segunda-feira, 10 de outubro de 2011

MEU PAÍS

 Antonio Carlos Egypto


MEU PAÍS.  Brasil, 2010.  Direção: André Ristum.  Com: Rodrigo Santoro, Débora Falabela, Cauã Reymond, Paulo José.  90 min.

“Meu País” é um filme brasileiro, dramático, bem realizado, com atores qualificados, e que conta uma história marcante.  Se distingue, pela sobriedade, de grande parte da produção nacional da atualidade, ligada à comédia de padrão televisivo.  Em compensação, talvez lhe falte maior expressividade emocional.  Para o tema de que trata, as atuações acabaram sendo contidas demais, esfriando as conturbadas relações que expõe.

O personagem do pai, Armando, vivido por Paulo José, é o único que, em seu pequeno papel, se mostra emocionalmente intenso.  Até Débora Falabela, que enfrenta um papel difícil e sofrido, o de Manuela, é comedida em sua atuação.

O personagem Marcos, vivido por Rodrigo Santoro, acaba dando o tom a todo o filme.  Marcos é uma espécie de executivo da era da globalização, muito bem sucedido, mas totalmente distante da família.  Vive há dez anos na Itália, quase sem contato com seu pai e irmão.  Procura se apartar da história familiar e dos envolvimentos afetivos do passado e do presente, vivendo longe e fazendo uma vida à parte, até mesmo no idioma.  Está casado com uma mulher italiana e é um jovem de comportamento moderado e formal.  Muito sério e responsável.  Esse personagem é muito bem matizado por Rodrigo Santoro, em ótimo desempenho.  Mas acho que acabou “contaminando” todo o clima do filme.  A direção procurou evitar o melodrama e seus excessos, mas abaixou demais a temperatura.  O filme ficou muito parecido com o personagem Marcos.


Esse personagem viverá uma transformação pessoal muito importante quando, ao ter de vir para o Brasil, para tratar de uma questão familiar inadiável, acaba se deparando com o irmão Tiago (Cauã Reymond), que só acentuou um comportamento irresponsável que possa ter tido no passado, e descobre uma irmã com problemas mentais, de quem nem sequer o irmão e ele sabiam da existência.

É dessas relações que se compõe a interessante trama de ”Meu País”, aquele espaço que designa um lugar no mundo, a algum mundo em que se esteja vinculado emocionalmente.

A personagem Manuela acabará sendo a detonadora das defesas emocionais que marcam a história, sobretudo por meio da negação e do apartamento do seu ser.  O contraste entre as figuras de Marcos e Manuela é bastante intenso, mas poderia estar emocionalmente mais marcado.  Afinal, é um turbilhão que está em ação aqui.  Débora Falabela dá bem conta do recado, nesse papel desafiador e delicado, que ela criou muito bem.

O personagem de Cauã Reymond poderia estar mais desenvolvido, com mais nuances.  Ele se aproxima do estereótipo puro e simples, apesar do bom desempenho do ator.

Uma parte dos diálogos é feita em italiano.  As relações de Marcos com sua mulher, vivida pela atriz italiana Anita Capriol, exigiram de Santoro que aprendesse (ou decorasse) suas falas no idioma que, apesar de ser de seus ancestrais, o ator nâo domina.  O resultado, nesse aspecto, é bastante convincente e dá pleno sentido ao personagem.

O primeiro longa de André Ristum é um trabalho digno e respeitável.  É um realizador  fadado a alçar grandes voos daqui para frente.  Tem talento para isso.

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