Antonio Carlos Egypto
MARTY SUPREME (Marty Supreme). Estados Unidos, 2025. Direção: Josh Safdie. Elenco: Timothée Chalamet, Gwineth Paltrow,
Odessa A’zion, Abel Ferrara, Tyler Okonma, Fran Drescher. 140 min.
“Marty Supreme” enfoca um jovem personagem ultra talentoso e ambicioso do
esporte do tênis de mesa. Esse assunto
anima você a ir ao cinema? A mim também
não animou, porém, o filme já consagrou o trabalho do ator Timothée Chalamet
com prêmios importantes como o Globo de Ouro de ator/comédia. E o filme deve estar na lista dos indicados
ao Oscar.
Acompanhando o filme, a gente vê que o trabalho é mais inteligente do que
se poderia esperar sobre o tema.
Acredite, as cenas das disputas no tênis de mesa são muito bem feitas e
chegam a empolgar.
O rumo da trama mostra um personagem disposto a tudo, inclusive muitos
desvios éticos, para chegar a ser campeão mundial da categoria. Ocorre que, antes de tudo, na verdade, ele se
autossabota. Faz as piores escolhas, nos
piores momentos, convive com quem ele não gosta e tem relacionamentos confusos
e conflitantes. Tanto ele não respeita
seus eventuais parceiros ou adversários, como pouco se incomoda com a
legalidade das ações e eventos de que participa.
Se há uma mulher à sua espera em qualquer circunstância, porque o conhece
bem e o aceita, apesar de tudo, há outra que vê nele um parceiro de ocasião
para minorar suas insatisfações. O jeito
de lidar com elas e com a própria mãe também está longe de ser
satisfatório.
Com uma figura central assim, a trama não poderia levar a um bom cabo e o
filme adota isso de forma correta, ainda revelando os bastidores sórdidos das
disputas esportivas. Marty entra nesse
jogo em busca de dinheiro para, pelo menos, ir a Tóquio competir pelo mundial e
em busca de prestígio e sucesso internacionais.
Mas faz tudo ao contrário do que poderia render-lhe melhores
resultados. Autoengano? Sabotagem?
Mau caráter? Tudo isso e a lógica
binária e simplória da obsessão por vencer, dos winners e loosers, que
vigora nos Estados Unidos desde sempre.
Mas que aqui passa por alguma revisão do olhar sobre o tema.
O desempenho de Timothée Chalamet como o tenista Marty Mauser, segundo se
diz, inspirado vagamente num jogador real dos anos 1950 em Nova York, é
visceral e muito intenso. Denota o
empenho que parece que ele costuma dedicar aos seus personagens. No caso aqui, ele diz que aprendeu e praticou
tênis de mesa durante sete anos como preparação e que fazia isso até quando
estava em outras filmagens. Inspiração e
transpiração aos borbotões.
O filme dirigido por Josh Safdie é agitado, como seu personagem central,
tem um bom elenco de apoio, mas é todo focado na figura de Marty Mauser. Isso sustenta bem o filme. Há trapalhadas, exageros e excessos
desnecessários, que não chegam a ser engraçados, mas não deixa de ser uma boa
diversão.
UMA BATALHA APÓS A OUTRA (One
Battle Aflter Another). Estados
Unidos, 2025. Direção: Paul Thomas
Anderson. Elenco: Leonardo Di Caprio, Teyana
Taylor, Sean Penn, Chase Infiniti, Benício del Toro. 162 min.
A julgar pela recente premiação do Globo de Ouro, “Uma Batalha Após a
Outra” pavimentou suas grandes possibilidades no Oscar. O filme venceu como melhor comédia, com
prêmios de melhor roteiro e direção para Paul Thomas Anderson. E ainda o prêmio de atriz coadjuvante para
Teyama Taylor.
O consagrado cineasta P.T.A. tem entusiastas do seu trabalho e gente que
torce o nariz para suas provocações e o mundo distópico que ele retrata. Geralmente a crítica aprova mais a sua obra
do que o público.
A trama do filme focaliza Bob Ferguson (Leonardo Di Caprio), um
ex-revolucionário que vai em busca da filha adolescente sequestrada por seu
inimigo, o coronel Lockjaw (Sean Penn).
Vive uma jornada caótica, retomando seu passado para salvar a filha
Willa (Chase Infiniti) e ainda tem de enfrentar a dissonância geracional dos
tempos de crise em que vivemos.
Poder, confronto, embate ideológico, mudanças radicais, polarização
extrema, a sociedade tomada pela violência e pelo desencontro, são alguns dos
elementos de “Uma Batalha Após a Outra” que, na verdade, é antes de tudo um
filme de ação, irônico, com muito humor e muito questionamento.



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