quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SUBMARINO

Antonio Carlos Egypto

SUBMARINO (Submarino). Dinamarca, 2010. Direção: Thomas Vinterberg. Com Jakob Cedergren, Peter Plaugborg, Morten Rose, Patricia Schumann. 110 min.


Dois irmãos ainda na infância vivem não só completamente abandonados pela mãe, permanentemente alcoolizada, como acabam tendo de cuidar do irmãozinho menor, ainda bebê. Esta situação é, por si só, insustentável. Mas algumas circunstâncias adicionais podem acabar gerando um trauma de grandes proporções, capaz de alimentar uma culpa a ser carregada por toda a vida. Daquelas culpas que a racionalidade sabe que não existem, mas a emoção não consegue apagar.

A vida desses dois irmãos quando já adultos, mostrando suas tragédias pessoais, é o foco do filme “Submarino”, do dinamarquês Thomas Vinterberg, o diretor do elogiado “Festa de Família”, de 1998, filme que fez parte do movimento conhecido como Dogma 95. Aquele movimento pregava de forma radical um jeito simples e barato de fazer cinema, como alternativa aos padrões milionários de Hollywood e de parte do cinema europeu.

O movimento rendeu pouco, acabou dando em nada, mas pelo menos um grande filme restou daquela iniciativa: justamente, “Festa de Família”, de Vinterberg. Sua temática era a da sujeira familiar jogada para baixo do tapete, que explode com a revelação, em plena festa de 60 anos do patriarca, de situações de abuso sexual no seio familiar. Imperdível. Quem por acaso não assistiu, pode vê-lo em DVD.

Vinterberg também dirigiu “Querida Wendy”, em 2005, um filme que trata da banalização do uso de armas e da violência. O diretor fez poucos filmes, mas, como se pode notar, ataca temas densos e pesados, sem medo, e procurando contribuir para um cinema reflexivo, antenado com seu tempo.

“Submarino” não é diferente. Faz um retrato forte e sem retoques da dependência de álcool e outras drogas. A mãe é alcoolista, sem nenhum controle ou limite. O filho maior, Nick, segue seus passos na vida adulta, começando ainda na infância. O menor se torna dependente pesado de heroína, apesar de ter de cuidar de um filho pequeno, de 5 ou 6 anos de idade. E, ainda, experimenta o caminho do tráfico. Nick está imerso na violência, na infelicidade amorosa, na marginalidade. Cada qual vive seu trauma, sem saída. Distantes um do outro, mas podendo se encontrar ocasionalmente, na cadeia.

“Submarino” não dá tregua, não alivia. Nem traz esperança. Retrata uma realidade duríssima, que vem da infância e se arrebenta no álcool, na heroína, na violência. Cruel, mas verdadeiro. Poderia, quem sabe, vislumbrar uma luz no fim do túnel, apesar de tudo. Mas esse não seria o cinema de Thomas Vinterberg, visceral e sombrio por excelência.

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