quinta-feira, 25 de julho de 2013

AMOR PLENO

 Antonio Carlos Egypto


 

AMOR PLENO (To The Wonder).  Estados Unidos, 2012.  Direção: Terrence Malick.  Com Ben Affleck, Olga Kurylenko, Rachel Adams, Javier Bardem.  112 min.


“Amor Pleno”, o novo filme do diretor Terrence Malick, trata das vicissitudes do amor.  De encontros e desencontros, expectativas frustradas, leniência nas relações amorosas, apatia, falta de empenho, mas também de momentos de grande alegria e comunhão entre um homem e uma mulher.  Ou entre um homem e duas mulheres, com quem convive simultânea ou alternadamente.

No filme, porém, questões existenciais necessariamente remetem ao cosmos, à ideia de Deus e a uma religiosidade.  À busca por um sentido, por preencher um vazio.  Há até um padre às voltas com suas crenças e dúvidas com relação ao amor divino, que seria a forma mais plena de amor.  Para quem gosta desse tipo de abordagem, é um prato cheio, porque Malick é um cineasta talentosíssimo para lidar com imagens.



A beleza plástica do filme é indiscutível.  Enquadramentos perfeitos, locações belíssimas, exploração da luz como elemento dessa dimensão cósmica.  Enfim, é um filme bonito de se ver, de um ponto de vista contemplativo.

Para usufruir de sua beleza sem se aborrecer, no entanto, é preciso adotar a perspectiva apresentada.  Do contrário, essa beleza parecerá gratuita e sem razão de ser.  Quem já não recebeu montanhas de sequências de belas fotos turísticas, de natureza ou do que quer que seja, por meio desses PPS de computador?  É bonito, sim.  Mas cansa e se torna repetitivo.  Se você não tem um interesse específico naquilo que lhe é enviado, você tende a não dar importância, nem ver direito e deletar tudo isso, não é?  Esse é o risco que “Amor Pleno” corre em relação a um público mais cético ou menos propenso ao cultivo do belo pelo belo.



“A Árvore da Vida”, o filme anterior de Terrence Malick, foi bem avaliado pela crítica e apreciado pelo público.  A abordagem é parecida agora, mas lá havia mais consistência e também imagens mais arrebatadoras.  “Amor Pleno” é um filme menor do cineasta, que não acrescenta nada de relevante à sua obra.



O elenco tem atuação discreta, de baixa intensidade.  Até porque há poucas cenas com os diálogos e confrontos narrados no filme.  Duas belas mulheres: Olga Kurylenko e Rachel Adams marcam presença, contracenando com Ben Affleck, ator e o premiado diretor de “Argo”.  O papel de Ben é o do homem apático, que não sabe lidar com o amor que a vida  lhe oferece.  O papel parece muito apropriado a ele, que costuma ser inexpressivo em suas atuações.  Já o grande ator espanhol Javier Bardem está mal aproveitado no papel pouco relevante do padre.


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