segunda-feira, 24 de julho de 2017

DE CANÇÃO EM CANÇÃO


Antonio Carlos Egypto




DE CANÇÃO EM CANÇÃO (Song to Song).  Estados Unidos, 2017.  Direção e roteiro: Terrence Malick.  Com Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara, Natalie Portman.  129 min.



Sempre apreciei no diretor Terrence Malick (de “Além da Linha Vermelha”, 1998, “A Árvore da Vida”, 2011, “Amor Pleno”, 2012) o seu cultivo pelo belo.  Seus filmes têm lindas casas, mansões, locações atraentes, natureza exuberante.  Tudo sempre com esmero nos enquadramentos, nos ângulos e movimentos de câmera, em cenas caprichadas, bem feitas.  De modo que se pode apreciar seu trabalho e algo sempre fica.  Por outro lado, sua queda pela questão mística, religiosa, nunca acrescentou nada de relevante, ao menos para mim.

O amor é um dos seus grandes focos, sob diversos matizes, mas o desencontro, a frustração e a solidão aparecem temperadas pelo perdão, pelo recomeço e pela busca de uma autenticidade pessoal.  A pretensão de relacionar essas coisas a um Cosmos, a um Deus, a uma religiosidade, enfim, soa forçada, deslocada.  É preciso ignorá-la um pouco para usufruir dos filmes dele.  A forma é sempre muito mais consistente e sedutora do que o conteúdo ou a mensagem, se pudermos falar assim.




Em “De Canção em Canção”, o cineasta nos leva à cena musical de Austin, no Texas.  Em meio ao frisson dos shows e festivais de música, seus personagens vivem uma busca frenética e bastante atrapalhada de uma utópica liberdade, que é difícil se saber do que se trata, realmente.

As cenas que compõem uma trama esfarelada, rarefeita, são, na verdade, gratuitas, vazias de um sentido que, paradoxalmente, Malick parece sempre buscar.  Uma agitação que não leva a lugar nenhum, com personagens sem força ou suficiente consistência psicológica.  Muita juventude, muita pirotecnia, em cima de quase nada.  Experimentações que se perdem, em meio a muita música, mas muito pouca substância.


Um elenco de astros, atores e atrizes talentosos, acaba um tanto desperdiçado, porque esses personagens escorrem pelo ralo.  Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara e Natalie Portman, podem servir de chamariz em busca de bilheteria, mas acabam não entregando o que prometem, apesar do empenho físico que põem em cena.  O filme é raso, mas com ambições a profundidade.  Beleza que acaba entediando, porque nem consegue simplesmente divertir.



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