quarta-feira, 22 de abril de 2015

NÃO OLHE PARA TRÁS


Antonio Carlos Egypto




NÃO OLHE PARA TRÁS (Danny Collins).  Estados Unidos, 2014.  Direção e roteiro: Dan Fogelman.  Com Al Pacino, Annette Bening, Jennifer Garner, Bobby Cannavale, Christopher Plummer.  103 min.


“Não Olhe Para Trás” tem uma história sedutora, um ator de se tirar o chapéu, Al Pacino, e remete a um ídolo marcante da história da música popular e importante referência comportamental de sua época, John Lennon.  Com elementos como esses, é de se esperar que o filme alcance sucesso junto ao público.

A história é apresentada no filme como um pouco baseada em fatos reais.  Não sabemos, ao certo, qual é esse pouco.  Provavelmente, o mote da trama.  E qual é ele?  Steve Tilson, um cantor folk inglês de sucesso teria recebido uma carta manuscrita de John Lennon, que só  chegou  às suas mãos quase quatro décadas depois.  Datada dos anos 1970, só teria sido entregue a ele em 2010.




No filme “Não Olhe Para Trás”, o cantor de sucesso é convertido no roqueiro Danny Collins (Al Pacino), que há trinta anos repete as mesmas músicas de apelo comercial em grandes turnês, já que não conseguiu produzir mais nada de novo, desde então.  Sua carreira sempre lhe deu muito dinheiro, mas agora se tornou de uma mesmice insuportável, sendo seu público composto por pessoas maduras e idosos saudosistas, ainda capazes de se divertir com as amenidades e infantilidades das letras de sucesso de Danny.

Aí entra a carta de Lennon, que transforma não só a carreira desse cantor como sua vida pessoal, incluindo as relações com um filho que abandonou solenemente em nome da trajetória musical.  Esse filho, já casado, lhe nutre ódio, sua nora o estranha, mas sua neta o recebe alegremente.  Reconstruir essa vida familiar renegada será um enorme desafio.




Mudar os rumos da carreira após tantos anos construindo uma imagem popularesca também será tarefa complicadíssima.  Será tarde demais para corresponder a palavras de incentivo e cobrança ética de John Lennon?  E fica a inevitável questão: como teria sido a vida de Danny Collins se tivesse recebido aquela carta na época em que foi escrita?

Há espaço para uma tentativa de Danny de conquistar uma mulher que lhe interessou quando mudou seu rumo de vida.  É o papel de Annette Bening, outro destaque do elenco.  E o grande e veterano Christopher Plummer aparece muito bem no papel de agente e antigo amigo do cantor.  Mas o que o filme tem de melhor é, mesmo, o desempenho de Al Pacino.  Ele relativiza as cenas melodramáticas, dá credibilidade à virada de vida do personagem, transmite humor e simpatia.  A gente até acredita mesmo que ele cante e encante plateias com sua música.  Sem ele, o filme não iria muito longe, ou poderia se tornar inverossímil, já que a história é atraente, mas esdrúxula.  E seus desdobramentos, mera especulação.




A música marcante de Lennon também aparece no filme, em doses modestas.  Mas o suficiente para agradar o público que for ver o filme também por causa do apelo que o grande Beatle até hoje continua exercendo.

  

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