sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ROTA IRLANDESA


Antonio Carlos Egypto


 

ROTA IRLANDESA (Route Irish). Inglaterra, 2011.  Direção: Ken Loach.  Com Mark Womack, Andrea Lowe, John Bishop, Jack Fortune.  109 min.

O diretor britânico Ken Loach tem como característica temática as questões política e ideológica.  Costuma tratar de temas como a pobreza, a imigração, as etnias, os preconceitos, os conflitos religiosos armados da Irlanda, outros conflitos históricos e assuntos correlatos.

 

As escolhas dos personagens sempre envolvem decisões de caráter político, seja em situações de guerra, seja em relações de vizinhança.  Claro, há política em tudo, é algo muito importante mesmo.  Desta vez, o enfoque foi um pouco diferente.  Trata-se da guerra do Iraque, mas não como uma questão ideológica e, sim, como um negócio.
 
 
 

Fergus e Frankie, amigos de infância, se ajudam mutuamente, costumam trabalhar juntos.  Vemos Fergus convencer Frankie a ir com ele para o Iraque.  O pagamento é ótimo, 10 mil libras ao mês, sem taxas.  É a guerra privatizada, virando emprego atraente para alguns.  Sem considerações de ordem política ou ideológica, em princípio.

 

Acontece que o tal emprego é perigosíssimo.  Frankie acaba morto na chamada Rota Irlandesa, estrada iraquiana identificada como a mais perigosa do mundo.  O filme se centra na ação de Fergus em busca de encontrar o que está por trás da morte do amigo.  Essa investigação trará muitas revelações, novos perigos e vingança.
 

 

“Rota Irlandesa” é, nesse sentido, um enredo policial, como tantos outros.  A questão política, aqui, aparece de uma forma diferente.  O foco da denúncia é a privatização e o negócio das guerras.  Vale para qualquer guerra, a rigor.  Tendem a cair por terra os argumentos que justificariam ações armadas, invasões de territórios, tiroteios em terrenos fronteiriços, coisas desse tipo. E, menos ainda, o resgate de tiranos pela democracia.  Basta ver no que virou essa história.
 
  

É um filme menor do grande diretor Ken Loach.  Dele sempre se espera mais.  Pela lucidez que demonstra, pela coragem de tocar em feridas e fazer denúncias.  Não que isso esteja ausente aqui.  O negócio da guerra é algo que deve, mesmo, ser tratado, apontado com clareza.  A banalização da violência que transforma absurdos em coisas admissíveis é um ponto importante também.  O problema é que o filme mantém o espectador um tanto confuso ao longo da narrativa.  Isso acaba atrapalhando o envolvimento emocional que se espera desse tipo de película, que tem algo a demonstrar.  O cinema de Ken Loach costuma ser bem mais claro e até didático, no tratamento dos temas engajados que sempre o interessaram.  Neste filme, ele se desvia um pouco da rota, faz uma digressão.

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