quinta-feira, 18 de agosto de 2016

BEN-HUR


Antonio Carlos Egypto





BEN-HUR (Ben-Hur)Estados Unidos, 2015.  Direção: Timur Bekmambetov.  Com Jack Huston, Toby Kebbel, Rodrigo Santoro, Morgan Freeman, Sofia Black, Ayelet Zurer, Pilou Asbaek.  119 min.



Lew Wallace (1827-1905), escritor e militar norte-americano, além de advogado, diplomata e estudioso da Bíblia, publicou em 1880 um romance que faria história: “Ben-Hur, a Tale of the Christ”.  O personagem fictício Judah Ben-Hur, um príncipe judeu, traído por seu amigo de infância (irmão de criação?), o romano Messala, acaba nas galés, escravizado.  Foge, recupera sua liberdade, se prepara e acaba voltando para se vingar de Messala, numa violenta corrida de bigas, dessas que envolvem vida e morte.  Contemporâneo de Jesus Cristo, acaba aderindo aos ensinamentos do Mestre, aquele que o acolheu num momento de desespero, oferecendo-lhe água, a despeito da proibição dos soldados romanos.




O cinema sempre flertou com esse romance, desde os seus primórdios.  A primeira adaptação foi um curta-metragem de 15 minutos, dirigido pelo canadense Sidney Olcott, em 1907, quando o cinema ainda engatinhava.  Em 1925, o cinema silencioso dos Estados Unidos produziu o primeiro longa baseado no romance, “Ben-Hur: Uma narrativa de Cristo”, dirigido por Fred Niblo, com um grande astro do cinema da época: Ramón Novarro.  É uma produção caríssima e avançada, para o período.

Foi em 1959 que William Wyler (1902-1981) dirigiu a superprodução “Ben-Hur” como um grande épico e super espetáculo, que abocanhou 11 Oscars e teve Charlton Heston no papel principal.  Aquela produção envolveu cerca de 300 sets de filmagem, 100 mil figurinos e 8 mil figurantes, segundo informações do DVD que a Warner lançou do filme no mercado brasileiro.  Ou seja, uma coisa grandiosa.  E muito bem-feita.




No entanto, o cinema de Hollywood volta à carga e produz uma nova versão do mesmo romance, só que agora adaptado pela trineta do autor, Carol Wallace, que pretendeu reescrever a história de forma atualizada e mais acessível.  Precisava?  Tenho minhas dúvidas.

Do ponto de vista cinematográfico, o que sempre interessou, e continua interessando nessa narrativa, foi a corrida de bigas.  Ela praticamente domina o filme de 1907, é o principal destaque em 1925 e se tornou uma cena antológica do cinema, no filme de William Wyler.  No atual remake, não é diferente.  Os efeitos especiais mais modernos, a tela IMAX e o 3D dão pleno destaque ao que interessa ao público ver: a famosa corrida de bigas, agora em 2016.  É inegável o impacto que causa, sempre causou, a tal corrida, nos filmes Ben-Hur.  Na atual adaptação, não só a corrida, mas praticamente todo o filme, aposta em cenas impactantes.  A pretensão é ser superlativo, espetáculo em todos os sentidos.  Que procura reforçar a visão judaico-cristã do mundo.




O elenco, capitaneado por Jack Huston, no papel título, e Toby Kebbel, no de Messala, ainda tem o brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo.  Uma curiosidade: no filme de 1959, Cristo era citado e aparecia apenas de costas.  Aqui, ele entra na história de forma mais clara.  Morgan Freeman, o mais famoso e conhecido do elenco, está no papel do sheik Ilderim.  Sofia Black e Ayelet Zurer são as estrelas femininas do filme.  Portanto, essa superprodução não é um filme de grandes astros.  Mas deve corresponder às expectativas de entretenimento das plateias.  Afinal, é um blockbuster, que, como de costume, vai invadir um grande número de telas de cinema e contará com uma grande promoção midiática.  Deve ajudar o Rodrigo Santoro a alavancar ainda mais sua carreira internacional.  Merecidamente.

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