quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

2 FILMES DE OSCAR

Antonio Carlos Egypto

 




MARTY SUPREME (Marty Supreme).  Estados Unidos, 2025.  Direção: Josh Safdie.  Elenco: Timothée Chalamet, Gwineth Paltrow, Odessa A’zion, Abel Ferrara, Tyler Okonma, Fran Drescher.  140 min.

 

“Marty Supreme” enfoca um jovem personagem ultra talentoso e ambicioso do esporte do tênis de mesa.  Esse assunto anima você a ir ao cinema?  A mim também não animou, porém, o filme já consagrou o trabalho do ator Timothée Chalamet com prêmios importantes como o Globo de Ouro de ator/comédia.  E o filme deve estar na lista dos indicados ao Oscar.

 

Acompanhando o filme, a gente vê que o trabalho é mais inteligente do que se poderia esperar sobre o tema.  Acredite, as cenas das disputas no tênis de mesa são muito bem feitas e chegam a empolgar.

 

O rumo da trama mostra um personagem disposto a tudo, inclusive muitos desvios éticos, para chegar a ser campeão mundial da categoria.  Ocorre que, antes de tudo, na verdade, ele se autossabota.  Faz as piores escolhas, nos piores momentos, convive com quem ele não gosta e tem relacionamentos confusos e conflitantes.  Tanto ele não respeita seus eventuais parceiros ou adversários, como pouco se incomoda com a legalidade das ações e eventos de que participa.

 


Se há uma mulher à sua espera em qualquer circunstância, porque o conhece bem e o aceita, apesar de tudo, há outra que vê nele um parceiro de ocasião para minorar suas insatisfações.  O jeito de lidar com elas e com a própria mãe também está longe de ser satisfatório. 

 

Com uma figura central assim, a trama não poderia levar a um bom cabo e o filme adota isso de forma correta, ainda revelando os bastidores sórdidos das disputas esportivas.  Marty entra nesse jogo em busca de dinheiro para, pelo menos, ir a Tóquio competir pelo mundial e em busca de prestígio e sucesso internacionais.  Mas faz tudo ao contrário do que poderia render-lhe melhores resultados.  Autoengano?  Sabotagem?  Mau caráter?  Tudo isso e a lógica binária e simplória da obsessão por vencer, dos winners e loosers, que vigora nos Estados Unidos desde sempre.  Mas que aqui passa por alguma revisão do olhar sobre o tema.

 

O desempenho de Timothée Chalamet como o tenista Marty Mauser, segundo se diz, inspirado vagamente num jogador real dos anos 1950 em Nova York, é visceral e muito intenso.  Denota o empenho que parece que ele costuma dedicar aos seus personagens.  No caso aqui, ele diz que aprendeu e praticou tênis de mesa durante sete anos como preparação e que fazia isso até quando estava em outras filmagens.  Inspiração e transpiração aos borbotões.

 

O filme dirigido por Josh Safdie é agitado, como seu personagem central, tem um bom elenco de apoio, mas é todo focado na figura de Marty Mauser.  Isso sustenta bem o filme.  Há trapalhadas, exageros e excessos desnecessários, que não chegam a ser engraçados, mas não deixa de ser uma boa diversão.


 


UMA BATALHA APÓS A OUTRA (One Battle Aflter Another).  Estados Unidos, 2025.  Direção: Paul Thomas Anderson.  Elenco: Leonardo Di Caprio, Teyana Taylor, Sean Penn, Chase Infiniti, Benício del Toro.  162 min.

 

A julgar pela recente premiação do Globo de Ouro, “Uma Batalha Após a Outra” pavimentou suas grandes possibilidades no Oscar.  O filme venceu como melhor comédia, com prêmios de melhor roteiro e direção para Paul Thomas Anderson.  E ainda o prêmio de atriz coadjuvante para Teyama Taylor.

 

O consagrado cineasta P.T.A. tem entusiastas do seu trabalho e gente que torce o nariz para suas provocações e o mundo distópico que ele retrata.  Geralmente a crítica aprova mais a sua obra do que o público.

 

A trama do filme focaliza Bob Ferguson (Leonardo Di Caprio), um ex-revolucionário que vai em busca da filha adolescente sequestrada por seu inimigo, o coronel Lockjaw (Sean Penn).  Vive uma jornada caótica, retomando seu passado para salvar a filha Willa (Chase Infiniti) e ainda tem de enfrentar a dissonância geracional dos tempos de crise em que vivemos.

 

Poder, confronto, embate ideológico, mudanças radicais, polarização extrema, a sociedade tomada pela violência e pelo desencontro, são alguns dos elementos de “Uma Batalha Após a Outra” que, na verdade, é antes de tudo um filme de ação, irônico, com muito humor e muito questionamento.




 

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