quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

ORWELL:2+2=5

                                      Antonio Carlos Egypto

 


ORWELL: 2 + 2 = 5. França, 2025.  Direção: Raoul Peck.  Narração: Damian Lewis.  Documentário.  119 min.

 

O documentário “Orwell: 2 + 2 = 5”, do diretor Raoul Peck (de “Eu Não Sou Seu Negro”, de 2016, “O Jovem Karl Marx”, de 2017, e “Ernest Cole: Achados e Perdidos”, de 2024), nascido em Porto Príncipe, Haiti, de quem se poderia esperar muito, pelo que já fez, decepciona um pouco.  Não porque não seja bem-feito, nem por falta de uma ampla pesquisa de textos e imagens, menos ainda pelas boas intenções da proposta.

 

O problema é que o filme, ao questionar o mundo atual, opressor, mentiroso, manipulador e cheio de excessos, padece exatamente de um desses pecados: o absoluto excesso de informações que até dificulta a compreensão e não nos permite usufruir e refletir sobre o que nos é mostrado.

 

Para começar, porque a proposta é ambiciosa demais.  Centra-se na figura do grande escritor George Orwell (1903-1950), apresentado como uma espécie de profeta do mundo atual, a partir do que criou e escreveu sobre o autoritarismo e sua capacidade de nos manipular e produzir crenças majoritárias baseadas nas mentiras apresentadas como verdades absolutas, impostas pelos tiranos e sua tecnologia.

 

A partir daí, o filme tenta mostrar que os fatos ligados ao autoritarismo, não só dos nossos tempos como do passado, vinculam-se a Orwell de algum modo.  E desfila um colosso de fatos informativos e imagens atuais e de época sendo narrados ao mesmo tempo em que, muitas vezes, são exibidos também palavras e números escritos na tela.  Para um filme legendado a ser visto por aqui, não dá nem para acompanhar as duas coisas juntas.  As legendas duplas nem cabem na tela.  Assim, o que seria uma denúncia para lá de justa e uma justaposição de situações diferentes revela-se exagerada e irritante.

 

Quem já não se queixou de ser invadido por um turbilhão de imagens e mensagens impossíveis de se processar? E que pelo excesso passam a incomodar muito mais do que contribuir com alguma informação relevante?  Infelizmente, é isso que acontece com “Orwell: 2 + 2 = 5”, na minha opinião.

 

Uma edição mais enxuta, seletiva e menos agitada, poderia ter dado origem a um documentário excelente.  Mas não aconteceu.

 

 

 

 

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