado na
categoria de filme internacional. O sucesso
e os prêmios de “O Agente Secreto” no mundo, as avaliações dos maiores críticos
foram tão efusivos que mesmo diante de fortes concorrentes como “Foi Apenas um
Acidente” ou “Sirât” tínhamos enormes chances.
O nosso maior concorrente, porém, foi o escolhido: o norueguês “Valor
Sentimental”. Um filme excelente, sem
dúvida. E a Noruega ganha nessa
categoria pela primeira vez. “Sirât”
merecia ganhar por melhor som, que foi para “F1”.
Filme internacional, que antes se chamava filme estrangeiro, ou como no
Globo de Ouro filme de língua não-inglesa, parecia trazer um avanço, a partir
de 2020, quando o sul-coreano “Parasita” arrebatou o Oscar com muitos e
merecidos prêmios. Mas a internacionalização
ainda anda a passos lentos. Na minha modesta
opinião, “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental”, que disputaram também a
indicação para melhor filme (na categoria geral), foram melhores do que os
outros oito concorrentes. No entanto,
para os votantes da Academia, “Uma Batalha Após a Outra”, com seis vitórias,
“Pecadores”, com quatro, e até “Frankenstein”, com três, é que se destacaram.
“Pecadores” levou o Oscar em duas categorias em que o Brasil concorria, a
de fotografia, que tinha a indicação de Adolpho Veloso para o filme
estadunidense “Sonhos de Trem”, e a estatueta de melhor ator, disputada por
Wagner Moura. Uma vez mais, é preciso reconhecer o talento do ator vencedor,
Michael B. Jordan, embora o trabalho do nosso Wagner Moura esteja impecável e,
a meu ver, superior ao dos concorrentes.
É fato que o cinema mostrou muito valor em 2025 em todo o mundo e também nos Estados Unidos e no Reino Unido,
mas o prêmio do Oscar privilegia nitidamente a produção em língua inglesa, como
sempre foi. Estava na hora de dar passos
mais largos com vistas à ampliação da visão de cinema mundial, já que a
cerimônia é tão concorrida e vista por milhões ao redor do mundo. E que claramente Hollywood está em crise, se
comparada à sua história passada de glória.
Não adianta dourar a pílula, os filmes de língua inglesa já não são os
melhores que estão sendo feitos e lançados pelo cinema. Que hoje fala muitos e variados idiomas em
histórias empolgantes e com excelência técnica.
















