quarta-feira, 4 de outubro de 2023

OS FILHOS DOS OUTROS

Antonio Carlos Egypto

 

 



OS FILHOS DOS OUTROS (Les enfants des autres).  França, 2022.  Direção: Rebecca Zlotowski.  Elenco: Virginie Efira, Roschdy Zem, Chiara Mastroianni, Callie Ferreira Goncalves.  104 min.

 

A questão central do filme “Os Filhos dos Outros”, da diretora Rebecca Zlotowski, é a maternidade vista pela ótica feminina.

 

O fio condutor da história é a personagem Rachel, vivida por Virginie Efira, em ótimo desempenho, cheio de vida, de nuances emocionais, muito competente. Rachel é uma professora, que lida com alunos do ensino médio, dedica-se às suas aulas de violão, tem seus amores, mas nunca engravidou.  No filme, ela associa isso à morte de sua mãe por acidente de carro, em que ela própria sobreviveu, criança.  Isso a teria impedido psicologicamente de buscar a maternidade.  Porém, ela tem o desejo de ser mãe e, ao chegar aos 40 anos, sente que seu tempo para decidir sobre isso está acabando.  Seu médico enfatiza isso. 

 

Um novo relacionamento com um homem, casado, em processo de separação, a coloca na condição de madrasta da filha dele.  Essa circunstância, com seus apelos emocionais e dificuldades, assume o centro da trama.

 

Uma mulher que não é mãe se dedica a cuidar de uma menina de 4, 5 anos, acoplada à relação amorosa, enquanto segue cuidando de seus alunos, em especial, um deles, que não consegue encontrar seu prumo aos 16 anos.  Ou seja, ela se dedica a cuidar dos filhos dos outros.  O que pode ser um grande desafio, envolver muitos problemas, mas também trazer gratificações importantes.

 

O drama vai por aí, com a maternidade definindo o papel da mulher, pelo menos, nessa etapa da vida.  É bem verdade que a personagem explicita, em uma fala, que não acredita que a mulher precise ter filhos ou que seja menos realizada se não for mãe.  Apesar disso, reconhece o desejo em si mesma.  Menos mal.  Relativiza o peso da maternidade na vida de todas as mulheres.  Afinal, elas podem ser o que desejarem ser, sem a obrigação da maternidade.  São infinitas as formas de ser mulher para além da maternidade.

 


O filme “Os Filhos dos Outros” coloca questões interessantes e importantes nessa temática e é bem realizado.  Com uma narrativa linear, acadêmica, sem maiores inovações e sem cenas muito marcantes visualmente falando, no aspecto emotivo, sim.  Tem leveza, também. 

 

Oferece um bom desempenho do elenco, não só da protagonista, mas como um todo e tem uma criança que deve encantar o público que vai assistir ao filme, a atriz mirim Callie Ferreira Goncalves.  Destaque também para o ator Roschdy Zem.  Um bom trabalho da cineasta Rebecca Zlotowski.

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Mostra de Cinema Russo e Soviético, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, de 05 a 15 de outubro, em sua 9ª. edição, apresenta 14 longas-metragens e um média, produções russas recentes e clássicos soviéticos e russos fazem parte da programação, que é toda gratuita.  Destaque para “Khitrovka, o Signo dos Quatro”, de 2023, dirigido por Karen Shakhnazarov, com exibições previstas para dia 05 de outubro, 5ª. feira, às 19:30 h, dia 07, sábado, às 18:00 h, dia 15, domingo, 19:45 h.  Para conferir a programação completa dessa Mostra e da Cinemateca, entre aqui:

www.cinemateca.org.br/programação

 

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